segunda-feira, 17 de março de 2014

ANTONIO ERMÍRIO DE MORAES - EMPRESÁRIO IDEALISTA



APRESENTAÇÃO

 

Creio que vi o Dr. Antonio Ermírio de Moraes pela primeira vez em 1962. Acompanhado do Dr. Antonio de Castro Figueirôa, diretor industrial, o superintendente da grande empresa fabricante de alumínio percorria a Laminação. Eu era operador de ponte rolante e os vi lá de cima.
Com o passar do tempo Dr. Antonio assumiu a presidência da fábrica e estava constantemente em Alumínio e não era raro ele aparecer lá dentro da usina nos horários mais inusitados. Foi assim que, muitas vezes, apareceu lá nas Salas dos Fornos 64 e 86 kA lá pelas vinte e duas horas.
Sua hospedagem acontecia na Fazenda Pantojo, propriedade dele na metade do caminho entre Alumínio e Mairinque. Seu motorista e segurança era o Sr. José Custódio, que nos finais de semana, supervisionava os serviços na referida propriedade. 
Em época de férias, levava a família à casa de praia em Bertioga, mas não ficava lá mais que um dia. Retornava a Pantojo e às lides à frente dos trabalhos na Votorantim. O Escritório Central do grupo foi sempre em São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal.
Em 1973 faleceu o Senador José Ermírio de Moraes, fundador e Presidente do Grupo Votorantim, pai dos irmãos Ermírio de Moraes: José, Antonio e Ermírio. Eu era Auxiliar de Encarregado na Seção Pessoal e fui convidado a estar presente nos funerais dele, que foram realizados na capela do Hospital Beneficência Portuguesa em São Paulo.
 A partir de 1974 quando assumi a chefia da Seção Métodos e Processos passei a fazer parte das pessoas que eram convidadas para o jantar de confraternização fim de ano da empresa e então pude conhecer o patrão mais de perto. Não havia no entanto “espaço” para eu me aproximar um pouco mais dele uma vez que sua atenção ficava polarizada com a presença dos diretores e gerentes.
Em 1986 Antonio Ermírio saiu candidato ao Governo do Estado de São Paulo. Meu chefe, Sr. Philemon de Medeiros, Gerente Administrativo da CBA foi incumbido de coordenar a campanha nas localidades de Alumínio, Mairinque e São Roque. Eu, como assessor direto do gerente, “vesti a camisa e entrei de cabeça” na campanha.  (na foto a régua plástica que funcionou como brinde).
Infelizmente ele não chegou lá. Orestes Quércia, Vice Governador, apoiado por Franco Montoro venceu o pleito e Ermírio ficou decepcionado com política, mas em 1990 apoiou Luiz Antonio Fleury Filho que se elegeu governador dos paulistas.
A partir de 1987 o jantar de confraternização passou a ser realizado em Alumínio no restaurante da própria companhia. Eu era o colaborador que fazia o elo entre a empresa que tocava o restaurante e a CBA. Foi aí que pude conversar algumas vezes com o Dr. Antonio Ermírio.
Em março de 1991 aposentei-me e retirei-me da empresa, mas não perdi contato com as notícias relacionadas à família Ermírio de Moraes. Fiquei muito triste ao saber do falecimento do filho Carlos, o qual era um de seus sucessores no Grupo Votorantim.
Mais triste fiquei quando tomei conhecimento da moléstia que o acometeu e o afastou de suas atividades no Grupo Votorantim Ver detalhes em https://www.google.com.br/#q=Jornal+Op%C3%A7%C3%A3o.com.br
Isto não é uma biografia. Aliás, eu não teria condições de fazê-la. É apenas e tão somente um resumo que escrevo homenageando esse homem idealista que foi meu patrão durante toda a minha carreira profissional e da qual tenho orgulho de falar dela.

 

ORIGENS


         O pai de Antonio Ermírio, o engenheiro José Ermírio de Moraes nasceu em Nazaré da Mata,Pernambuco  aos 21-01-1900 e sua mãe, dona Helena em Boituva aos 11-12-1904. O casamento deles aconteceu em São Paulo aos 18-05-1925.
         Dona Helena era filha do Comendador Antonio Pereira Ignácio e da senhora Lucinda Pereira Ignácio. Seu pai foi um imigrante português que prosperou a partir de alguns teares que adquiriu e que veio a ser o fundador da S/A Indústrias Votorantim.   
     
         José Ermírio, financiado pela Votorantim, se uniu ao mineiro Lindolfo Pio da Silva Dias, o qual possuía jazidas em Poços de Caldas, MG do minério chamado bauxita, o qual contém o alumínio e daí veio a nascer a Cia. Brasileira de Alumínio. A empresa começou a ser construída em 1941 mas só começou a produzir em 1955.  A 2ª Guerra Mundial fez com que os fornos inicialmente encomendados nos Estados Unidos fossem substituídos mais tarde por outros vindos da Itália.
         José Ermírio de Moraes engajou-se na política partidária e, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), se elegeu Senador, exercendo o mandato entre 1963 e 1971 e foi Ministro da Agricultura no governo João Goulart.    


       Antonio Ermírio de Moraes nasceu em São Paulo, SP aos 04-06-1928. Seus pais: José Ermírio de Moraes e dona Helena Pereira de Moraes tiveram, além dele, os filhos: José,  Helena e Ermírio.  
Seguindo os passos do pai, Antonio Ermírio foi estudar no Colorado School of Mines, onde graduou-se em Engenharia Metalúrgica.
        Em 1953 casou-se com Maria Regina e o casal passou a lua-de-mel na Europa.         

        

Do casamento com dona Maria Regina, nasceram nove filhos: Antonio Ermírio Filho, Carlos, Mário, Luís, Rubens, Rosa Helena, Vera Regina, Maria Lúcia e Maria Regina.
  
Mario e Carlos Ermírio de Moraes faleceram precocemente, vitimados por  câncer.

 

 

EXPANSÃO DOS NEGÓCIOS

 

“Na década de 1950, sua família foi taxada de louca por querer concorrer com os grandes produtores de alumínio, como Alcan, Alcoa e Vale. A Companhia Brasileira de Alumínio iniciou suas operações em 1955 produzindo apenas 4 mil toneladas e completou seu cinqüentenário com 400 mil toneladas.
Em 1956, teve de contrair empréstimos que equivaliam a 16 meses de faturamento, na mesma época sofreu um acidente ao visitar a unidade e, queimado por soda cáustica, ficou um mês de cama - esta experiência ajudou a sedimentar em sua obsessão por conduzir o Grupo Votorantim da forma mais conservadora possível, evitando contrair dívidas.
Após assumir o grupo, Antônio Ermírio transformou-o em uma multinacional, com a aquisição de uma fábrica de cimento no Canadá. Expandiu o Grupo Votorantim, com mais de 60 mil funcionários., Atua nas áreas de cimento, celulose, papel, alumínio, zinco, níquel, aços longos, filmes de polipropileno biorientado, especialidades químicas e suco de laranja.

FILANTROPIA E TEATRO


“Foi a frustração com a política que o levou a escrever peças teatrais.Dizia que "a política é o maior de todos os teatros". É autor de três peças de teatro, duas já lançadas no circuito paulistano: Brasil S.A., Acorda Brasil e S.O.S Brasil. Todas as peças acabaram virando livro, a peça "Acorda Brasil" foi vista por 26 mil pessoas.Também escreveu para a Folha de São Paulo uma coluna dominical durante 17 anos. 
O empresário sempre dedicou parte de seu tempo por mais de 30 anos à Sociedade Beneficência Portuguesa de São Paulo, uma hora e meia todo dia. Também se dedicou à Associação Cruz Verde de São Paulo, à Fundação Antônio Prudente, entre outras organizações não governamentais.

Além dessas entidades citadas, O Dr. Antonio Ermírio de Moraes sempre dedicou especial carinho às Santa Casas de Misericórdia, geralmente contribuindo com as mesmas com a doação de cimento. Aliás, seu pai também fez muito disso, não sendo raro encontrarmos o busto do patriarca dos Ermírio de Moraes no saguão de entradas de diversos hospitais.

 TRAJETÓRIA

  “Crescimento

Atravessando diferentes momentos econômicos, com transições de moedas e surgimento de crises, o grupo conseguiu crescer  e permanecer sob o controle da família. Os primeiros feitos foram a aquisição da companhia Nitro Química (1935) e a criação da Companhia Brasileira de Alumínio (1955). Na década de 80, foi a vez de o conglomerado industrial se lançar no negócio de papel e celulose e, mais tarde, no setor financeiro. Hoje, o grupo Votorantim atua em mais de 20 países. 

  Trabalho e mais trabalho


A obsessão com os negócios do grupo Votorantim é outra marca registrada do empresário. Depois de estudar engenharia metalúrgica na Colorado School of Mines, nos Estados Unidos, ele trabalhou por um ano com o pai - de graça, para que fosse "testado". Os anos eram do governo de Eurico Gaspar Dutra, na década de 40, e o país ensaiava seus passos rumo à industrialização. 

Depois do casamento

Na viagem de lua-de-mel com a esposa Maria Regina, em 1953, Antônio Ermírio não se desligou dos negócios, admitindo ter visitado companhias de aço na Áustria e na Alemanha. 

Na política

Em 86, o empresário lançou-se candidato ao governo do estado de São Paulo pela União Liberal Trabalhista (PTB, PL e PSC). Mas acabou perdendo o pleito para Orestes  Quércia, do PMDB. Na época, as eleições não contavam com segundo turno. 

Veia artística

Da decepção com a política e o patrimonialismo - o empresário já taxou a política como "o maior dos teatros" -, nasceu a vontade de fazer arte. Antônio Ermírio escreveu três peças de teatro que mais tarde viraram livros: Brasil S.A., Acorda Brasil e S.O.S. Brasil. Na montagem da primeira peça, em 1996, ele gastou 250.000 dólares. Na época, explicou porque resolvera financiar a empreitada: “Não achei nem justo nem honesto que empresários e editores apostassem dinheiro nesta que podia ser apenas uma aventura”.

Fortuna

Até 2001, o empresário ocupava o topo da lista da Forbes entre os mais ricos do país. Naquele ano, sua fortuna foi avaliada em 3,5 bilhões de dólares. No levantamento mais recente, Antônio Ermírio aparece com o terceiro maior patrimônio. Os 12,7 bilhões de dólares o colocam atrás apenas de Joseph Safra (US$ 15,9 bilhões) e Jorge Paulo Lemann (US$ 17,8 bilhões).

Na base da intuição

Em entrevista à revista Veja em 2003, ele afirmou nunca ter seguido nenhuma moda em matéria de gestão "Não acredito em nenhum guru. Acredito em dois mais dois é igual a quatro. Tudo o que estiver fora disso me parece esquisito", disse. "Há uns cinco anos recebi a visita de um rapaz de uma dessas firmas de consultoria que gostam de cobrar em dólar e falar inglês. Quando o rapaz disse que tínhamos de sair do negócio de alumínio, pedi licença e não fiquei para ouvir o resto. Vem aqui dar palpite em idioma estrangeiro e ainda fala bobagem. Perdi a paciência. O fundamental é seguir a lógica, o bom senso, e ouvir as boas cabeças que você tem na empresa."
E seguiu: "Não existem truques. Nossos melhores colaboradores estão conosco há várias décadas, trabalham dez horas por dia e são homens sinceros. É isso que vale. A diretoria da empresa é formada por nosso pessoal. Nunca peguei uma pessoa de fora. Ah, claro, é vital também nunca dever muito", completou. 

 

Sem ostentação



O empresário já disse ter ficado duas décadas sem comprar nenhum terno. E que ser simples era o que permitia que ele andasse no meio do povo sem ser reconhecido. Antônio Ermírio também revelou que não andava no banco de trás do carro dirigido pelo motorista porque isso seria "muito pernóstico". E reforçou que considerava o luxo excessivo uma bob Uma das filhas - o empresário teve cinco homens e quatro mulheres - confirmou a fama do pai. Em declaração à imprensa, a publicitária Maria Regina de Moraes Waib disse que foi dele a ideia de presenteá-la com um carro usado no seu aniversário de 18 anos..

Hora extra no hospital

Por muitos anos, Antônio Ermírio ocupou a presidência do Hospital Beneficência Portuguesa, que atende 60% dos pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A família não é dona do hospital. Mas Antônio Ermírio colocava a mão na massa mesmo assim. Além de comandar a reunião do conselho do hospital, o empresário costumava visitar a enfermaria nos fins de semana, além de acompanhar de perto os gastos efetuados, assinando todos os cheques acima de 3.000 reais. Em maio de 2008, o empresário recebeu a Medalha de Mérito Oswaldo Cruz das mãos do então presidente Lula pelo trabalho da instituição com o SUS. 

Pelo centro

A sede histórica do maior conglomerado industrial privado do país foi instalada no centro de São Paulo, mais especificamente na Praça Ramos. E Antônio Ermírio nunca escondeu o apreço pelas andanças na região. Há alguns anos, ele foi parado na rua por um fotógrafo que pediu para tirar um retrato de empresário. E sua resposta acabou minando o intento do profissional. "Se eu fosse o Antônio Ermírio você acha que eu estaria andando a pé na rua, sem seguranças?", disparou, escapando de ter o flagra registrado. 

O negócio do banco...

Antônio Ermírio não reprimia seu descontentamento com os lucros vultosos das instituições financeiras. "Fico triste ao ver que uma coisa tão fácil é mais lucrativa que algo que me tomou a vida inteira", chegou a dizer. A bem da verdade, o banco Votorantim já chegou a responder por cerca de 20% dos ganhos do grupo. A instituição foi fundada em 89 para que a área financeira do conglomerado lidasse com a inflação galopante e o vai-e-vem das commodities. 
Em 2009, o BB desembolsou 4,2 bilhões de reais para levar metade do Votorantim e fortalecer suas operações no financiamento de veículos. No mercado, circulam rumores a respeito do interesse do banco público em ampliar sua participação no Votorantim para 75%, permanecendo, por outro lado, com a minoria (49,99%) do capital votante da instituição. 

E o negócio da celulose

A Votorantim também ganhou as manchetes depois de amargar perdas bilionárias com derivativos em 2008, uma situação que surpreendeu o mercado pela histórica postura de conservadorismo financeiro do grupo. Na época, a VCP, empresa de celulose do conglomerado, divulgou perdas de 2 bilhões de reais. Em 2009, a companhia se uniu à Aracruz e formou a Fibria, que já renegociou suas dívidas em duas ocasiões. Em 2012, a última linha do balanço da companhia veio no vermelho, com prejuízo de 698 milhões de reais. 

Desafios do futuro

Em 2001, Antônio Ermírio deixou a presidência do conselho de administração do grupo Votorantim, passando o bastão para seus filhos e sobrinhos. Na época, a dívida do conglomerado não chegava a uma vez a geração de caixa do grupo. Hoje, ela supera 18 bilhões de reais e equivale a 3,6 vezes a geração de caixa da Votorantim. Com a situação financeira mais apertada, o grupo deve encarar uma situação inédita desde que começou a publicar seus resultados, em 2006. A expectativa do mercado é que o conglomerado apresente, pela primeira vez, prejuízo no balanço, com perdas de 900 milhões a 1 bilhão de reais em 2012. 

Diminuída no ritmo

Em entrevista recente à Rádio Cultura, o amigo e sociólogo José Pastore afirmou que foram apenas os problemas de saúde que fizeram Antônio Ermírio diminuir o ritmo (Pastore lançará uma biografia sobre o empresário em junho). Até o fim dos anos 90, sua jornada era de 12 horas por dia. Antônio Ermírio, que já implantou um marca-passo no coração em 98 e retirou um tumor do intestino em 2004, sofre de Alzheimer. Afastado da ingerência direta sobre os negócios, o empresário de 84 anos deverá assistir à abertura de capital da Votorantim Cimentos, uma estratégia não considerada pela família por anos. 

IPO na agenda

A ideia de ter as ações negociadas em bolsa foi colocada na mesa como maneira de injetar capital no grupo e reduzir suas dívidas. Em abril, a Votorantim Cimentos protocolou na Comissão de Valores Mobiliários um pedido de registro da sua oferta pública inicial de ações, que poderá acontecer ainda este ano. A A operação deve captar de 3,5 a 4,5 bilhões de dólares.”

Transcrito com algumas adequações, de:

Edição 1976 de 19 a 25 de maio de 2013
Euler de França Belém


A ENFERMIDADE E O AFASTAMENTO DEFINITIVO DAS ATIVIDADES


“O empresário Antônio Ermírio de Moraes, 85 anos em junho, responsável pelo crescimento e consolidação do Grupo Votorantim, principal indústria produtiva do país, está com Alzheimer e não sai mais de casa. A história está relatada no excelente livro “Antônio Ermírio de Moraes — Memórias de um Diário Confidencial” (Planeta, 350 páginas), de José Pastore, Ph.D em sociologia pela Universidade de Wisconsin e professor da Universidade de São Paulo (USP). É mais um depoimento — muito bem feito — do que uma biografia.

Workaholic assumido, Antônio Ermírio trabalhava nas várias empresas do grupo e, sem receber um centavo, dava expediente diário na Beneficência Portuguesa, um dos melhores hospitais do país. Aos poucos, embora o homem permanecesse decidido, seu organismo foi cedendo a uma série de doenças. Em 1998, diagnosticada “uma fraqueza em seu coração”, teve de colocar marca-passo. “Estou me sentindo como um garoto vou já para o escritório”, disse. Tinha 70 anos. Mas, conta Pastore, “ficou frustrado ao saber que o marca-passo o impediria de visitar as salas-fornos da fábrica de alumínio devido à presença de alta voltagem e muita magnetização. Não gostou dessa restrição, pois fazia parte de sua rotina fazer verificações pessoais de todos os equipamentos da CBA”.

Em 2004, aos 76 anos, foi operado de um tumor maligno no intestino pelos médicos Angelita Habr e Joaquim Gama Rodrigues. “Mas houve graves seqüelas que decorreram de um pós-operatório complicado e marcado por inúmeros episódios de hipertensão. Vi que os médicos estavam aflitos. Não conseguiam baixar a pressão. Temiam um derrame cerebral a qualquer momento.”

Antônio Ermírio era muito resistente e sempre surpreendia os mais jovens, que não conseguiam acompanhar seu pique. Porém, depois da cirurgia, Pastore diz que passou a perceber no empresário “nítidos sinais de cansaço”. O dirigente do Votorantim “passou a se deitar durante o expediente de trabalho — coisa inédita. Já não conseguia esconder seu estado de prostração. O quadro foi se agravando. Junto com isso, acentuaram-se os lapsos de memória que já eu vinha observando havia muito tempo. Preo­cupei-me com o novo quadro, porque o esquecimento foi se acentuando dia a dia”, relata Pastore.

Os médicos descobriram que havia dois males: hidrocefalia (excesso de líquido na caixa craniana) e Alzheimer. Em 2006, médicos de Cleveland, nos Estados Unidos, implantaram uma válvula no crânio de Antônio Ermírio “para drenar o excesso de líquido”.

No entanto, o quadro só melhorou nas primeiras semanas. “Apesar de vários ajustes na válvula, os resultados continuaram decepcionantes. Foi tudo muito triste. Antônio foi perdendo os movimentos das pernas. O problema se agravou com espantosa rapidez. A hidrocefalia lhe tirou a capacidade de caminhar, levando-o à cama, e o Alzheimer tirou-lhe a capacidade de acompanhar o cotidiano.”

Antônio Ermírio está vivo, mas não é, claro, o mesmo homem de antes — aquele que, no auge de sua energia, dizia que queria morrer trabalhando. Pastore registra: “Foi um destino cruel. Duas doenças se irmanaram para aniquilar o dinamismo e a criatividade de um homem inteligente, permanentemente animado e que sempre pediu a Deus para que o mantivesse trabalhando até os últimos dias de sua vida”.

Uma das qualidades do empresário era sua excelente memória, mas o Alzheimer a devorou. “Ho­je”, conta Pastore, Antônio Ermírio pouco reage”.   


http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/4892487/antonio-ermirio-de-moraes-memorias-de-um-diario-confidencial


AS HOMENAGENS

             Pela intensa atividade social durante sua vida laboral Antonio Ermírio de Moraes se tornou um ícone da classe empresarial brasileira. Como resultante disso ele recebeu o prêmio “Eminente Engenheiro do Ano, mérito reconhecido em 1979. Em 2003 foi condecorado com a Medalha do Conhecimento do Governo Federal.

         Sua família recebeu o prêmio Otávio Frias de Oliveira, tanto pela administração do Hospital Beneficência Portuguesa há mais de cinquenta quanto pela participação no Conselho Curador e da Rede Voluntária do Hospital A.C. Camargo e a atuação e ser uma das maiores da Associação de Assistência à Criança Deficiente.

(https://www.google.com.br/#q=wikipedia+ant%C3%B4nio+erm%C3%ADrio+de+moraes)

  ACERVO FOTOGRÁFICO

 

Fotos pessoais 

 

  Com o mano José na capa da revista Exame, 


 

Logo da Escola de Minas do Colorado 

(USA), onde Ermírio estudou Engenharia 

 

 

 Comemorando 60 anos de casamento

com dona Maria Regina

  

 Escritório central da Votorantim

na Praça Ramos de Azevedo em

São Paulo, onde passou grande

parte de sua vida trabalhando

 

 

 Uma de suas obras literárias


Uma das muitas frases publicadas pela imprensa


Família e familiares 

 

 Com a família

 

 Com a esposa d. Maria Regina

 

 Em Santa Cruz do Rio Pardo, SP em 1986

na campanha para o Governo do Estado

 

Comendador Antonio Pereira Ignácio (avô) 

 

 Senador José Ermírio de Moraes (pai)

 

José Ermírio de Moraes Filho (irmão falecido) 

 

Antonio Ermírio de Moraes Filho

 

 Mário Ermírio de Moraes 

(filho já falecido)

 

 

 Carlos Ermírio (filho já falecido)

 

 Luiz Ermírio de Moraes (filho)


Casamento da filha caçula Regina 

 

José Ermírio de Moraes Neto (sobrinho) 

 

 José Roberto Ermírio de Moraes (sobrinho) 

 

 Marcos Ermírio de Moraes (sobrinho)

 

José Roberto Ermírio de Moraes
 

(sobrinho neto)

 

 José Eduardo Ermírio de Moraes

 (sobrinho neto)


Mário Moraes (sobrinho Neto)

 

NA CBA 

 

 Comemorando aniversário. Na foto,

com Engº Renato Moura, Diretor Industrial

 

 Com diretores e gerentes

  

 Com o Presidente Lula inaugurando

ampliações da usina em 2007

  

 A Cia. Brasileira de Alumínio

  

Construção da usina - Décadas de 1940-1950


Trevo de acesso à cidade de Alumínio, SP

  

   Vista aérea da Vila Industrial, propriedade

da CBA - Alumínio, SP 

   

Edifício da Administração da CBA em Alumínio, SP


As mais modernas salas dos fornos da fábrica

  

 Bobinas com cabo condutor de alta tensão,

um dos produtos fabricados na CBA

 

 


Dr. Miguel de Carvalho Dias, Diretor Vice-presidente

da CBA, companheiro de trabalho no Escritório Central

 

 

 Dr. Antonio de Castro Figueirôa

Diretor Industrial da CBA de 1955 a 1985

 

 

Economista e sociólogo 

José Pastore - Amigo e biógrafo

 

 Colaboradores - Anos 60

 

 Colaboradores - Ano de 1984


Colaboradores  - Anos 90




Aposentados da CBA em confraternização




OS "RASTROS" - Fotos que homenageiam ascendentes ou a família.




Av. Comendador Antonio Pereira Ignácio -Sorocaba, SP





Praça José Ermírio de Moraes, Mairinque, SP




 Estádio Senador José Ermírio de Moraes
Alumínio, SP




Av. Senador José Ermírio de Moraes
Alumínio, SP



Rodovia Senador José Ermírio de Moraes
 "Castelinho" - Sorocaba, SP 






 Escola SENAI Antonio Ermírio de Moraes
Alumínio, SP




 Hospital Maria Regina - Alumínio, SP
Desativado nos anos 60 (quadro de 
Sueli de Oliveira)



Cidade de Votorantim, SP...




...onde nasceu a primeira fábrica do grupo.
(Tecidos Votorantim)



Fotos:  https://www.google.com.br/#q=fotos+de+antonio+ermirio+de+moraes
http://wilson-ribeiro.blogspot.com.br/2012/11/companhia-brasileira-de-aluminio-57-anos.html
http://wilson-ribeiro.blogspot.com.br/2011/10/cidade-de-aluminio-fatos-e-fotos-de-sua.html



ALGUMAS FRASES DE ANTONIO ERMÍRIO

 

1)“Quem não confia no Brasil deve ir para o exterior com passagem só de ida.” 

2) “O jovem precisa cada vez mais estudar para garantir o seu futuro e o do nosso Brasil.”

3) “Teoria não é solução para os problemas sociais do Brasil. O que se precisa fazer é arregaçar as mangas, melhorar a administração das verbas e aplicá-las diretamente onde a questão é mais urgente.”

4) “Cada dia que a gente está vivendo é um dia a menos. E isso pesa. A idade acaba suavizando a gente. Querer resistir a isso é burrice. É melhor deixar a mente vagar. 


 http://www.ibahia.com/a/blogs/empregos/2013/11/30/as-ideias-do-empresario-antonio-ermirio-de-moraes/


CONCLUSÃO

        
         Ao finalizar esta postagem sinto um aperto em meu coração. Sim, porque, tendo trabalhado para o Dr. Antonio Ermírio de Moraes durante trinta e um anos, pude me realizar profissionalmente e criar meus filhos, dando-lhes a educação de berço e a escolar. Nunca a CBA atrasou em um dia sequer o pagamento de seus trabalhadores.
         Minha família morou em casa da fábrica de 1965 a 1980 pagando um aluguel simbólico. Tivemos condução para ir a Sorocaba fazer os estudos (eu e minha esposa d. Claudineide).
         Desfrutamos do convívio dos irmãos na fé (presbiterianos) de 1961 a 1997 na Igreja Presbiteriana de Alumínio, que tem suas edificações fincadas no terreno de mais de 2.400 metros quadrados que foi doado pela CBA no início dos anos sessenta.
Nosso filho primogênito Wilson Cláudio nasceu em 1966 no Hospital Maria Regina (nome da esposa do Dr. Antonio Ermírio) em Alumínio. Por dificuldades com credenciamento junto ao INSS o hospital acabou sendo fechado e os demais filhos, não só os nossos, mas de quase todos os nossos colegas de trabalho nasceram em hospitais das cidades vizinhas.
         Em 01-05-1985 recebi de presente do Dr. Antonio Ermírio um relógio como prêmio pelo título de “Trabalhador Símbolo” da região, o qual me foi entregue no SESI em Sorocaba, pelo Dr. José Crespo Gonzales, Delegado Regional da entidade estando presentes o Dr. Antonio de Castro Figueirôa, Diretor Industrial da CBA e sua esposa dona Madeleine.
          
        Se serve de consolo, dado à idade e a enfermidade do Dr. Antonio Ermírio de Moraes, deixo registrado aqui este versículo bíblico: Há quem dê generosamente, e vê aumentar suas riquezas; outros retêm o que deveriam dar, e caem na pobreza.O generoso prosperará; quem dá alívio aos outros, alívio receberá.”
(Livro de Provérbios, 11.24-25 (Bíblia Sagrada).


Observação: O texto "Crescimento" está digitado com minúsculas mas na visualização está aparecendo com maiúsculas. Detalhes técnicos do blog que ainda haverei de resolver. (autor da postagem)

 

SOBRE O AUTOR DESTE TRABALHO

    

Wilson do Carmo Ribeiro, 72 anos, casado com a professora Claudineide Marra Ribeiro trabalhou de 1960 a 1991 na Cia. Brasileira de Alumínio, morando vários anos na Vila Industrial na cidade de Alumínio, Foi professor, correspondente de jornal e vereador. 

         Participou da organização eclesiástica do trabalho presbiteriano em Alumínio e em Mairinque, sendo inicialmente diácono e desde 1975, presbítero nessa denominação evangélica.

         Atualmente elabora trabalhos sobre cidades, igrejas e vida de obreiros em seu blog na internet. São de sua autoria os trabalhos similares à atual postagem: 


Alguns trabalhos de sua autoria:

http://wilson-ribeiro.blogspot.com.br/2012/11/companhia-brasileira-de-aluminio-       57-anos.html
- http://wilson-ribeiro.blogspot.com.br/2011/10/cidade-de-aluminio-fatos-e-fotos-de-sua.html
- http://wilson-ribeiro.blogspot.com.br/2012/12/aluminio-historia-ilustrada-do-municipio.html

E-mail: prebwilson@hotmail.com

NOTA: Toda crítica construtiva e sugestões para melhorar este trabalho serão muito bem vindas. Correspondências ao autor poderão ser enviadas via e-mail acima.


 ATUALIZAÇÃO - A MORTE DE UM GIGANTE



"Morreu na noite deste domingo (24) em São Paulo, aos 86 anos, o empresário e presidente de honra do Grupo Votorantim, Antônio Ermírio de Moraes. Segundo informações da assessoria de imprensa da empresa, ele morreu em sua casa, no Morumbi (Zona Sul), por insuficiência cardíaca.

O corpo do empresário será velado a partir das 9h desta segunda-feira (25) no Salão Nobre do Hospital Beneficência Portuguesa. A partir das 16h, o cortejo deve seguir ao Cemitério do Morumbi, onde ele vai ser sepultado. Antônio Ermírio deixa a esposa, Maria Regina Costa de Moraes, com quem teve nove filhos.

Em nota, o Grupo Votorantim afirmou que perdeu um "grande líder" que "defendia o papel social da iniciativa privada para a construção de um país melhor".

O empresário nasceu em São Paulo em 1928. Seu pai, o engenheiro pernambucano José Ermírio de Moraes, criou o Grupo Votorantim, comprando as ações de uma empresa de tecelagem.

Antônio Ermírio se formou em engenharia metalúrgica pela Colorado School of Mines (EUA). Iniciou sua carreira no Grupo Votorantim em 1949, ajudando a empresa a se destacar na produção de cimento, extração de alumínio, agronegócio e finanças, entre outras atividades. Em 1955, Moraes foi o responsável pela instalação da Companhia Brasileira de Alumínio.

O empresário também teve atuação de destaque na área social. Por 40 anos presidiu a diretoria-administrativa do Hospital Beneficência Portuguesa, que entre seus serviços presta atendimento a pessoas de baixa renda. Ocupava o cargo de presidente de honra do hospital, mas pouco falava sobre o assunto.

“O que eu faço de donativo, só eu e Deus ficamos sabendo. Meu pai me ensinou que donativo com propaganda não é donativo, é comércio”, disse numa ocasião.

No campo das artes, Antônio Ermírio escreveu três peças de teatro e diversos livros, ganhando uma cadeira na Academia Paulista de Letras.

Em 1986, candidatou-se ao cargo de governador de São Paulo pelo PTB e ficou em segundo lugar, atrás de Orestes Quércia (PMDB).

Em 2013, a vida do empresário foi retratada pelo sociólogo José Pastore em uma biografia: "Antônio Ermírio de Moraes: Memórias de um Diário Confidencial".

"No campo pessoal, a marca de Antônio Ermírio foi a simplicidade, sempre acompanhada de humildade e generosidade. Como empresário ele tinha como meta investir continuamente para gerar empregos de boa qualidade. [...] Como investidor ele pregava ser de responsabilidade dos empresários não apenas produzir e pagar impostos, mas também, ajudar o próximo. E para tanto, ele deu o exemplo ao longo dos seus 60 anos de trabalho", disse Pastore, em nota.

No ano passado, a família de Antônio Ermírio de Moraes e família apareceram entre os 100 maiores bilionários do mundo, segundo ranking da Forbes, com fortuna avaliada em US$ 12,7 bilhões. No Brasil, a família foi considerada a terceira mais rica, segundo ranking divulgado pela revista em maio deste ano.

Antônio Ermírio trabalhava 12 horas por dia, mas ponderava que era preciso moderação. “Na vida, o meio termo é o correto, nem tanto ao mar,  nem tanto à terra. Eu acho que é preciso trabalhar, mas não se descuidar do lazer, para você, para sua família, para sua saúde inclusive”, disse durante uma entrevista à rádio CBN."

Veja a íntegra da nota do Grupo Votorantim:


É com grande pesar que o Grupo Votorantim comunica o falecimento do Dr.  Antônio Ermírio de Moraes, aos 86 anos, na noite deste domingo, 24 de agosto, em São Paulo.

Presidente de honra do Grupo Votorantim, Dr. Antônio era engenheiro metalúrgico formado pela Colorado School of Mines (EUA) e iniciou sua carreira no Grupo em 1949, sendo o responsável pela instalação da Companhia Brasileira de Alumínio, inaugurada em 1955.

Com o falecimento do Dr. Antônio Ermírio de Moraes, o Grupo Votorantim perde um grande líder, que serviu de exemplo e inspiração para seus valores, como ética, respeito e empreendedorismo, e que defendia o papel social da iniciativa privada para a construção de um país melhor e mais justo, com saúde e educação de qualidade para todos.

Dr. Antônio deixa a esposa, Dona Maria Regina Costa de Moraes, com quem teve nove filhos. O corpo será velado a partir das 9h desta segunda-feira no Salão Nobre do Hospital Beneficência Portuguesa e o cortejo sairá às 16h rumo ao Cemitério do Morumbi, onde o corpo será enterrado.



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