sexta-feira, 3 de outubro de 2014

HISTÓRIA DA ESTRADA DE FERRO SOROCABANA



APRESENTAÇÃO

         
         

Ainda bem pequeno ouvia as narrativas de meu avô paterno Joaquim Antonio Ribeiro, mais conhecido por Florenção sobre as aventuras dele trabalhando na abertura da Estrada de Ferro Sorocabana no trecho que seguiu de Ourinhos em direção ao oeste do Estado de São Paulo.
      

   Ele, como vigia no acampamento, tinha também como incumbência caçar animais para que a carne fosse preparada e servida aos trabalhadores. Muitas vezes ele e seus companheiros de função tiveram enfrentamentos com índios que habitavam a região no início do século XX.
        Dessa forma, embora me considere descendente de um pioneiro da E.F. Sorocabana,só fui viajar de trem pela primeira vez em 1955, no trecho que vai de Bernardino de Campos até São Bartolomeu, na região de Avaré. Até então eu nunca tinha visto de perto uma locomotiva e olha que já estava com quatorze anos de idade. Fui a um casamento com amigos.
         Não me lembro se a locomotiva da E.F. Sorocabana era movida a diesel ou eletricidade. Fiquei com medo quando vi que os trilhos não eram como eu pensava: achava que era uma espécie de calha onde as rodas deslizavam.
         Algum tempo depois viajei com meus pais de Bernardino a Santa Cruz do Rio Pardo. Era um ramal de aproximadamente trinta quilômetros e a locomotiva era a vapor, ou seja, a “Maria Fumaça”. Entre as duas cidades existia a estação de Sodrélia.
        
Em dezembro de 1958 ocorreu a viagem mais longa: Viemos de mudança de Ipaussu, interior do Estado de São Paulo para Alumínio. O trem era o “Ouro Verde”, que era um trem de passageiros, só superado em conforto pelo “Ouro Branco”. Nossa mudança viera em outro trem na véspera.  
         Em fins de 1959 tive de fazer uma cirurgia de varizes para ser admitido na Companhia Brasileira de Alumínio. A cirurgia aconteceu na Santa Casa no Largo do Arouche e eu fiz doze viagens no trem chamado “Subúrbio”, que parava em todas as estações.
         Depois de outras viagens a São Paulo com minha esposa e filhos ficamos em contato com as composições que passavam ao lado do antigo prédio do Escritório da CBA onde laboramos durante trinta e um anos. No final da década de 1970 em  Alumínio a rua em que morávamos ficava paralela e muito próxima da estação da ferroviária da localidade.
         Agora senti o desejo de escrever alguma coisa sobre os trens, mais especificamente sobre a Estrada de Ferro Sorocabana, com ênfase no trecho entre Sorocaba e Mairinque. É a área em que tenho vivido e convivido com o povo desde 1958 até os dias de hoje.
         Aos ferroviários que laboraram na E.F.S. e seus descendentes dedico este meu trabalho.

A HISTÓRIA DA E.F.S.

 

         Pesquisando na Internet sobre o assunto, optei pelo site Wikipédia, que é aquele que traz o assunto o mais completo possível e de forma bastante condensada. Vamos ao relato:


A Companhia Estrada de Ferro Sorocabana foi criada em 2 de fevereiro de 1870 por empresários sorocabanos liderados pelo comerciante de algodão Luís Mateus Maylasky, cidadão austro-húngaro, com um capital inicial de 1 200 contos de réis, posteriormente elevado para 4 mil contos. Maylasky obteve da então província de São Paulo uma garantia de juros de 7% ao ano sobre o capital que fosse investido na ferrovia.
O primeiro trecho da ferrovia foi inaugurado em 10 de julho de 1875 e era formado por uma única linha, em bitola métrica, entre São Paulo e a fábrica de ferro de Ipanema, passando por Sorocaba.
Inicialmente concebida para transportar as safras de algodão, as receitas geradas pelo transporte desse produto logo se revelaram insuficientes, levando a ferrovia a enfrentar sérias dificuldades financeiras. Em assembleia geral realizada no dia 15 de maio de 1880 Luís Mateus Maylasky foi demitido e substituído por Francisco de Paula Mayrink, que acusou seu predecessor de gestão ilegal, malversação de fundos e inclusive de desfalque.
Mayrink, convencido que o sucesso da ferrovia estava condicionado ao transporte do café, expande seus trilhos na direção de Botucatu, para atingir regiões cafeeiras indo até Assis, onde se localizavam as oficinas da ferrovia, tornando-se uma das principais cidades do interior paulista.
Logo da EFS, que era fixado nas laterais do tender ou cabine das locomotivas
A Sorocabana serviu a inúmeras cidades do oeste paulista. Sua linha tronco expandiu-se e chegou a Presidente Prudente em 1919 e a Presidente Epitácio, às margens do rio Paraná - seu ponto final - em 1922. Antes disso a EFS construiu vários ramais. Em 1909 o ramal de Itararé ligava Iperó a Itararé, conectando a rede ferroviária paulista às estradas de ferro do Paraná, pelo antigo caminho dos tropeiros, que viajavam até o sul do Brasil.
A partir dos anos 20, em seu trecho inicial - primeiro até Mairinque, depois somente até Amador Bueno - passaram a circular, principalmente, trens de subúrbio.
O Ramal Dourados, no oeste paulista, ligava Presidente Prudente a Teodoro Sampaio.
Trens de passageiros de longo percurso trafegaram pela linha-tronco (Santos - Juquiá) até 16 de janeiro de 1999, quando foram suprimidos pela concessionária Ferroban, sucessora da Fepasa. A linha estava ativa até meados de 2002, somente para trens de carga e hoje está em completo abandono.

 AQUISIÇÃO PELO ESTADO DE SÃO PAULO


A Sorocabana passou por inúmeras mudanças de controle acionário. Em 1892 fundiu-se com a Estrada de Ferro Ituana, dando origem à Companhia União Sorocabana e Ituana (CUSI).
Apesar do contínuo aumento de volume no transporte de café, as finanças da ferrovia se deterioram de tal forma que a empresa precisou ser liquidada, tendo sido leiloada e arrematada, em 1904, pelo governo federal, por 60 mil contos de réis. Em 18 de abril de 1905 o governo federal vendeu a ferrovia para o governo do estado de São Paulo por 3,25 milhões de libras esterlinas - equivalentes a 65 mil contos de réis.
O nome Ytuana desaparece dos registros oficiais, mas não da cabeça do povo da região e da própria Sorocabana, que por anos designará suas antigas linhas como Secção Ituana - agora com "I".
De 1907 até 1919 a Sorocabana foi arrendada para o truste do polêmico capitalista norte-americano Percival Farquhar (um dos pivôs da Guerra do Contestado) - passando a operar sob o nome The Sorocabana Railway Co. - tendo se tornado lucrativa até 1912. Nesse ano o sindicato Farquhar começa a entrar em sérias dificuldades financeiras e praticamente abandonou a administração da ferrovia (a Brazil Railway Company, a holding de Farquhar, entrou em concordata em outubro de 1914). Sua situação se deteriorou de tal maneira que a ferrovia teve que ser encampada pelo estado de São Paulo - durante governo Altino Arantes - para assegurar a continuidade do serviço público. Dessa forma o governo de São Paulo assume novamente seu controle no dia 9 de setembro de 1919.
Calisto de Paula Souza, o segundo inspetor geral da Sorocabana nomeado pelo governo do estado, assim descreveu a situação da ferrovia em agosto de 1919: os armazéns estavam repletos de mercadorias aguardando para serem despachadas, havia frequentes interrupções de tráfego devido ao mau estado de conservação das locomotivas, os trens ficavam parados nas estações por falta de água...o leito da ferrovia não oferecia segurança...(Companhia Sorocabana; 1920, p. 3-4)
A Sorocabana permaneceu até 1971 sob o controle direto do estado de São Paulo, quando foi incorporada à Fepasa. A partir de 1995 as linhas suburbanas da antiga Sorocabana passaram a ser administradas pela CPTM.
A descida da Serra do Mar
Foram feitas inúmeras tentativas e vários projetos para levar os trilhos da Sorocabana até o porto de Santos que era servido - em regime de monopólio - apenas pela São Paulo Railway (SPR) popularmente conhecida com A Inglesa. Muitos alegavam que A Inglesa sufocava o desenvolvimento do porto com suas altas tarifas.
Mas todas essas tentativas de levar novos trilhos até o porto de Santos esbarravam no sistema de privilégios de zona . A zona por onde os trilhos teriam que passar pertencia à Southern San Paulo Railway Co. Ltd.
O governo de Altino Arantes Marques (1916 a 1920) muito se empenhou para que a Sorocabana conseguisse descer a Serra do Mar realizando várias gestões para que o estado encampasse a Southern San Paulo Railway Company.
Em 1926, ao assumir o governo do estado, Júlio Prestes de Albuquerque, finalmente, conseguiu comprar a Southern San Paulo Railway Co. Ltd., incorporando suas linhas à Sorocabana sob a designação de linha do Juquiá dando início, logo a seguir, às obras da linha Mairinque-Santos.
No dia 10 de outubro de 1927 começaram as difíceis e demoradas obras de construção da ferrovia que desceria a Serra do Mar, os quais exigiram a execução de complexos serviços de cortes, aterros, túneis, viadutos e pontes.
A 2 de dezembro de 1937, correu entre São Paulo e Santos, via Mairinque, em viagem experimental, a primeira composição de passageiros, conduzindo toda a administração da Sorocabana e representantes da imprensa de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos.
No dia 10 de dezembro de 1937 começaram a correr normalmente os trens de carga e passageiros, iniciando assim o tráfego regular, que pôs fim ao monopólio - por muitos considerado odioso- da São Paulo Railway.
Concessão
Em 1998, o governador de São Paulo, Mário Covas, transferiu a FEPASA para a União, dentro do processo de renegociação das dívidas do estado. Posteriormente a União transferiu a empresa para a RFFSA, passando a ser denominada Malha Paulista, e com a extinção da RFFSA, as linhas foram transferidas sob regime de concessão para a Ferroban, que passou a operá-las. Em 2006, a América Latina Logística comprou o grupo Brasil Ferrovias, que mantinha a Ferroban, e desde então vem administrando e operando toda a antiga malha ferroviária da Sorocabana.

BIBLIOGRAFIA
  • CANABRAVA, Alice Piffer; O desenvolvimento da cultura de algodão na província de São Paulo: 1861-1875; São Paulo; Ind. Gráfica Siqueira; 1951
  • COMPANHIA SOROCABANA; Relatório apresentado pela directoria da Companhia Sorocabana à assembleia dos acionistas (vários anos)
  • FERROVIA PAULISTA SOCIEDADE ANÔNIMA; Dirigentes da Sorocabana e Fepasa; Gráfica Fepasa; Jundiaí;1983
  • SAES, Flávio de Azevedo Marques; As ferrovias de São Paulo: Paulista, Mogiana e Sorocabana (1870- 1940); 1974; Dissertação (Mestrado)Universidade de São Paulo, São Paulo;
  • SANTOS, Francisco Martins dos, e LICHTI, Fernando Martins;História de Santos/Poliantéia Santista;Editora Caudex Ltda.; São Vicente-SP; volume III;1996
  • SIQUEIRA, Augusto Primeiro traslado da escriptura de arrendamento da Estrada de Ferro Sorocabana; São Paulo; 1907.

A ESTAÇÃO DE SOROCABA



Linha- tronco – km 104,702 – 1934
Altitude: 550,400 m
Uso atual: Fechada (2013)
Ano de construção do prédio: 1875
Inauguração: 10-07-1875
 A estação de Sorocaba foi inaugurada em 1875 como o ponto final da linha original da Sorocabana, que não por acaso tem esse nome: a idéia original dos donos era ligar Sorocaba a São Paulo pelo caminho mais curto. Dois anos antes, justificava-se sua posição: "O lugar para a estação de Sorocaba sofreu uma mudança para com o primeiro projeto, motivada pelas seguintes razões: Para chegar ao lugar primeiramente destinado a receber o edifício desta nossa estação central, o traçado cortou várias ruas da cidade de Sorocaba que portanto teria que ter diversas passagens em nível, e o novo as evita sa mesma maneira transpondo muito antes o o ribeirão do Superery, afastando-se ainda mais da cidade e deixando a maior parte dessas ruas do seu lado esquerdo. A despesa do movimento de terra para a criação do plano da estação diminuiu com o novo projeto, como patenteiam as plantas topográficas aqui existentes. Também se evita a expropriação de muitas parcelas de quintais de numerosos proprietários. Diminui enfim o lugar novamente escolhido o valor dos maiores edifícios de toda a linha. Este novo prédio - ou o velho, totalmente reformulado - foi inaugurado em 25 de janeiro de 1930 pelo então Presidente do Estado, Julio Prestes. Ainda funcionou como uma estação tradicional, vendendo bilhetes, embarcando e desembarcando passageiros até a entrada de operação da Ferroban, no final de 1998. Da estação de Sorocaba sai a E. F. Votorantim, pertencente originalmente à Votorantim e hoje operada pela Ferroban. Embora o trem de passageiros da linha-tronco tenha sido desativado em 16/01/1999, Sorocaba continuou embarcando os passageiros da linha Sorocaba-Apiaí, que seguia pelo antigo ramal de Itararé, até 01/03/2001, quando esse trem também foi suprimido. O pátio e a estação estiveram abandonados e ameaçados até de demolição. No final de 2005, a Prefeitura de Sorocaba conseguiu negociar com a RFFSA a compra e a posse provisória da estação, que pretendia transformá-la na sede do futuro Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba. Em 2013, a situação externa da antiga gare é de abandono. Não há museu nenhum na estação.”

Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Comendador Gualberto Tenor; Ricardo Anacleto; Vagner Abreu; Alberto Del Bianco; Rafael Asquini; Diovanni Resende; Marcelo Tálamo; Wanderley Duck; Ricardo Koracsony; Adriano Martins; Folha de S. Paulo, 1961; Correio Paulistano, 25/1/1930; Fon-Fon, 1930; E. F. Sorocabana: relatórios anuais, 1872-1969; Noventa anos da Sorocabana, 1960; IBGE, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht.


A ESTAÇÃO DE MAIRINQUE



“É possível dizer que a centenária Estação Ferroviária de Mairinque ainda é um dos prédios mais importantes do Brasil, talvez da América Latina e com certeza da cidade, no interior de São Paulo. Também pudera, além de ter dado origem ao município e fazer parte da história ferroviária do País, a Estação foi o primeiro prédio brasileiro construído em concreto armado. Inaugurada em 1906, a obra foi construída no estilo “Art Noveau”, considerada o primeiro prédio do proto-modernismo e é a primeira “estação-ilha”, isso porque tem ramais de trilhos nos dois lados. Por essas razões – e por atualmente abrigar o museu de Memória Ferroviária local e ser palco constante de apresentações artísticas -, motivos não faltam a estudantes, profissionais e curiosos para visitá-la.
A Estação Ferroviária de Mairinque foi inaugurada em 1906, mas levou cerca de dois anos para ser construída e foi projetada pelo então arquiteto francês Victor Dubugras, precursor do concreto armado no Brasil e, acreditam estudiosos, também da América Latina. O professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) de São Paulo e autor da biografia de Victor Dubugras, Nestor Goulart, conta que a Estação é, ainda hoje, importante para o País e também foi para a vida profissional do arquiteto. Goulart ressalta que o prédio ainda é foco de muitas pesquisas devido sua “ousadia e inovação” do arquiteto. Isso porque, construída no meio da floresta e numa área de difícil acesso, a estação revela – segundo o professor – a característica “inovadora” de Dubugras, por usar materiais “reaproveitáveis” numa época remota ao assunto, ainda.
“Ele usou materiais reaproveitáveis porque o local era de difícil acesso. Dubugras tinha, no projeto, que pensar em algo que suportasse solavancos diários. Era para ser uma estação-ilha e os trens não parariam nunca. A estrutura tinha que ser firme”, afirma ele referindo-se ao fato dos ferros usados para suportar o concreto e caracterizar o modelo ‘concreto armado’ serem os próprios trilhos dos trens, que já não serviam mais para a proposta original.
Além disso, nas portas da estação, por exemplo, foram usadas madeiras de pinha de riga, hoje material nobre, mas que na época era uma espécie de “tapume”, usado para embalar peças de trens e ferrovias vindos de navios da Europa. “Peças resistentes ao tempo”, garante.
O prédio, conta o professor, é o primeiro – de que se tem notícia – feito em concreto armado e foi uma novidade numa época em que o estilo ainda era neoclássico. “Naquele momento, como não se usava o ferro como sustentação de paredes de alvenaria, muito menos laje, as paredes dos prédios eram bem próximas, para que a madeira usada no forro não “envergasse’. Mas ele não, ele inovou e ousou com o que tinha em mãos. Está aí, em pé até hoje”, comemora Goulart que acrescenta: o estilo “concreto armando” só seria usado novamente no Brasil, 30 anos após a experiência de Dubugras. E como se não bastasse, todo o interior da Estação, igualmente projetada, afirma Goulart, também foi inovadora. “Essas divisórias de escritório, usadas hoje em dia de plástico e vidro, ele criou e instalou na Estação. Quer dizer, ele tinha uma genialidade brilhante”, defende.
Segundo Goulart, Dubugras tinha parentes na Europa, e por essa razão, ele estava sempre informado sobre as novidades do outro continente. “Ele sabia de tudo. As coisas estavam começando na Europa e ele já testava aqui”, garante. Bem conservada, a Estação foi revitalizada em 1999 e pertence a Prefeitura de Mairinque desde 2004. Foi tombada Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arqueológico do Estado de São Paulo (Condephaat) em 1986 e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2002. Tema de música, livros e cenário de peças, também levou a atual administração municipal a reabrir, em 2007, o “Bar da Estação”, que funcionou de 1906 até 1980.
A título de curiosidade, Victor Dubugras criou o primeiro condomínio brasileiro, o residencial Canadá, no Rio de Janeiro, e construiu prédios como o paço de Santos, a Matriz de Ribeirão Preto e o palácio presidencial de Salvador, na Bahia.
Fonte: jornal Cruzeiro do Sul, matéria publicada em outubro de 2007, fotos de Adival Pinto.

 

LOCOMOTIVAS DA E.F.S.


















LOCOMOTIVAS DA FEPASA

 

 















Fotos: Internet




VILAS DE FERROVIÁRIOS

Em Sorocaba, SP

         Em Sorocaba, SP, berço da Estrada de Ferro Sorocabana existe um bairro que foi habitado quase que exclusivamente por ferroviários quando de seu surgimento. É a Vila Santana.
         No trecho transcrito podemos comprovar isto:
Vila Santana é um bairro da região do Além Linha na cidade de Sorocaba. O bairro passou a ser povoado a partir da década de 1920, com a construção da Capela de Santa Rita de Cássia, em 1923. No final da década de 1920 recebeu os trabalhadores da Estrada de Ferro Sorocabana transferidos de Mairinque-SP.
         O bairro de Vila Santana situa-se a poucos quilômetros a nordeste do centro de Sorocaba e, em linhas gerais, compreende a área situada entre a Rua Hermelino Matarazzo, Rua Aparecida, Rua Gonçalves Dias e Rua Silva Abreu. O centro desse bairro está localizado no entorno das ruas Bartolomeu de Gusmão, onde se encontra a Igreja de Santa Rita de Cássia, e Rua Olavo Bilac, onde há comércio mais intenso. Vila Santana praticamente sempre foi um bairro residencial, com muitos descendentes de italianos.
         Muitos trabalhadores da antiga Estrada de Ferro Sorocabana moram nesse bairro, bem como das antigas fábricas de tecelagem. O ponto de maior altitude do bairro situa-se nos altos da Rua Júlio Ribeiro. Nesta região também se encontra um reservatório de água do SAAE que abastece vários bairros. As escolas presentes no bairro são: Baltazar Fernandes, Genésio Machado, Centro Educacional Sesi 006, Colégio Integrado Véritas, e outras escolas particulares de educação infantil.
Fonte: http://www.omb100.com/sorocaba-alemlinha/historia 
  
Em Mairinque, SP


O prefeito Binho Merguizo e o diretor da unidade de formação profissional do Senai de Sorocaba, Jocilei Oliveira, e demais autoridades, assinaram o projeto de restauração da Estação Ferroviária de Mairinque e revitalização das edificações históricas, em um evento realizado no dia 05 de abril.
Esse projeto visa restaurar além da estação ferroviária, as casas antigas em torno dela, que se encontram, na região central da cidade, resgatando a identidade cultural e patrimonial do município.
A Estação Ferroviária de Mairinque é considerada Patrimônio Nacional pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), pelo seu avanço arquitetônico em relação à época que foi construída, como o uso do concreto armado, e com o acesso para os passageiros por baixo, sendo a construção em forma de ilha. Por anos a estação não recebeu a devida atenção e parte dela perdeu as características originais.
O professor Júlio Barros, restaurador e membro do Núcleo de Preservação do Patrimônio Histórico do SENAI-SP disse que “Mairinque está dando um passo à frente, restaurando e valorizando a estação ferroviária que um dia deu vida e contribuiu para o crescimento da cidade”.
Sua equipe já identificou pelo menos 200 casas que estão em torno da estação e já começaram a fazer a prospecção, conversando com moradores, recolhendo material para análise e identificando as características arquitetônicas que foram empregadas no período da construção.
Após esse levantamento, o projeto será apresentado e em seguida se iniciam as restaurações através das oficinas experimentais que serão realizadas pelos jovens e adolescentes que vivem na Casa da Criança, através do Projeto Técnico Pedagógico de Formação Profissional do SENAI-SP. Esses jovens serão treinados para pintar, rebocar, restaurar e assim todas as obras serão revitalizações. Os alunos terão ajuda de custo e no término receberão certificado profissional do SENAI-SP. Além do SENAI-SP, que formará a mão-de-obra local, o projeto conta ainda com o investimento do Sindicato da Construção Civil, Sinduscom.
O prefeito Binho Merguizo agradeceu a todas as pessoas que colaboraram para essa parceria e disse que “ao restaurarmos essa estação ferroviária e as edificações à sua volta, manteremos vivo o meio ambiente cultural dos cidadãos de Mairinque, pois a nossa cidade nasceu em volta da estação, cresceu por causa da estação, portanto vamos resgatar e cuidar do jeito mairinquense de ser”.
Para Jocilei de Oliveira, “A missão do Senai é preparar as pessoas para o mercado de trabalho em uma função que irá atender um segmento, nesse projeto em Mairinque, a profissão de restaurador para a construção civil, mas esse trabalho em especial nos dará orgulho, pois além de qualificar esses jovens sabemos da importância desse projeto para o resgate cultural de um patrimônio como este”, afirmou o presidente do Senai de Sorocaba.
A Secretaria Municipal de Educação, através do Departamento de Cultura representado pelo seu diretor Maurício Sérgio Dias, disse que “é uma honra estabelecer essa parceria de trabalho com o Senai, pois dessa forma teremos o resgate do nosso patrimônio arquitetônico e cultural tanto da estação ferroviária quanto o seu entorno, pois só assim manteremos a nossa verdadeira identidade cultural”.
Adriano Ruiz Secco, diretor do Senai de Alumínio e de Mairinque afirmou que “esse é o momento oportuno para Mairinque, onde ao mesmo tempo em que vai resgatar a cultura local irá qualificar os seus jovens para o mercado de trabalho”.
“Mais do que restauradores qualificados à disposição em nossa região, o projeto vai resgatar um patrimônio que estava abandonado, sem ter a merecida importância dentro do contexto da cidade”, falou o representante regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Fiesp, Elvio Luiz Lorieri, que também presenciou o evento.
O presidente Francisco Antonio de Camargo e o vice-presidente Ciro Gomes da Associação Mairinquense da Preservação Ferroviária (AMPF) também estiveram no evento e relataram que “essa restauração da estação é um reivindicação antiga da AMPF e nós que somos ex-ferroviários e através da associação fazemos de tudo para preservar a memória da estação ferroviária de Mairinque, ficamos felizes em ver esse sonho sendo realizado”.
Também participaram da assinatura a vice-prefeita Marly Moraes, o presidente da Associação das Indústrias de São Roque, Araçariguama, Alumínio Como tudo começou
e Mairinque (Aisam), Vinício César Pensa.
O surgimento de Mairinque está simbolizado pela inauguração, em 1875, da primeira estação ferroviária da cidade (construída totalmente em madeira), denominada de Estação “Manduzinho”, decorrente do entroncamento ferroviário entre as estradas de ferro Sorocabana e Ituana.
O primeiro assentamento humano na “Villa Mayrink”, data de 1890. Tratava-se de 100 casas, que seriam alugadas aos funcionários da Estrada de Ferro Sorocabana, enviados para a construção do pátio de manobras, das oficinas e da estação ferroviária. A “Vila Mayrink” foi fundada em 27 de outubro de 1890, pelo Conselheiro do Império e Engenheiro formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, Francisco de Paula Mayrink, que na época, estava à frente da Estrada de Ferro Sorocabana, o que explica o nome dado à cidade.”


 

OS FERROVIÁRIOS E O FUTEBOL



         Hoje outras modalidades esportivas estão muito difundidas em nosso país, no entanto no início e no decorrer do século passado havia um predomínio quase absoluto do futebol como a prática esportiva predileta dos homens e como não poderia deixar de ser dos ferroviários.
         Em muitas cidades servidas pela Estrada de Ferro Sorocabana  surgiram equipes de futebol de bom quilate técnico, disputando campeonatos da Federação Paulista de Futebol.
         Citarei algumas trazendo o nome de Ferroviária ou Ferroviário em suas gloriosas camisas, sendo que as vi jogar entre 1956 e meados da década de 1970. Vamos a elas: A.A. Ferroviária de Assis; Clube Atlético Ferroviário de Bernardino de Campos, A.A. Ferroviária de Botucatu, Estrada de Ferro Sorocabana FC de Sorocaba e Clube Atlético Sorocabana de Mairinque.
         A seguir, fotos ilustrativas dessas tradicionais agremiações esportivas que sempre honraram os nomes da E.F.S. e de suas respectivas cidades.




Estádio da AA Ferroviária de Assis

 Sala de Troféus do E.C. Ferroviário de
 Bernardino de Campos


Equipe da A.A. Ferroviária de Botucatu
(Final dos anos 50)

Estádio Dr. Rui Costa Rodrigues do Estrada
de Ferro Sorocabana F.C. de Sorocaba


 Equipe do Estrada de Ferro Sorocabana
 F.C. de Sorocaba (1962)


Equipe do Clube Atlético Sorocabana
de Mairinque (CASM) (Provavelmente de 1950)


 Equipe Master do CASM (2011)
(Foto de Claudio Ceretta)


Associação Esportiva Santacruzense


ACERVO FOTOGRÁFICO


Estação de Sorocaba


 Estação de Sorocaba (2)

 

Estação de Sorocaba (3)

 

Estação de Mairinque 

 

 Estação de Mairinque (2)


Estação de Mairinque (3)


Estação de Alumínio


Estação de São Roque


Estação Júlio Prestes (São Paulo)


Estação Júlio Prestes (São Paulo (2)


Trem Ouro Verde da E.F.S. na Estação Júlio Prestes

(São Paulo, SP)


Trem se passageiros "Ouro Branco" da E.F.S.

 

Vídeo - Trem de Passageiros da E.F.S.

 

Vídeo "Estação Saudade" - Estação de Iperó, SP

 

PREITO DE SAUDADE




No início desta postagem fiz menção de meu avô paterno Joaquim Antonio Ribeiro que atuou como vigia na expansão da Estrada de Ferro Sorocabana a partir de Ourinhos SP.
Nascido em 1886 no Município de Campos Novos Paulista, SP, foi agricultor antes e depois da jornada na E.F.S., falecendo em fins de 1962 na mesma cidade.


     

Já meu sogro Claudino Batista Marra, nascido em Itápolis, SP em 1906 e falecido em São Paulo, SP em 1968 foi telegrafista na Estrada de Ferro Araraquarense.  Fica aqui o registro da participação de ambos nas lides ferroviárias em nosso querido Estado de São Paulo. 

A construção da  Estrada de Ferro Araraquarense aconteceu em 12-08-1895 . As obras foram iniciadas em Araraquara e a inauguração aconteceu em 09-11-1896, chegando em Taquaritinga, SP.

Com a ampliação chegou  em 1906  em São José do Rio Preto, SP.

O objetivo inicial daquela ferrovia foi o escoamento do café e foram os produtores que tiveram a iniciativa de pleitear sua construção.

 

  CONCLUSÃO

 

         Espero ter reunido informações suficientes para as pessoas mais novas  que não tiveram contato mais estreito com a Estrada de Ferro Sorocabana, seus trens e seus operosos trabalhadores
         Quem tiver sugestões e fotos para melhorar este trabalho poderá enviá-las por mensagem inbox no Facebook ou pelo e-mail: prebwilson@hotmail.com
         Hoje, com estações desativadas e inexistência de transporte de passageiros, a Ferroban, sucessora da FEPASA, como as demais ferrovias brasileiras operam no transporte de cargas.
         No entanto na mente de cada um de nós, que trabalhou ou que desfrutou do transporte ferroviário, fica a doce lembrança de um tempo que se foi e que certamente não voltará mais.

CONCLUSÃO

         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.

        Portanto, se você tiver qualquer contribuição a fazer, poderá entrar em contato comigo através do e-mail indicado no final desta publicação, ou por mensagem no Facebook.


SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM

Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, pedagogo e historiador diletante. 
É presbítero em exercício da Igreja Presbiteriana do Brasil, servindo atualmente na Igreja Presbiteriana Rocha Eterna de Sorocaba.
E-mail: prebwilson@hotmail.com

Informação recebida por e-mail:

Sr. Wilson:
                                       Encontrei por acaso a história da Sorocabana que o Sr. escreveu, porém, faltou algo.
Provavelmente o Senhor não sabe, mas a E.F.S., por imposição do Governador Ademar de Barros, administrava a Cia. de Navegação Fluvial Sul Paulista, na qual meu pai trabalhou, e onde se aposentou, e todos os trabalhadores da referida companhia, eram funcionários da Estrada de Ferro Sorocabana. A Cia. de Navegação Fluvial Sul Paulista fazia transporte de cargas e passageiros na região do Vale do Ribeira, e também tinha a linha Iguape/SP-Paranaguá/PR. Segue uma foto de uma das lanchas da Sorocabana com o logotipo EFS afixado na embarcação.
                                                                                                                                                                        Abraço.
                                                                                                                                                         Reinaldo R. de Lima


 

6 comentários:

  1. Ah, sobre as equipes oriundas do ciclo das EFS, faltou citar a AES - Associação Esportiva Santacruzense, de Santa Cruz do Rio Pardo, a qual tem como simbolo uma Locomotiva, referência explícita à época do auge ferroviário!
    Abraços e parabéns pelo blog!

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  2. Olá Sr. João Neto: Quanto ao seu comentário, devo informar que morei com minha família em Santa Cruz do Rio Pardo de 1951 a 1955 e, mesmo muito novo, fui torcedor da Esportiva, até porque meu tio Danilo (Alicio Batista Rosa) jogou no tricolor. Quanto à origem ferroviária do clube, confesso que desconhecia, mas será com prazer que vou inserir na postagem. Convido o sr. a ler minha postagem sobre Santa Cruz, pois outro tio, Genésio, jogava no rival Atlético (campo lá na beira do Rio Pardo). O link é: http://wilson-ribeiro.blogspot.com.br/2015/05/santa-cruz-do-rio-pardo-historia.html

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  3. Wilson ?
    Qual seria a história da Locomotiva 10 sabe de algo ?

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  4. Boa noite Carlão: Obrigado pela visualização e pelo comentário. Não sei responder tua pergunta. Abraço.

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  5. Boa noite, gostaria de saber como acessar a relação dos funcionarios antigos ,para saber se meu bisavo foi funcionario , escutei muitas historias pelo meu avo, e gostaria de repassa-la para meus netos.

    silvana bonini

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  6. Boa noite Silvana: Obrigado por visualizar minha postagem. Sugiro que você se dirija à esta instituição, pois eu não tenho como te ajudar a não ser desta maneira. Obrigado.
    Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana
    R. Dr. Arlíndo Luz, 148 - Jardim Santa Rosália, Sorocaba - SP, 18095-050
    Horário:







    Telefone: (15) 3233-5544

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