sábado, 10 de outubro de 2015

MAIRINQUE - JOAQUINLÃO, DOCE LEMBRANÇA DE UM POVO

APRESENTAÇÃO

        Morando em Alumínio, tive de ir à Mairinque tratar de assunto relativo à minha dispensa do Serviço Militar, isto no início da década de 1960.
        Estava sentado em um banco na praça pública quando de repente se aproximou um senhor alto, forte, cabeça raspada, camisa xadrez com colarinho abotoado e a cinta lá pelo meio da barriga. Olhei-o surpreso e então ele me disse: “Me dá um dinheiro.”
        Uma pessoa, vendo meu espanto se aproximou e explicou-me que aquela pessoa tinha aquele costume por problemas mentais e que era muito bondosa, “não fazendo mal a ninguém”. Em seguida disse-me que o nome daquele homem era Joaquinlão.
        Vi-o novamente em algumas ocasiões que estive em Mairinque, porém quando fui de mudança para lá em 1980 Joaquinlão havia morrido no ano anterior. Depois fiquei conhecendo a história de vida desse personagem, o qual anos depois se tornou nome de rua, justamente no Jardim Cruzeiro, onde eu me estabeleci com minha família.
        Em outubro de 1984 a editora Momento (Empresa de Propaganda e Promoções de Mairinque) fez uma publicação que recebeu o nome de “Mairinque 94 anos – Edição Comemorativa” e nas páginas 15 e 16 estampou matéria versando sobre Joaquinlão, inclusive com uma foto dele.
        É esse belíssimo texto que transcrevemos em seguida, com pequenas adequações:
Em 1908, nasce em Santa Rita (hoje Alumínio) numa vila bem pequena, um menino forte, bonito, sadio e filho de mãe solteira: Joaquim de Oliveira – o “Joaquinlão”.
Cresceu, foi morar com a mãe junto de seu padrasto, carroceiro, onde passou a trabalhar, ajudando-o no sítio onde morava.
O Joaquinlão começou a existir, durante um dia de trabalho, onde foi agredido pelo seu padrasto com o cabo de um relho, em sua cabeça aos sete anos de idade. A partir daí, cresceu com a mente infantil. Ele tinha três irmãos: Valentina, Cássio e Luzia, que moram em Sorocaba. 
Quando o padrasto deixou sua mãe, Joaquinlão passou a morar só com ela, ainda em Santa Rita, onde fazia todo serviço de roça: apanhava mandioca, dava comida aos porcos, buscava milho, apanhava lenha.
Após a morte de sua mãe, foi morar com a tia que era casada com Iturino Alves, na época capelão de Santa Luzia e Santa Cruz, daí sua ligação com a igreja.
Sempre prestou serviços, devido à sua forte estrutura, e geralmente os serviços eram pesados. Chegava a transportar enormes feixes de lenha de uns 60 quilos ou mais.
Joaquinlão veio para Mairinque em 1937 com 29 anos e passou a morar num quartinho: do seu “Abel, pai da Glória do Bicharedo” – era assim que chamava.
Mas não deixou de dar suas caminhadas à pé até Alumínio. Chegava na casa de dona Brasilina e sempre pedia um pouco de comida, pão, café e perguntava de Elvira, a quem tinha muita afeição: “E Ervira, tai”? “Ela gosta de mim?”
Essa figura lendária tinha muitos hábitos, os quais ficaram bem marcados em toda a população. Devido a sua força e o prazer em ajudar as pessoas, não medias esforços para trabalhar. Ia sempre no Zaparolli descarregar farinha de trigo do caminhão, depois recebia em troca sanduíches de mortadela e queijo.
Gostava de buscar lenha no eucalipto do Horto e trazer para a Glória do Augusto, para a Helena do Joaquim e outros.
Joaquinlão teve muita ligação com D. Abade que o alimentava, vestia-o e dava uma atenção especial a ele, que participava de todos os eventos religiosos: ia à Missa com freqüência, rezava no “Domingo de Mês”, guardava enterros, rezava ladainhas.
Gostava muito da Dona Olga, do Padre Zezinho, do Padre Antonio e do Padre Bóris. Outros costumes muito conhecidos do Joaquinlão era o de ir ao bar da estação, tomar café com sanduíche, sendo na época dona do bar a dona Preciosa. Depois esperava o trem passar, pedia dinheiro e colocava embaixo do santo da igreja.
Conviveu também com a família de Dona Aidil, onde conta um de seus filhos (Paulo César), que até 1971 Joaquinlão nunca tinha andado de automóvel. E num domingo, depois do bailinho da SRM, muita chuva, Joaquinlão com os pés de reumatismo, foi convidado por Paulo a subir em seu fusca para abrigá-lo da chuva. Joaquim entrou de cabeça pela porta ficando entalado. Teve de sair em seguida para que Paulo o ensinasse e o ajudasse a entrar no carro.
Outros costumes de Joaquinlão: Falar uma série de nomes de cidades, repetindo-as, só não repetindo os nomes de Boston e de Chicago porque “eram nomes feios”. Só fumava esporadicamente charutos e quando era advertido ou recriminado ele dizia que o Dom Abade deixava ele fumar.
Certa ocasião ganhou uma dentadura feita e ofertada pelo Dr. Geraldo Amaral, a qual Joaquinlão lavava-a na fonte. O Sr. Mauro Pereira foi muito prestativo com Joaquinlão e chegou a fazer umas modificações no porão da sua oficina, na qual ele passou a morar (Oficina do Pernambuco). Para que Joaquim tivesse melhores acomodações, levantou o teto e colocou porta com fechadura para maior proteção. Sempre que o Sr. Mauro perguntava se ele havia guardado bem a chave ele respondia: ”A chave ta guardada no lenço.” 
Quando começaram a obras de construção do cinema, Joaquinlão passou a se abrigar naquele local, apesar de muitos insistirem para que ele saísse de lá e fosse para o asilo.
Aquela criança forte, dos pulinhos, da risada alta, foi perdendo sua vitalidade e aos 75 anos passou a morar no asilo e quando perguntavam se ele tinha medo de morrer, respondia: “Não; eu vou ficá pra semente”.

E foi o que aconteceu. Ficou mesmo para semente e mesmo depois de sua morte em l0-09-1979, ainda podemos ver aquela enorme figura correndo pelas ruas da cidade, gritando, cantando, rindo. Algumas de suas músicas: “O ralho do alfaiate- todo o dia a me cobrar – sou pobre, não tenho dinheiro – com que ralho eu vou pagar?/Fui na casa do pai da noiva para saber do meu noivado-o sapato era de vidro – a biqueira de olhado – foi descer uma ladeira – o salto virou de um lado/Ela tinha olho de vidro – também perna de pau – era seca não tinha bunda – parecia um bacalhau”/”Oh Carmem! oh Carmelita! – morena tão bonita – oh linda espanhola! Espanhola de Madri/ quando passa – pela rua – gritam o Valdomil – oh linda espanhola! – espanhola do Brasil”/”Bandeira vermelha – é sinal de guerra – barulho no céu – tristeza na terra/ Encontrei com o Lot – na beira da praia – com as armas na mão – para vencer a batalha/Eu vi, eu vi, eu vi – a morena no jardim – eu vi, eu vi, eu vi – a morena no jardim.    

ACERVO FOTOGRÁFICO (Fotos de algumas pessoas,  lugares e objetos citados na matéria).


Joaquim de Oliveira, o
 Joaquinlão



Alumínio, localidade onde ele nasceu



Carroça antiga



Relho -c abo de madeira e couro trançado -
usado pelos carroceiros



Padre José Yao
(Padre Zezinho)



Padre Antonio Liu



Luiz Zaparolli
(dono de padaria)



Dr. Geraldo Pinto Amaral
(Dentista)



Igreja Matriz de São José (Mairinque)



Bar da Estação (Mairinque)



Cinema Mk (onde Joaquim se acomodava
quando dos primeiros tempos da construção)



 Asilo em Mairinque - onde ele morou



Mapa de Mairinque, com indicação da 
Rua Joaquim de Oliveira



Notícia na Internet informando que a Secretaria Municipal de Educação
de Mairinque se mudou para a Rua Joaquim de Oliveira no Jardim Cruzeiro.



Edição Comemorativa Mairinque 
94 anos

CONCLUSÃO

         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.
        Portanto, se você tiver qualquer contribuição a fazer, poderá entrar em contato comigo através do e-mail indicado no final desta publicação


SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, pedagogo e historiador diletante. 
É presbítero em exercício da Igreja Presbiteriana do Brasil, servindo atualmente na Igreja Presbiteriana Rocha Eterna de Sorocaba.
E-mail: prebwilson@hotmail.com

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O CIDADÃO DE MAIRINQUE QUE FOI CONHECER A TERRA SANTA E LÁ FICOU SEPULTADO

APRESENTAÇÃO

         Apesar do nome um tanto chamativo desta postagem, ela é bastante breve no seu conteúdo, mesmo porque não dispomos de muitos dados sobre o personagem, além daqueles que estaremos transcrevendo.
         As informações sobre a pessoa ora focalizada fizeram parte da série de biografias constantes do livro publicado em março de 1984 pelo jornalista mairinquense João Roberto Pinto Figueiredo, mais conhecido como Pelica. Seu livro recebeu o sugestivo nome “Caminhos Percorridos” e foi editado por MK Notícias, que publicava um jornal de periodicidade semanal muito lido pelos mairinquenses.
         Esse profissional da imprensa fez preciosa pesquisa para publicar em sua obra e, de forma muito gentil, cedeu o conteúdo do seu trabalho para publicarmos na postagem denominada “Pequena História do Município de Mairinque” que é uma das mais visualizadas em nosso blog na Internet, o Blog do Ribeiro.
         Apesar da brevidade da narrativa, seu conteúdo nos traz uma lição, mostrando o intenso desejo de um homem, de conhecer a chamada “Terra Santa” e mais precisamente o lugar onde se supõe que Jesus Cristo foi sepultado mas logo após realizar o acalentado sonho ele morreu, ficando sepultado lá mesmo, no lugar onde tanto quis conhecer.
         Deixemos que a narrativa nos conte o que aconteceu com João Luccas Ferreira, que foi tabelião e vereador no município de Mairinque, SP:

OS FATOS

Nascido em Sete Barras, SP em 08-01-1899 veio para Mairinque como Tabelião.
Principais atividades: Como Tabelião trabalhou pela ampliação da área do Distrito de Mairinque e pela instalação do Distrito de Paz. Elegeu-se Vereador à Câmara Municipal do Município nas eleições de 1959 e deu posse como Presidente da Câmara Municipal ao primeiro prefeito eleito do novo município Arganauto Ortolani em 1960.
Não concluiu seu mandato como Vereador visto ter se mudado para São Vicente após sua aposentadoria, cabendo ao 1º suplente Olivardo Ventura de Campos substituí-lo.
Faleceu em Jerusalém em 27-09-1973 quando participava de uma    excursão à Terra Santa e lá foi sepultado..”.



ACERVO FOTOGRÁFICO



João Luccas Ferreira



Arganauto Ortolani


Jornal MK Cidade


Sete Barras, SP - cidade natal de
João Luccas Ferreira


Mairinque, SP, onde exerceu funções
públicas de destaque


São Vicente, SP, onde foi residir
após a aposentadoria


Jerusalém, onde está sepultado


Fonte: Internet


CONCLUSÃO

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Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, pedagogo e historiador diletante. 
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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

JOQUEBEDE, A MÃE DE MOISÉS

APRESENTAÇÃO

        
Dando prosseguimento à publicação da série “Mulheres da Bíblia”, nossa focalizada de hoje é Joquebede, a descendente da tribo de Levi e mãe do menino Moisés, o qual veio a ser o libertador de seu povo da escravidão no Egito, conduzindo-o à Terra Prometida através de épica caminhada de quarenta anos pelo deserto.
         Trata-se de uma narrativa tão linda que já foi transformada em filmes e minissérie de TV., sempre alcançando grande sucesso de público.
         Dentre os vários estudos disponíveis na internet, optamos por este, que transcrevemos a seguir. Boa visualização!

A NARRATIVA

Uma das histórias mais populares da Bíblia é a história de Moisés, porém toda a sua trajetória vitoriosa começou com um detalhe que, na maioria das vezes, passa despercebido: Joquebede, sua mãe.
Moisés nasceu num período histórico em que o Egito estava bem preocupado com a superpopulação dos escravos hebreus. Quando Jacó entrou nas terras de Faraó todas as vidas que o acompanharam foram setenta pessoas, passados quase quatrocentos anos, já havia cerca de um milhão de vidas hebréias, provavelmente bem mais gente que os legítimos possuidores das terras.
Foi aí que Faraó teve uma idéia macabra: mandou que as parteiras egípcias matassem todos os meninos nascidos das escravas hebréias. Era proibido deixar crescer os meninos hebreus. A crueldade de Faraó visava controlar a população hebréia em suas terras, porque logo aqueles meninos se tornariam uma quantidade incontrolável de escravos e um problema de difícil solução para ele.
Um dia um homem da casa de Levi se casou com uma filha de Levi chamada Joquebede e ela concebeu e deu à luz um filho. A regra era clara: o menino deveria morrer, mas Joquebede viu que o menino era belíssimo e resolveu escondê-lo por três meses. Joquebede sabia dos riscos que corria, mas não teve coragem de matar seu bebê.
Depois de três meses, estava ficando cada dia mais difícil esconder o garoto, foi então que Joquebede teve uma ideia genial e o texto bíblico diz que ela tomou uma arca de juncos, a revestiu com barro e betume, pôs nela o bebê e colocou o cestinho nos juncos às margens do rio Nilo. O resto da história você conhece: a filha de Faraó mandou suas escravas pegarem o cesto de juncos, adotou o menino hebreu e Moisés foi criado como filho da filha de Faraó.
Joquebede é um tipo de todas as mães do mundo, aquelas mulheres que sustentam seus filhos com um amor incondicional, que doam a vida e se for preciso, entregam a própria vida para salvar seus filhos. Joquebede podia ter morrido por não cumprir a ordem de Faraó, mas ela só não queria perder o seu lindo bebê e foi além, descobriu que a filha de Faraó era estéril, soube o horário do dia em que a princesa descia às águas do Nilo para banhar e armou a cena do cestinho de vime enroscado nas hastes dos juncos na beira do rio.
As mães sempre encontram uma solução para os mais diversos problemas de seus filhos. Sempre existe um cesto de vime e hastes de juncos na “manga” das mães. O amor de mãe é tão belo que Deus escolheu uma mãe para Seu Filho Amado. Jesus nasceu de uma bela virgem hebréia.
Exemplos de mães que honram o título estão por toda a Bíblia e em todas as cidades, aldeias e povoados do mundo inteiro, mas afinal, o que é o amor incondicional que nasce no coração das mães? É parte do amor de Deus pelo homem, é uma “amostra grátis” do grande e infinito amor de Jesus por cada um de nós.
Quando Deus quis nos transmitir o tamanho de Seu amor por nós, Ele disse: “Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti." (Isaías 49:15).
O resultado desse amor incondicional e eterno foi a vinda de Jesus ao mundo com o único propósito de nos salvar de nossos pecados. Só tem um problemão: a maioria das pessoas não valoriza o infinito amor de Jesus e perde as oportunidades de salvação que Ele prepara diariamente para suas vidas. Não é uma boa ideia a salvação em Jesus. É a melhor coisa que pode nos acontecer e tem o condão de mudar nossa sorte, tanto neste mundo, quanto na vida eterna.


Fonte: http://sombradoonipotente.blogspot.com.br/2014/05/joquebede-mae-de-moises.html


CONCLUSÃO

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SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, pedagogo e historiador diletante. 
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ESTER, A RAINHA QUE SALVOU SEU POVO

 O estudo que estamos apresentando hoje está baseado no livro de Ester e discorre sobre a rainha de mesmo nome, a qual, com sua atuação, salvou seu povo do extermínio em terra estrangeira.
Embora o texto nos traga uma história bastante conhecida e até mesmo transformada em filmes e séries de TV, achamos por bem transcrevê-la aqui pois sempre haverá alguma coisa que possamos aprender com essa mulher, uma das mais admiráveis personagens do Velho.Testamento.
Vamos ao estudo que, como os demais recentemente apresentados, foi selecionado entre os diversos existentes na Internet:


"INTRODUÇÃO

A história da rainha Ester ocorreu no Palácio de Susã, em Elão, que era uma das três capitais do império persa. Ela viveu num tempo de grande perigo, pois seu povo, os israelitas, estava no exílio, após a destruição da cidade de Jerusalém (cf. 2Rs 24.18-25.30; 2Cr 36.11.23) pela Babilônia, que logo foi substituída pela Pérsia. O seu império estendia-se da Índia à Etiópia (1.1), compreendendo a região em que hoje se situam o Irã, o Iraque, o Líbano, Israel, Jordânia, Egito, Turquia e partes da Grécia, Bálcãs, Rússia, Afeganistão e Paquistão. A ação do livro passa-se em torno de 483 a.C., no tempo da deposição da rainha Vasti, pelo rei Assuero. O nome de Deus não é mencionado: uma possibilidade pode ter a ver com o nível de assimilação da sociedade judaica que permaneceu no centro do império persa – isso enfatiza que a salvação da comunidade da aliança vem, inteiramente, de Deus. Nesse sentido, o livro de Ester lembra muito outro livro bíblico, o livro de Êxodo. O tema do cativeiro e da libertação é comum a ambos. Por outro lado, outra explicação, na verdade, implicação, para o silêncio quanto ao uso do nome de Deus, é que a linguagem do culto não precisa nem deve ser usada nas esferas políticas.
Uma breve análise do livro nos ajuda a nos situar. No capítulo 1, o palco é armado. Segundo Heródoto, o provável contexto é uma reunião para considerar uma campanha contra a Grécia. É descrito o esplendor persa (1.1-9), o desafio de Vasti, cansada de ser usada como mulher-objeto, ao rei (1.10-12) e a vingança do rei (1.13-22). No capítulo 2, Ester é escolhida como rainha. Um concurso de beleza é planejado (2.1-4), Ester é apresentada (2.5-11) e é escolhida rainha (2.12-18). Mordecai, descendente de Saul, tio de Ester, descobre uma conspiração (2.19-23). No capítulo 3, Hamã buscou vingar-se dos judeus, porque Mordecai se recusou a se prostrar diante dele (3.2; cf. Dn 3.1-30). “Essa recusa era uma obediência silenciosa ao primeiro mandamento” (Peterson). Hamã era descendente de Agague, da tribo de Amaleque (cf. 1Samuel 15). Ele é promovido (3.1-6), sortes são lançadas para decidir o destino dos judeus (3.7-11) e um édito de extermínio é publicado (3.12-15).
Recomendo o estudo destes capítulos para que você fique por dentro do que vai acontecer, e chamo sua atenção especialmente para o capítulo 4.13-17. Depois de uma angustiada exortação de Mordecai, Ester toma a frente da situação: “Então, lhes disse Mordecai que respondessem a Ester: Não imagines que, por estares na casa do rei, só tu escaparás entre todos os judeus. Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha? Então, disse Ester que respondessem a Mordecai: Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci. Então, se foi Mordecai e tudo fez segundo Ester lhe havia ordenado.”

FRENTE A UMA GRANDE ANGÚSTIA

Os adversários dos judeus, liderados pelo perverso Hamã, buscavam aniquilar o povo de Deus. Ele era um ateu prático, e buscava o poder apenas para atingir seus objetivos (3.8). Ele não suportava nenhuma oposição e se lança numa vingança completamente fora de proporção com o agravo recebido (3.2-6). Ele cria que podia controlar a história, mas os acontecimentos provaram que não, pois o livro traz nas entrelinhas a convicção de que Deus reina. A exortação de Mordecai a Ester (4.14) demonstra que ambos estavam cônscios da providência de Deus: “Não imagines que, por estares na casa do rei, só tu escaparás entre todos os judeus. Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?”. Como resume o Breve Catecismo, “as obras da providência de Deus são a sua maneira muito santa, sábia e poderosa de preservar e governar todas as suas criaturas, e todas as ações delas”.
Frente a um grande problema, esta era a convicção de Mordecai: o Altíssimo, que controla todos os eventos (Sl 145.17; Sl 104.24; Hb 1.4; Mt 10.29,30; Sl 103.19; Jó 38-41) tinha levantado Ester como Seu instrumento para a salvação de Seu povo. Nestes tempos difíceis que temos vivido, quando o julgamento de Deus se manifesta sobre nossa cultura (cf. Rm 1.18-32), entendemos que Deus tem nos levantado como instrumentos de sua providência para testemunho em todas as esferas da vida, tais como na família, no trabalho, na escola, em ação social e política na igreja? E que tipo de servos temos sido? Servos confiantes na ação de Deus? Servos dependentes da sabedoria da comunidade da aliança, como Ester? Servos silenciosos e humildes como Mordecai?

O CORAÇÃO DE ESTER

A resposta de Ester (4.16) revela uma espiritualidade fervorosa, uma verdadeira confissão de fé: “Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei”. Ela demonstrou apreensão, mas suplicou o sustento e a comunhão de outras pessoas, testemunhando uma grande dependência de Deus, mais do que da coragem humana. Mesmo que a oração não seja mencionada, ela sempre acompanhava o jejum, pois o objetivo desta era disciplinar a experiência de oração (Ex 34.28; Dt 9.9; Jz 20.26; Ed 8.21.23). Os três dias de jejum indicam vividamente a seriedade da situação!
Nestas palavras vemos a paixão de Ester por Deus, e em como ela correspondeu à situação: Uma espiritualidade disciplinada, centrada no Deus vivo. Como temos guardado nosso coração em meio a nossa peregrinação (1Pe 1.1)? Temos valorizado o estudo e meditado na Palavra de Deus? Gastamos tempo na oração em secreto e dependemos da comunhão dos santos? Estes são os meios que Deus nos deu para termos um coração como o de Ester.

TESTEMUNHANDO PERANTE O REI

“Se eu perecer, pereci” (4.16). Se estas palavras de Ester parecem muito dramáticas, é porque não conhecemos o testemunho de servos de Deus como Atanásio (299-373) e Martinho Lutero (1483-1546). Ela entendeu que sua função pública era para glória de Deus e para benefício de Seu povo, não para proveito próprio. Lutero, certa vez, disse: “Ainda que o seu trabalho seja o de um lavador de pratos ou de um menino que cuida do estábulo, a sua vocação é divinamente indicada, tão sagrada quanto a de qualquer pastor ou oficial da igreja.” O reformador estava tão somente ilustrando a doutrina bíblica que mostra a santidade de todas as vocações legítimas, e Ester entendeu que Deus, em Sua providência, a levantou para, como rainha, que estava em um centro de decisões políticas, defender o povo eleito. Como temos glorificado a Deus com nossas vocações? Entendemos, como Ester, que é Ele quem nos chama para sermos sal e luz (cf. Mt 5.13.16) para influenciar a sociedade que vivemos, e trazer o céu para a terra?

CONCLUSÃO

A partir desse diálogo dramático, o resto é história, como se diz. Ester se apresenta diante do rei, com risco de vida (5.1-8); Ainda que Hamã faça planos para enforcar Mordecai (5.9-14), aquele é humilhado, enquanto esse é exaltado (6.1-13). Em seus sonhos de glória pessoal, Hamã revela o que ele realmente queria: aclamação e adulação públicas. Por fim, Hamã é executado (6.14-7.10), o livramento dos judeus é planejado (8.1-17) e executado (9.1-15). Inclusive “muitos… se fizeram  judeus” (8.17), conversão essa que assinala o clímax da história. Quais foram os resultados da atuação de Ester, comprometida que estava com o Senhor? 1) Deus mudou a história e abençoou seu povo (9.25 e 10.2); 2) produziu-se libertação e alegria na comunidade de fé (9.19); 3) surgiu uma sociedade marcada por igualdade e justiça (9.19,22); 4) Deus exaltou seus servos fiéis (10.2); 5) Deus transformou um símbolo do mal em símbolo eterno de Sua providência, para ser festejado para sempre (9.26).
No fim, por causa da fidelidade de Ester e Mordecai, o povo da aliança foi preservado. E o que garantiu a sobrevivência dessa comunidade no estrangeiro não foi sua pureza espiritual nem sua piedade moral, mas a graça de Deus. E da salvação desse povo viria o Salvador, Cristo Jesus, que morreu e ressuscitou por causa de nossos pecados. E por meio do Salvador a igreja cristã veio a existir.
“Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso. Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos.” (Ap 19.6-8)
Que Deus levante em nossos dias mais servos como Ester e Mordecai!"




CONCLUSÃO

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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O PERÍODO INTERTESTAMENTÁRIO

APRESENTAÇÃO

        
Neste trabalho estamos transcrevendo material que selecionamos na internet sobre um assunto pouco conhecido pela maioria das pessoas que têm convivência com a Bíblia Sagrada. Trata-se do período de quatrocentos anos decorridos entre o fim das narrativas do Velho Testamento (Malaquias) e o início do Novo Testamento (Mateus).
         Esse lapso de tempo é conhecido como Período Intertestamentário ou Período Interbíblico. Foi um período muito triste para o povo judeu, quando nenhum profeta falou da parte de Deus ao povo que Ele escolheu para servi-Lo.Vamos ao texto:


I. Desenvolvimento Político
A Expressão “400 anos de silêncio”, freqüentemente empregada para descrever o período entre os últimos eventos do A.T. e o começo dos acontecimentos do N.T. não é correta nem apropriada. Embora nenhum profeta inspirado se tivesse erguido em Israel durante aquele período, e o A.T. já estivesse completo aos olhos dos judeus, certos acontecimentos ocorreram que deram ao judaísmo posterior sua ideologia própria e, providencialmente, prepararam o caminho para a vinda de Cristo e a proclamação do Seu evangelho.
Supremacia Persa
Por cerca de um século depois da época de Neemias, o império Persa exerceu controle sobre a Judéia. O período foi relativamente tranqüilo, pois os persas permitiam aos judeus o livre exercício de suas instituições religiosas. A Judéia era dirigida pelo sumo sacerdotes, que prestavam contas ao governo persa, fato que, ao mesmo tempo, permitiu aos judeus uma boa medida de autonomia e rebaixou o sacerdócio a uma função política. Inveja, intriga e até mesmo assassinato tiveram seu papel nas disputas pela honra de ocupar o sumo sacerdócio. Joanã, filho de Joiada (Ne 12.22), é conhecido por ter assassinado o próprio irmão, Josué, no recinto do templo.
A Pérsia e o Egito envolveram-se em constantes conflitos durante este período, e a Judéia, situada entre os dois impérios, não podia escapar ao envolvimento. Durante o reino de Artaxerxes III muitos judeus engajaram-se numa rebelião contra a Pérsia. Foram deportados para Babilônia e para as margens do mar Cáspio.
Alexandre, o Grande
Em seguida à derrota dos exércitos persas na Ásia Menor (333 AC), Alexandre marchou para a Síria e Palestina. Depois de ferrenha resistência, Tiro foi conquistada e Alexandre deslocou-se pra o sul, em direção ao Egito. Diz a lenda que quando Alexandre se aproximava de Jerusalém o sumo sacerdote Jadua foi ao seu encontro e lhe mostrou as profecias de Daniel, segundo as quais o exército grego seria vitorioso (Dn 8). Essa narrativa não é levada a sério pelos historiadores, mas é fato que Alexandre tratou singularmente bem aos judeus. Ele lhes permitiu observarem suas leis, isentou-os de impostos durante os anos sabáticos e, quando construiu Alexandria no Egito (331 AC), estimulou os judeus a se estabelecerem ali e deu-lhes privilégios comparáveis aos seus súditos gregos.
A Judéia sob os Ptolomeus
Depois da morte de Alexandre (323 AC), a Judéia, ficou sujeita, por algum tempo a Antígono, um dos generais de Alexandre que controlava parte da Ásia Menor. Subseqüentemente, caiu sob o controle de outro general, Ptolomeu I (que havia então dominado o Egito), cognominado Soter, o Libertador, o qual capturou Jerusalém num dia de sábado em 320 AC Ptolomeu foi bondoso para com os judeus. Muitos deles se radicaram em Alexandria, que continuou a ser um importante centro da cultura e pensamento judaicos por vários séculos. No governo de Ptolomeu II (Filadelfo) os judeus de Alexandria começaram a traduzir a sua Lei, i.e., o Pentateuco, para o grego. Esta tradução seria posteriormente conhecida como a Septuaginta, a partir da lenda de que seus setenta (mais exatamente 72 - seis de cada tribo) tradutores foram sobrenaturalmente inspirados para produzir uma tradução infalível. Nos subseqüentes todo o Antigo Testamento foi incluído na Septuaginta.
A Judéia sob os Selêucidas
Depois de aproximadamente um século de vida dos judeus sob o domínio dos Ptolomeus, Antíoco III (o Grande) da Síria conquistou a Síria e a Palestina aos Ptomeus do Egito (198 AC). Os governantes sírios eram chamados selêucidas porque seu reino, construído sobre os escombros do império de Alexandre, fora fundado por Seleuco I (Nicator).
Durante os primeiros anos de domínio sírio, os selêucidas permitiram que o sumo sacerdote continuasse a governar os judeus de acordo com suas leis. Todavia, surgiram conflitos entre o partido helenista e os judeus ortodoxo. Antíoco IV (Epifânio) aliou-se ao partido helenista e indicou para o sacerdócio um homem que mudara seu nome de Josué para Jasom e que estimulava o culto a Hércules de Tiro. Jasom, todavia, foi substituído depois de dois anos por uma rebelde chamado Menaém (cujo nome grego era Menelau). Quando partidários de Jasom entraram em luta com os de Menelau, Antíoco marcho contra Jerusalém, saqueou o templo e matou muitos judeus (170 AC). As liberdades civis e religiosas foram suspensas, os sacrifícios diários forma proibidos e um altar a Júpiter foi erigido sobre o altar do holocausto. Cópias das Escrituras foram queimadas e os judeus foram forçadas a comer carne de porco, o que era proibido pela Lei. Uma porca foi oferecida sobre ao altar do holocausto para ofender ainda mais a consciência religiosa dos judeus.

Os Macabeus
Não demorou muito para que os judeus oprimidos encontrassem um líder para sua causa. Quando os emissários de Antíoco chegaram à vila de Modina, cerca de 24 quilômetros a oeste de Jerusalém, esperavam que o velho sacerdote, Matatias, desse bom exemplo perante o seu povo, oferecendo um sacrifício pagão. Ele, porém, além de recusar-se a fazê-lo, matou um judeu apóstata junto ao altar e o oficial sírio que presidia a cerimonia. Matatias fugiu para a região montanhosa da Judéia e, com a ajuda de seus filhos, empreendeu uma luta de guerrilhas contra os sírios. Embora os velho sacerdote não tenha vivido para ver seu povo liberto do jugo sírio, deixou a seus filhos o término da tarefa. Judas, cognominado “o Macabeu”, assumiu a liderança depois da morte do pai. Por volta de 164 AC Judas havia reconquistado Jerusalém, purificado o templo e reinstituído os sacrifícios diários. Pouco depois das vitórias de Judas, Antíoco morreu na Pérsia. Entretanto, as lutas entre os Macabeus e os reis selêucidas continuaram por quase vinte anos.
Aristóbulo I foi o primeiro dos governantes Macabeus a assumir o título de “Rei dos Judeus”. Depois de um breve reinado, foi substituído pelo tirânico Alexandre Janeu, que, por sua vez, deixou o reino para sua mãe, Alexandra. O reinado de Alexandra foi relativamente pacífico. Com a sua morte, um filho mais novo, Aristóbulo II, desapossou seu irmão mais velho. A essa altura, Antípater, governador da Iduméia, assumiu o partido de Hircano, e surgiu a ameaça de guerra civil. Conseqüentemente, Roma entrou em cena e Pompeu marchou sobre a Judéia com as suas legiões, buscando um acerto entre as partes e o melhor interesse de Roma. Aristóbulo II tentou defender Jerusalém do ataque de Pompeu, mas os romanos tomaram a cidade e penetraram até o Santo dos Santos. Pompeu, todavia, não tocou nos tesouros do templo.
Roma
Marco Antônio apoiou a causa de Hircano. Depois do assassinato de Júlio Cesar e da morte de Antípater (pai de Herodes), que por vinte anos fora o verdadeiro governante da Judéia, Antígono, o segundo filho de Aristóbulo, tentou apossar-se do trono. Por algum tempo chegou a reina em Jerusalém, mas Herodes, filho de Antípater, regressou de Roma e tornou-se rei dos judeus com apoio de Roma. Seu casamento com Mariamne, neta de Hircano, ofereceu um elo com os governantes Macabeus.
Herodes foi um dos mais cruéis governantes de todos os tempos. Assassinou o venerável Hircano (31 AC) e mandou matar sua própria esposa Mariamne e seus dois filhos. No seu leito de morte, ordenou a execução de Antípater, seu filho com outra esposa. Nas Escrituras, Herodes é conhecido como o rei que ordenou a morte dos meninos em Belém por temer o Rival que nascera para ser Rei dos Judeus.
II. Grupos Religiosos dos Judeus
Quando, seguindo-se à conquista de Alexandre, o helenismo mudou a mentalidade do Oriente Médio, alguns judeus se apegaram ainda mais tenazmente do que antes à fé de seus pais, ao passo que outros se dispuseram a adaptar seu pensamento às novas idéias que emanavam da Grécia. Por fim, o choque entre o helenismo e o judaísmo deu origem a diversas seitas judaicas.
Os Fariseus
Os fariseus eram os descendentes espirituais dos judeus piedosos que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus. O nome fariseu, “separatista”, foi provavelmente dado a eles por seu inimigos, para indicar que eram não-conformistas. Pode, todavia, ter sido usado com escárnio porque sua severidade os separava de seus compatriotas judeus, tanto quanto de seus vizinhos pagãos. A lealdade à verdade às vezes produz orgulho e ate mesmo hipocrisia, e foram essas perversões do antigo ideal farisaico que Jesus denunciou. Paulo se considerava um membro deste grupo ortodoxo do judaísmo de sua época. (Fp 3.5).
Saduceus
O partido dos saduceus, provavelmente denominado assim por causa de Zadoque, o sumo sacerdote escolhido por Salomão (1Rs 2.35), negava autoridade à tradição e olhava com suspeita para qualquer revelação posterior à Lei de Moisés. Eles negavam a doutrina da ressurreição, e não criam na existência de anjos ou espíritos (At 23.3). Eram, em sua maioria, gente de posses e posição, e cooperavam de bom grado com os helenistas da época. Ao tempo do N.T. controlavam o sacerdócio e o ritual do templo. A sinagoga, por outro lado, era a cidadela dos fariseus.
Essênios
O essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mudanismo dos saudceus. Os essênios se retiravam da sociedade e viviam em ascetismo e celibato. Davam atenção à leitura e estudo das Escrsturas, à oração e às lavagens cerimoniais. Suas posses eram comuns e eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade. Tanto a guerra quanto a escravidão era contrárias a seus princípios.
O mosteiro em Qumran, próximo às cavernas em que os Manuscrito do Mar Morto foram encontrados, é considerado por muitos estudiosos como um centro essênio de estudo no deserto da Judéia. Os rolos indicam que os membros da comunidade haviam abandonado as influências corruptas das cidades judaicas para prepararem, no deserto, “o caminho do Senhor”. Tinham fé no Messias que viria e consideravam-se o verdadeiro Israel para quem Ele viria.
Escribas
Os escribas não eram, estritamente falando, uma seita, mas sim, membros de uma profissão. Eram, em primeiro lugar, copista da Lei. Vieram a ser considerados autoridades quanto às Escrituras, e por isso exerciam uma função de ensino. Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com os quais aparecem freqüentemente associados no N.T.
Herodianos
Os herodianos criam que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que procurou romanizar a Palestina em sua época. Os herodianos eram mais um partido político que uma seita religiosa.
A opressão política romana, simbolizada por Herodes, e as reações religiosas expressas nas reações sectárias dentro do judaísmo pré-cristão forneceram o referencial histórico no qual Jesus veio ao mundo. Frustrações e conflitos prepararam Israel para o advento do Messias de Deus, que veio na “plenitude do tempo” (Gl 4.4)

Adaptado de “From Malachi to Matthew”, de Charles F. Pfeiffer.
Fonte:  “A Bíblia Anotada”
 



CONCLUSÃO

         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.
        Portanto, se você tiver qualquer contribuição a fazer, poderá entrar em contato comigo através do e-mail indicado no final desta publicação


SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, pedagogo e historiador diletante. 
É presbítero em exercício da Igreja Presbiteriana do Brasil, servindo atualmente na Igreja Presbiteriana Rocha Eterna de Sorocaba.
E-mail: prebwilson@hotmail.com


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

RUTE - A MOABITA

APRESENTAÇÃO



O tema que escolhemos  e transcrevemos hoje versa sobre Rute, a moabita, personagem bastante conhecida pelos que estudam a Bíblia, em especial as mulheres, visto que as atitudes dessa mulher podem perfeitamente trazer  interessantes lições.
         Só o fato de ser uma estrangeira e vir a participar da História do povo de Israel a ponto de se tornar ancestral do rei mais famoso do povo hebreu – Davi – e por conseguinte de Jesus, já é motivo suficiente para que queiramos aprender um pouco mais sobre essa personagem.
Vamos, pois, ao estudo:

O livro de Rute fazia parte da coleção dos livros sagrados que se liam publicamente por ocasião de certos aniversários; por se tratar de assunto relativo às colheitas, liam-se nos dias de Pentecostes, que era a festa das colheitas. O livro de Rute figura na lista dos livros canônicos logo depois do livro de Juízes, tanto na versão da LXX quanto na enumeração feita por Josefo.

A história de Rute se passa no tempo dos Juízes, num período de desobediência, idolatria e violência. Conta como uma mulher viúva, moabita, que mesmo sendo de uma nação proibida de entrar na congregação do Senhor, eternamente (Dt 23.3-4), decidiu seguir o povo de Deus, se tornou bisavó de Davi e ancestral do Messias.
Essa história desenrola-se entre o mandato dos juízes Gideão e Jefté. O livro reflete um período transitório de paz entre Israel e Moabe (Jz 3.12-30). Oferece uma série de vislumbres da vida de membros de uma família israelita. Apresenta também um relato ameno de como permanecera um pouco de fé e piedade genuína no período dos juízes, suavizando um retrato da época que se não fosse por isso, seria totalmente obscuro.
AUTOR
A autoria do livro é desconhecida. Devido a genealogia no capítulo 4 que vai até Davi, mas não até Salomão, alguns estudiosos entendem que este livro tenha sido escrito depois de Davi ser ungido rei, mas antes de assumir o trono, quando Samuel ainda era vivo, por isso uma tradição judaica atribui a autoria do livro de Rute ao profeta Samuel.

COMPOSIÇÃO E PROPÓSITO

Apesar de situado na Bíblia após o livro de juízes, a exemplo da Septuaginta e da Vulgata Latina, a ordem judaica coloca o livro na terceira divisão do cânon, entre os Escritos. Por isso não é considerado parte da história deuteronomista.

Essa comovente história tem provocado diferentes conclusões quanto ao seu propósito. Uma história como essa não precisa de moral para justificar sua popularidade, porém não há duvidas de que ela tem uma moral ou um propósito teológico. Os interpretes da Bíblia não tem dificuldade em encontrar um propósito; o desafio tem sido encontrar um tema central que perpasse todo o texto.

Propósito principal – mostrar como uma mulher gentia se converteu em um dos antepassados de Cristo.

O livro de Rute tem sido interpretado como celebração do seguinte:
1 - Que um convertido, mesmo sendo de Moabe, pode ser fiel ao Senhor e obter filiação plena em Israel.
2 – Que qualidades como lealdade e fidelidade as leis do Senhor demonstradas por um estrangeiro podem servir de modelo para o povo de Israel.

Boaz é o modelo para o parente que redime, ao passo que Rute reflete graciosamente o amor fiel de Deus a quem busca refúgio em suas asas.

Como o livro termina em Davi, muitos o consideram uma mensagem relativa ao rei. A questão é:
- O que o livro quer transmitir sobre ele?
- É uma tentativa de explicar e desculpar sua ascendência estrangeira?
- Pretende mostrar a providência divina em ação para preservar a linhagem da qual era herdeiro?

Outros consideram a ligação de Davi com o livro, secundária. Acreditam que o propósito é promover a conversão de povos estrangeiros ou desmotivar o casamento de israelitas com eles. Ambas as ideias são difíceis de apoiar por causa da mudança da situação descrita na obra e por causa do seu tom suave.

DIFICULDADES
Questões que tem fascinado estudiosos surgem diretamente de elementos estranhos da narrativa. Estes podem ser divididos em grupos:
1 – Questões relacionadas com as dificuldades de definir a data e origem do livro.
2 – Questões sobre costumes legais, especialmente as obrigações familiares de um parente próximo de uma pessoa falecida.

TEMA
Providência divina. Diante da tragédia que se abateu na família de Elimeleque, Deus recompensou amplamente a piedade de Noemi e a lealdade de Rute.

Como a vida de uma jovem moabita foi enriquecida:
1 – Por meio da constância de uma sábia escolha (1.16).
2 – Por meio de um trabalho humilde (2.2-3).
3 – Ao aceitar o conselho de uma amiga mais idosa e experiente (3.1-5).
4 – Por meio de uma aliança providencial (4.10-11).
5 – Por sua exaltação em uma família real (4.13-17).

TEOLOGIA
Talvez pareça surpreendente que quem reflete o amor de Deus seja uma moabita, povo que foi amaldiçoado pelo próprio Deus, por terem agido como inimigos do povo de Israel durante a caminhada deles no deserto em direção a Canaã (Dt 23.3-4). No entanto, sua total lealdade à família israelita que a acolheu por casamento e sua devoção total à sogra Noemi, tornam essa mulher verdadeira filha de Israel, ancestral de Davi e por consequência de Jesus. É um exemplo claro que Deus não escolhe ninguém por causa da família, nação ou povo, mas sim por ajustar a sua vida a vontade de Deus. Rute, ao ser incluída na linhagem de Jesus, significa que todos as nações serão aceitas e representados no reino de Deus.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
A narrativa é caracteristicamente histórica, e confirma a harmonia que se observa nas circunstâncias do tempo e das relações cordiais existentes entre Israel e Moabe (1 Sm 22.3-4). Os fatos são registrados sem comentário algum, o que vem provar que foram escritos antes do cativeiro. A linguagem é semelhante aos escritos daquela época, em paralelo com o livro de Juízes. O livro de Rute não recebeu a sua forma literária final, senão muito tempo depois dos acontecimentos que ele contém; o que vem explicar o costume de tirar o sapato do pé em sinal de testemunho na aquisição de propriedade, usado nos tempos primitivos.


Embora seja um documento de clara importância histórica sobre o período dos juízes, a narrativa do livro é desenvolvida com intensidade dramática. A história move-se rapidamente através de vários estágios, cada um sendo marcado por elementos de ironia e suspense, todos contribuindo para comprovar a fidelidade da providência divina. O Senhor inspira o retorno de Noemi para Israel, a fidelidade de Rute, a aliança e o apego correto de Boaz no cumprimento da lei. O livro fecha com uma genealogia do rei Davi, o descendente de Boaz, o israelita e de Rute a moabita, uma jovem viúva que se refugiou sobre as asas do Senhor Deus de Israel (2.12).

Rute e Boaz fazem parte de uma genealogia mais extensa onde a graça de Deus é combinada com a fraqueza humana.

O QUE ERA O RESGATADOR?

O sistema do levirato é explicado na literatura israelita em Deuteronômio 25.5-10. De acordo com essa lei, se um homem morresse sem deixar filhos, o irmão era obrigado a gerar um filho com a viúva. Posteriormente, esse filho seria considerado herdeiro do irmão falecido. Assim as famílias não teriam fim.

A interpretação do costume do levirato é condizente com direitos de resgate de terras e introduz o contexto legal do livro de Rute. O termo “Resgatador” é tirado da lei de resgate de terras (Lv 25.25-31, 47-55). Segundo essa lei, a terra vendida podia ser comprada de volta por um parente para manter a terra na família. Tanto a lei da terra quanto o levirato tinham o propósito de preservar família e terra, questões essenciais na aliança. Eram provisões sociais pelas quais as promessas divinas continuariam a se realizar mesmo para famílias em crise.

QUEM ERAM OS MOABITAS?

Os moabitas são descendentes de Ló com sua filha primogênita. Estabeleceram-se na Transjordânia, território entre o mar Morto e o deserto da Arábia, anteriormente ocupada pelos emins, conhecidos também como refains ou enaquins (Deuteronômio 21.10-11). Muitas vezes faziam incursões predatórias em Israel; “em bandos costumavam invadir a terra, à entrada do ano” (2 Reis 13.20). Combatidos por juízes e por Saul, foram definitivamente vencidos por Davi. Tinham religião politeísta e um regime monárquico. Seus deuses principais eram Quemos, Atar e Baal-Peor. Inscrições encontradas coincidem com os da Bíblia e mostram que Quemos era o deus de Moabe.

ESBOÇO DE RUTE

ANÁLISE HISTÓRICA
Sobre Noemi:
1-    Sua permanência em Moabe (1.1-5).
2-    Seu triste regresso à Belém (1.6-22).

Sobre Rute:
1-    Respiga nos campos de Boaz (cap. 2).
2-    Seu casamento com Boaz (4.13)
3-    O nascimento de seu filho Obede, avô de Davi (4.13-16).
4-    Na genealogia de Davi (4.18-22).




FONTES:
Panorama Bíblico Avançado – Editora Quadrangular
Panorama do Antigo Testamento – Editora Vida
Bíblia de Estudo NVI – Editora Vida
Bíblia de Estudo de Genebra – SBB
Bíblia Thompson – Editora Vida
Novo Dicionário da Bíblia John Davis - Editora Hagnos




CONCLUSÃO

         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.
        Portanto, se você tiver qualquer contribuição a fazer, poderá entrar em contato comigo através do e-mail indicado no final desta publicação


SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, pedagogo e historiador diletante.
 É presbítero em exercício da Igreja Presbiteriana do Brasil, servindo atualmente na Igreja Presbiteriana Rocha Eterna de Sorocaba.

E-mail: prebwilson@hotmail.com