quarta-feira, 31 de maio de 2017

VALORES PERDIDOS DENTRO DE CASA

APRESENTAÇÃO
        

        No capítulo 15 do Evangelho escrito por Lucas encontramos o registro de três parábolas contadas por Jesus quando ministrava ensinamentos aos seus discípulos: 1 – Parábola da Ovelha Perdida; 2 – Parábola da Dracma Perdida e 3 – Parábola do Filho Pródigo.
         Todas elas nos trazem muitos e valiosos ensinamentos e esses textos são usados com muita frequência pelos pregadores da Palavra e também em ensinamentos expositivos, inclusive nas Escolas Bíblicas Dominicais.
         Busquei na Internet um estudo, o qual na verdade já conheço há alguns anos e até já tive oportunidade de pregar sobre ele em algumas igrejas.
         Vamos a ele:

VALORES PERDIDOS EM CASA
Lucas 15.8-10

 (Pr Walter Pacheco da Silveira, 9.8.2009 – Fonte: Ministério Monte Sião)

Introdução
Neste texto encontramos a história de uma casa em festa. É Jesus quem conta a história.
A personagem, uma mulher, reúne as suas amigas e as vizinhas, dizendo: “alegrem-se comigo”. Então, ela faz uma grande festa no bairro. 
A alegria é grande, é contagiante, é alegria de mais da conta! E esta alegria está no lugar onde mais precisamos: em casa! 
Precisamos muito da alegria em casa, porque quando existe alegria em casa, ao sair do trabalho, dá vontade de voltar pra casa... dar prazer sair da escola após as aulas e voltar pra casa; quando há alegria em casa, temos pressa de voltar pra casa... 
Até trabalhamos melhor e produzimos mais, quando a nossa casa vai bem... nos estudos não é diferente: muitos vão mal na escola porque estão indo mal em casa. 
Então, a história que Jesus conta, é cheia de verdade; aliás, Jesus é Mestre: as verdades destilam dEle.
E Ele está mostrando que há uma alegria no céu, por um pecador que se arrepende... 
Jesus mostra isso, usando nesta história, a figura de uma mulher que tinha dez moedas e perdeu uma dentro de casa... e como cada moeda era importante para aquela mulher, ela então, se pôs a procurar pela moeda perdida até encontrá-la. E, encontrando a moeda, ela faz uma grande festa. 
Jesus está mostrando: é isso que acontece no céu quando um pecador se arrepende... só que a festa lá é mais animada, é completa! 
Esse fato, irmãos, eu penso, se encaixa muito bem com a realidade de muitas casas hoje em dia – onde algo de valor foi perdido e precisa ser procurado até ser encontrado, para que a alegria, a festa em casa, seja restaurada. 
Essa mulher havia perdido dentro de sua casa uma moeda de valor.
Tem versões da Bíblia que chamam essa moeda de drácma, a moeda grega mais antiga, que equivalia a um dia de serviço bem pago na época...

Essa mulher, então, havia perdido dentro de sua casa um considerável valor... um dia de serviço! 
Agora, e quanto a nós? ...e quanto às nossas casas? Quais os valores que temos perdido dentro de nossa casa?
Vamos pensar em alguns:

1) Será que, dentro da nossa casa, sumiu o valor do respeito?

Me pergunto se temos considerado o valor do outro: Temos tratado as pessoas da nossa casa com dignidade, com respeito?
Ou dentro da nossa casa é uma gritaria só... gritaria do marido com a esposa, dos filhos com os pais, dos pais com os filhos, dos irmãos entre si, na mais completa falta de respeito ou de educação? 
Porque em muitas casas, hoje, tem havido gente egoísta, pessoas que pensam somente em si mesmas, procurando a qualquer preço passar os outros pra trás e, para conseguir isso, mentem, traem a confiança, pisam nos outros. 
Quantos de nós terá perdido dentro da própria casa o valor do respeito? 

2) Será que, dentro da nossa casa, sumiu o valor do carinho?O carinho é uma manifestação do amor verdadeiro, assim como o respeito. E esse é outro valor, quem sabe, perdido dentro de casa!

Quando na família não há mais nenhuma demonstração de carinho... quando os familiares não se beijam, não se abraçam... quando a mulher destrata o marido e o marido a mulher, os filhos aos pais e pais aos filhos, quando ninguém elogia ninguém... é porque o valor do carinho sumiu. 
Quantos hoje, dentro de casa, entram e saem sem dirigir palavra ao outro? ...eu gosto muito de ver retratos de família, mas quantas vezes vejo famílias unidas só no retrato! 
Isso acontece porque o valor do carinho foi perdido!


3) Será que, dentro da nossa casa, sumiu o valor da espiritualidade?

Eu estou pensando em alguns valores: como a moeda perdida representava um valor para aquela mulher, há outros valores que podem estar perdidos dentro da nossa casa.
E será a espiritualidade? Porque em muitas casas, a vida espiritual se resume apenas em ter um culto para assistir aos domingos pela manhã ou à noite, em algum endereço na cidade. 
E depois de tal culto, nada mais se fala sobre a vida espiritual... há casos da espiritualidade ter sido perdida, a tal ponto, que igreja, para a família, é só quando há casamento, batismo ou velório de alguém. 
Alguns ainda voltam a pensar um pouco em Deus, quando enfrentam uma enfermidade ou passam por uma situação difícil... mas tirando isso, a vida espiritual é como a moeda que se perdeu dentro de casa: não há mais louvor, vida de oração ou leitura da Bíblia!
Esse é um valor que está perdido! 
Quantos valores mais teremos perdido dentro de nossa casa?
Agora, como reencontrar os valores perdidos?
Nesse texto da Bíblia, a mulher perdeu, em sua casa, uma moeda de valor. 
E nesse texto podemos aprender sobre as atitudes sábias que ela teve para conseguir de volta o valor que havia perdido. 
Se estas atitudes forem imitadas por nós, também conseguiremos de volta os valores que estão desaparecidos dentro de nossas casas. 
Que atitudes essa mulher tomou para ter de volta o valor perdido?

DECIDA SER O HERÓI DA SUA CASA

Observe comigo que essa foi a atitude número 1 da mulher! Lemos no v.8, que ela decidiu procurar, ela mesma, o valor perdido.
Que atitude mais sábia! Porque tem pais, tem chefes de família, tem pessoas que perdem algo de valor e cruzam os braços, esperando que os outros apareçam para dar um jeito na situação pra eles! 
Os filhos estão rebeldes? ...mandam pra professora, mandam pro pastor dar um jeito nos filhos. Mas o que vemos nesse texto é a expressão da mulher “achei a minha moeda perdida”, porque foi ela quem procurou e achou. 
Você tem alguma coisa que precisa ser restaurada em sua casa, em sua família?
Faça como fez essa mulher: resolva que, você mesmo, com a ajuda de Deus, vai se mexer, vai se mover para conseguir de volta aquilo que perdeu. 
Talvez você até precise da ajuda de alguém, mas saia na frente... se mexa! Seja o herói da sua casa! 
....outra atitude sábia para ter de volta o valor perdido dentro de casa:

2) VALORIZE OS PEQUENOS DETALHES

A mulher tinha dez moedas de prata, perdeu apenas uma. Ficou com nove, com a maioria, mas antes de perder mais outra, ela atentou para os detalhes – ela parou para costurar a carteira, ela foi atrás do pequeno prejuízo.
Você já viu cupim? ...não aquela peça de carne... falou cupim, alguns logo escutam “carne”, mas me refiro ao inseto! 
O cupim é um pequeno inseto, é um detalhe, mas aos poucos corrói a estrutura de um grande armário. Você não pode ignorar a presença dele. 
Esse é o princípio aqui: você quer ver de volta algum valor perdido dentro de sua casa? Valorize os detalhes: não esqueça de desejar um “bom dia” ao se levantar... não deixe de expressar um “parabéns” a alguém, não se esqueça de usar um desodorante e de escovar os dentes, não esqueça as datas especiais... enfim, valorize os detalhes.
Já imaginou se a mulher tivesse pensado assim: “Ah! É só uma moeda que se perdeu, eu ainda tenho nove comigo... deixa aquela pra lá!” Se a mulher tivesse pensado assim, teria ficado no prejuízo, até correndo risco de perder mais. 
Você também fica no prejuízo quando não valoriza os detalhes. 
...terceira atitude sábia para rever o valor perdido dentro de casa:

3) NÃO ACEITE A PERDA COMO NATURAL

Jesus conta, na sua história, que a mulher foi procurar a moeda perdida. Isto é, ela não se assentou na cadeira da comodidade dizendo: “a vida é assim mesmo! É comum perder uma moeda tão pequena. Deixa pra lá!”
Não! Essa mulher reagiu, se mexeu, foi atrás... ela procurou. 
Quantos que perdem algo e se assentam na cadeira da comodidade, achando que o mundo é assim mesmo, não tem como melhorar, ou afirmando: “Meu marido não é carinhoso mesmo, deixa como está”. Ou: “Meu filho é rebelde mesmo, não tem conserto...”. 
Tem marido perdendo a esposa, esposa perdendo marido, pais perdendo o filho, filhos perdendo os pais, e achando isso natural... 
Não foi o caso dessa mulher... ela não aceitou a perda como natural.
Mas há muitos que aceitam... quantos que têm verdadeira riqueza perdida dentro de casa e não encontram de volta, porque também não procuram...   
Se você tem algum valor perdido dentro de sua casa (o valor do respeito, o valor do carinho, o valor da vida espiritual), decida agora mesmo, procurar um meio de salvar ou de rever aquele valor. 
Não aceite a perda como natural, porque não é. Natural é você conquistar e administrar os seus valores. 
...outra atitude sábia que aprendemos aqui para rever valores perdidos dentro de casa:

4) HUMILHE-SE PARA FAZER MUDANÇAS

A mulher, para achar a moeda perdida, varreu a casa. Ela apanhou a vassoura e levantou poeira. Foi varrer a casa até encontrar o seu valor perdido.
Sabe o que isso significa não é? ...é tirar o tapete do lugar, mover os móveis para outro canto. Varrer mexe com as coisas! 
É humilhante para uma dona-de-casa ter as coisas fora do lugar para uma boa varrida... mas talvez, esteja faltando isso em nossa casa: uma boa varrida.
Uma varrida na boca, para falar somente aquilo que for bom, que edifica... uma varrida em nosso tempo, para remover da agenda tudo que impede nossa dedicação à família... uma varrida em nossa mente, nosso coração, para ser mais santo, mais puro! 
A Bíblia diz (em Jo 16.8) que o Espírito Santo nos convence do pecado... Ele revela os cantos que precisam ser varridos dentro de casa, para que o valor perdido seja reencontrado. Seja humilde, aceite a revelação do Espírito Santo. 
...para rever valores perdidos dentro de casa, outra atitude sábia é:

5) SEJA ZELOSO

Uma expressão fortíssima nesse texto é a parte final do v.8, onde Jesus conta o seguinte: que a mulher “varre a casa e procura [a moeda] com muito cuidado até encontrá-la”.
A mulher só parou de procurar pelo valor perdido quando o encontrou. Ela foi zelosa. 
Há os que procuram por valores perdidos dentro de casa, mas procuram assim por cima... dão só uma olhada e dizem que não adianta procurar... procuram com má vontade, com preguiça... sem qualquer zelo. 
Muitas vezes estão até perto de conseguir de volta o que foi perdido, mas não acham. 
Se você quer a restauração de algum valor dentro de sua casa, tome isso como um ideal de vida. Não desista facilmente, procure até achar... seja zeloso. 
...por fim, para rever valores perdidos dentro de casa:

6) SOBRETUDO ACENDA A LUZ

Esta é a decisão mais importante... foi a primeira coisa que a mulher fez: ela acendeu a lamparina, a luz. Porque no escuro não dá para achar nada!
Talvez você ainda não tenha encontrado o carinho que perdeu dentro de sua casa, ou o respeito, ou a espiritualidade, porque falta acender a luz. Jesus é a luz! Ele disse: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará em trevas...” (Jo 8.12). Você precisa de luz, todos nós precisamos de luz. 
Por isso, quem se apegar à Jesus, vai ter sua vida, a sua casa iluminada, e isto é básico para encontrarmos os valores perdidos. 
Tem pessoas sofrendo porque perderam preciosos valores em casa e, sofrem mais, porque estão procurando e não acham... estão cansadas, desesperadas e desanimadas. Mas se elas se apegarem à Jesus, Ele as iluminará e ajudará. 
Estar apegado à Jesus é se entregar totalmente a Ele, deixando que Ele dirija a nossa vida e nos guie.

 Conclusão

Abra o coração e deixe Jesus entrar e, você terá luz para achar de volta aquilo que foi perdido.
Pode ter sido o respeito, o carinho, a fé ou outro valor... se você tiver Jesus, você vai conseguir de volta o valor perdido!




CONCLUSÃO

         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.

        Portanto, se você tiver qualquer contribuição a fazer, poderá entrar em contato comigo através do e-mail indicado no final desta publicação.


SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, professor e historiador diletante. 
É presbítero emérito da Igreja Presbiteriana do Brasil.

E-mail: prebwilson@hotmail.com

terça-feira, 30 de maio de 2017

SANTIDADE NO CASAMENTO

APRESENTAÇÃO

No próximo domingo (04-06-2017) deverei ministrar estudo sobre “Santidade no Casamento” na minha classe de Escola Bíblica Dominical na Igreja Presbiteriana Rocha Eterna, da qual sou um dos professores.

O estudo está estampado em uma revista adquirida para essa finalidade. Aliás, é bom que se diga que são treze lições,enfocando também outros temas, as quais são ministrados também na classe frequentada pelas mulheres e na classe de jovens (mista).

Buscando mais subsídios para enriquecer o tema, procurei na internet e selecionei este, o qual achei por bem compartilhar com os leitores do meu blog.

Vamos a ele:


"Viver a santidade no casamento é um desafio. As impurezas (pecados) tendem se incrustar em todos os compartimentos da vida conjugal.

Na vida financeira, por exemplo, o pecado pode estar presente na forma de propina, da sonegação, de retenção do dízimo (At 5.1-11).

Na vida sexual, a impureza está presente quando há egoísmo, pornografia, adultério, fornicação e outros pecados (I Co 6.15-20).

Nos relacionamentos com as famílias de origem o pecado está presente quando há amargura, falta de perdão, maledicência (GI 5.19-21).'

Gosto muito do conceito da “tenda sagrada do casamento”, de Gary Smaley, autor americano. Para ele, quando um casal chama Deus para fazer parte da vida conjugal está construindo uma tenda sagrada.

Um casal que deseja realmente deixar um legado para os filhos e netos, deve cultivar a presença de Deus em todas as áreas da vida a dois.

Para cultivar a santidade no casamento só tem um jeito: cultivar a presença de Deus. Deus não habita onde há pecado porque Ele é Santo ("Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo." - 1 Pedro 1:16).

Participar dos trabalhos da igreja é importante, ter um código de ética elevada também ajuda, mas é só com a presença de Deus nos corações que os cônjuges conseguirão evitar o pecado e viver a santidade que Deus deseja para a vida a dois.

Viver a santidade no casamento além de agradar a Deus, porque Ele é santo, há de causar um impacto na vida dos filhos e de todos que estiverem ao redor.

Paulo ao escrever sua carta aos Tessalonicenses exortou-os a viver uma vida de santidade ("Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação." - 1 Tessalonicenses 4:7). Esta é a vontade de Deus para todos, solteiros e casados. A luta contra o pecado, que tenta se alojar no coração de homens e mulheres, é grande e constante. Só tendo Deus presente no casamento é que a santidade será uma realidade.

Oremos:
1) Por mais santidade no casamento;
2) Para que os casais sejam santos na vida financeira;
3) Para que haja mais pureza na vida sexual no casamento;
4) Para que marido e mulher desenvolvam relacionamentos saudáveis com os familiares de seus cônjuges;
5) Para que nossos casamentos cultivem sempre a presença de Deus.

(Extraído do Livro 100 Dias de Oração
Escritor: Pr. Gilson Bifano
Diretor do Ministério OIKOS

Fonte: http://prdennermaia.blogspot.com.br/2013/10/34-dia-santidade-no-casamento-campanha.html


Pastor Gilson Bifano
(Autor do estudo)



Presb. Wilson Ribeiro e esposa
senhora Claudineide: 52 anos 
de casados. Ela também 
é professora na Escola
 Bíblica Dominical

CONCLUSÃO

         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.

        Portanto, se você tiver qualquer contribuição a fazer, poderá entrar em contato comigo através do e-mail indicado no final desta publicação.


SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, professor e historiador diletante. 
É presbítero emérito da Igreja Presbiteriana do Brasil.

E-mail: prebwilson@hotmail.com



quinta-feira, 25 de maio de 2017

A VISÃO DOS OSSOS SECOS: SIGNIFICADO

APRESENTAÇÃO             

         Esta é, talvez, uma das mais impressionantes narrativas da Bíblia Sagrada. Trata-se de uma visão que o Senhor deu ao profeta Ezequiel durante o exílio do povo hebreu na Babilônia.
         Mas qual é o significado da visão? Quais os ensinamentos que o texto nos traz?
         Selecionei dentre os estudos que encontrei na internet este, que é na verdade um pouco extenso, porém completo e esclarecedor.
Aprendamos juntos sobre esse legado profético do Velho Testamento.

"Veio sobre mim a mão do SENHOR; ele me levou pelo Espírito do SENHOR e me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor deles. Eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos.
Então, me perguntou: Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos? Respondi: SENHOR Deus, tu o sabes.
Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR. Assim diz o SENHOR Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós, e vivereis. Porei tendões sobre vós, farei crescer carne sobre vós, sobre vós estenderei pele e porei em vós o espírito, e vivereis. E sabereis que eu sou o SENHOR.
Então, profetizei segundo me fora ordenado; enquanto eu profetizava, houve um ruído, um barulho de ossos que batiam contra ossos e se ajuntavam, cada osso ao seu osso. Olhei, e eis que havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes, e se estendeu a pele sobre eles; mas não havia neles o espírito.
Então, ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.
Profetizei como ele me ordenara, e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exército sobremodo numeroso.
Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados.
Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. Sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu abrir a vossa sepultura e vos fizer sair dela, ó povo meu. Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra. Então, sabereis que eu, o SENHOR, disse isto e o fiz, diz o SENHOR."
Porque Deus dá essa visão à Ezequiel?
O profeta havia relatado a desolação que aconteceu na terra prometida nestes versículos: 5:14; 12:20; 23:33; 36:34. A despeito disso, o capítulo 37 é uma resposta de Deus para uma pergunta feita pela nação de Israel no capítulo 33:10:
Assim falais vós: Visto que as nossas prevaricações e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como, pois, viveremos?
Nesta visão dada por Deus à Ezequiel, o profeta entende que o Espírito de Deus reconstruiria os ossos mortos em uma nação, dando-lhes tendões, carne, pele e o sopro da vida.
Importa destacar que estes versículos devem ser lidos e interpretados em conjunto com a mensagem que se iniciou no capítulo 34 do livro de Ezequiel. A partir deste capítulo, o Senhor falou de um novo pastor (liderança) e novas oportunidades na terra de Israel (capítulo 35), com a esperança renovada para o crescimento e prosperidade (capítulo 36).
Estas promessas tão esplêndidas foram recebidas, logicamente, com dúvidas e incredulidade pelo povo de Israel. Vários exilados tinham testemunhado a total devastação de suas cidades. Além disso, estavam vivendo sob o punho de ferro dos babilônios, um país tão poderoso que uma mudança de dominação mundial parecia impossível nos próximos séculos. O povo de Israel via muitos aspectos negativos que os impedia de terem uma esperança de uma nação renovada. Como poderia vir, então, a restauração?
A resposta é: somente pelo poder de Deus! Deus regeneraria a nação de Israel, tornando-a forte e poderosa.
O Espírito do Senhor pôs Ezequiel “no meio de um vale” (v.1). Este vale havia sido o cenário de uma grande batalha e um enorme massacre: “o vale estava cheio de ossos” (v.1). Os mortos foram deixados onde caíram e ninguém se preocupou em sepultá-los.
Deus fez Ezequiel “andar ao redor dos ossos” (v.2), pois queria que o profeta tivesse uma ideia do número de vítimas e entendesse que ali não havia mais esperança de vida. Entretanto, Deus reafirma ao Seu povo, através desta visão, que Ele tem o poder de dar vida ao que está morto e que para Ele nada é impossível (Mc 10:27).
Deus explicou a Ezequiel que “estes ossos eram toda a nação de Israel” (v11), pois representavam a multidão de Seu povo. A aplicação havia de ser a toda casa de Israel, que incluía tanto o Reino do Norte como o Reino do Sul.
Alguns eruditos acham que Ezequiel teve a visão do vale dos ossos secos por volta de 585 a.C. Isto indica que a maioria dos cativos levados a Babilônia com o rei Joaquim haviam estado no exílio por mais de uma década. Muitos outros, como Daniel e reféns reais que os precederam, já estavam no cativeiro há pelo menos 20 anos (desde a primeira deportação em 606 a.C.). A destruição de Samaria em 722 a.C, e mais tarde a de Jerusalém, no ano 587 a.C, foram experiências dramáticas e traumáticas. Muitos israelitas “perderam a fé“, ou pelo menos viram suas esperanças reduzidas a pedaços por um Deus que parecia ter abandonado Seu povo à triste sorte (Is 49:14).
Os falsos profetas haviam anunciado que Israel ficaria pouco tempo (dois anos) no exílio babilônico. Mas, com o passar dos anos, a esperança dos exilados foram frustradas. Desvanecera-se toda a esperança de um exílio de pouca duração. Desalentados, os judeus consideravam-se como ossos mortos, branqueados pelo tempo, e espalhados à entrada da sepultura, incapazes de viver outra vez como nação. Segundo o profeta Ezequiel, muitos deportados estavam mais do que desanimados. Esta situação levou os exilados Israelitas a dizerem: “Nossos ossos se secaram e nossa esperança desvaneceu-se; fomos exterminados” (v. 11), visto que também o povo foi espalhado por todas as nações e isolados uns dos outros (conforme afirmam os livros de Jeremias e 2ªReis).
O povo não tinha mais esperança de um futuro melhor. A esperança é essencial à sanidade mental das pessoas. Por isso o sábio declarou: “A esperança que se adia faz adoecer o coração” (Pv 13:12). A perda da esperança produz cada vez mais a separação de Deus. Por isso, o Senhor tomou a iniciativa e deu ao profeta Ezequiel uma visão maravilhosa – uma mensagem de esperança para o povo.
Quanto à quantidade de ossos, Ezequiel observou que eram “mui numerosos” (v.2). Isso ilustra o grande número de israelitas no exílio. A nação que outrora fora muito poderosa era agora um vale de ossos. Além disso, os ossos estavam muito secos. Eles foram branqueados em conseqüência da exposição ao sol. Aparentemente, não havia mais esperança de restauração.
Deus perguntou a Ezequiel: “Filho do homem (quer dizer: homem mortal), acaso poderão reviver estes ossos?” (v. 3). O que Ezequiel poderia lhe responder? A resposta para aquela pergunta parecia óbvia. O que nós responderíamos? Humanamente falando, deveríamos responder com um sonoro “não” àquela pergunta divina. Os céticos e os incrédulos diriam: Isso é impossível!
No entanto, Ezequiel conhecia o incrível poder de Deus, de modo que respondeu, dizendo: “Eu não sei, mas Tu o sabes.” Seu senso como homem mortal lhe dizia que era impossível; mas por reverência a Deus, respondeu: “Senhor Deus, Tu o sabes.
Ezequiel sabia que estes ossos secos poderiam reviver por que Deus podia criar algo do nada absoluto, ademais, o profeta sabia que Deus sempre cumpre Suas promessas. É por isso que o apóstolo Paulo disse: “Pois tantas quantas forem as promessas feitas por Deus, todas elas têm em Cristo o ‘sim’. Por isso, por meio dele, o ‘Amém’ é pronunciado por nós para a glória de Deus” (2 Co 1:20).
Deus havia advertido séculos antes que os israelitas seriam levados ao cativeiro, mas também fez promessas de que os traria de volta das terras estrangeiras (Dt 4:27-29; 30:1-3; 2 Cr 6:36-38; Is 10:22; Os 3:5; Jr 30:10, etc.). A confortante mensagem para Ezequiel era que os ossos secos poderiam viver novamente, porque esse era o plano de Deus. Sobre isso, Deus falou por meio do profeta Jeremias:
Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado por vós, diz o SENHOR, e farei mudar a vossa sorte; congregar-vos-ei de todas as nações e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o SENHOR, e tornarei a trazer-vos ao lugar donde vos mandei para o exílio. (Jr 29:11-14)
O que Deus planejou pode tardar por causa das rebeliões humanas, mas os Seus planos jamais podem ser frustrados:
Bem sei que tudo podes, e que nenhum dos teus planos pode ser frustrado. (Jó 42:2)
O Senhor levará adiante os planos que tem para com o seu povo ao longo da história.
Deus demonstrou que o processo de reavivamento em Israel ocorreria respectivamente em duas etapas:
A primeira etapa consistiria na pregação da Palavra de Deus: “Então ele me disse: Profetize a estes ossos e diga-lhes: Ossos secos ouçam a palavra do Senhor!” (v. 4). Conforme se observa na criação e por toda a Escritura, a palavra de Deus tem um tremendo poder. Ele trouxe o mundo à existência com as palavras de Sua boca e a Sua palavra fará que o mundo chegue a seu fim (2 Pe 3:7).
Deus disse a Ezequiel para profetizar sobre aqueles ossos e dizer-lhes: “Ossos secos, ouçam a palavra do Senhor!“. Ironicamente, Ezequiel alcançaria melhores resultados profetizando sobre aqueles ossos secos do que pregando para as pessoas vivas em Israel.
O Senhor deu a Ezequiel uma visão das coisas que haveriam de acontecer. Disse que poria tendões e faria crescer carne naqueles ossos secos e os cobriria de pele. Finalmente, poria dentro deles o “fôlego de vida” e os faria viver novamente (vs. 5, 6).
Ezequiel, então, profetizou para aqueles ossos e, enquanto estava falando, Deus começou sua surpreendente obra. Durante o sermão de Ezequiel, ocorreu uma comoção. Um tremor perturbou sua mensagem. Era o ruído que os ossos secos faziam ao articularem-se, enquanto se juntavam uns aos outros, movendo-se cada um ao lugar que lhe correspondia no corpo. A versão da Sociedade Bíblica Brasileira traduz o verso 7 como segue: “Assim profetizei, como fui ordenado. Enquanto eu profetizava, houve um estrondo, e eis que se fez um terremoto, e os ossos se achegaram osso ao seu osso”. O “ruído” que se descreve não foi um terremoto, mas o barulho dos ossos que se encaixavam. Todos os 206 ossos do corpo humano se encaixaram em seu lugar. A frase “cada osso ao seu osso” representa uma completa restauração da nação israelita.
Logo após, os tendões, a carne e a pele apareceram sobre os ossos. Todo o vale estava cheio de corpos humanos. Porém, faltava algo. Ao final, o profeta fez uma constatação significativa: “não havia neles o fôlego de vida” (v. 8). O que havia acontecido era algo extraordinário, mas os “ouvintes”, no entanto, ainda consistiam em homens sem vida.
Da mesma forma como havia sucedido com outros grandes profetas de Deus, que haviam pregado grandes mensagens àquele povo, que se estilhaçaram contra ouvidos surdos (Is 6.10), pode ser que aos servos de Deus se lhes mande pregar a uma “igreja morta”. Não obstante, homens fiéis pregam seus sermões, crendo no poder da Palavra de Deus, para levar vida àqueles que estão mortos.
A segunda etapa do reavivamento consistiria no enchimento do Espírito Santo:
E ele me disse: Profetiza ao Espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao Espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó Espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. E profetizei como ele me deu ordem; então o Espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo.” (v. 9,10)
Assim como Deus amorosamente soprou o “fôlego de vida” nas narinas de Adão, de modo que este “se tornou um ser vivente” (Gn 2.7), Deus mandou que Ezequiel profetizasse ao Espírito pedindo a Ele para que outorgasse vida a este vasto exército de cadáveres.
Afirmar que o Espírito viria dos “quatro ventos“, significa dizer que Ele viria de todas as direções, ou seja, dos quatro cantos da terra (Ez 7.2). O Espírito do Senhor não procede dos ventos, no sentido de identidade com eles, mas de todos os cantos da terra. Temos aqui, portanto, o sentido da onipresença e plenitude do Espírito, para infundir naqueles corpos mortos o fôlego de vida.
Qual é o significado dessas duas etapas?
A diferença entre elas certamente se encontra no sentido das expressões proféticas de Ezequiel: primeiro ele dirige-se aos ossos, ordenando que eles ouçam; e depois, ao Espírito de Deus, invocando a sua inspiração. A primeira etapa deve ter sido muito semelhante à ocupação de Ezequiel, exortando pessoas sem vida a ouvirem a palavra de Deus. O efeito era limitado: aconteceu algo fora do comum, houve barulho, houve movimentação, mas os ouvintes ainda eram pessoas mortas. A segunda ação equivaleu ao ato de orar, pois Ezequiel suplicou que o Espírito de Deus efetuasse o milagre da recriação, soprando o fôlego de vida nas narinas dos seres viventes. Desta vez o efeito foi surpreendente. O que a pregação não conseguiu realizar por si mesma, tornou-se uma realidade pela oração.
O fiel profeta fez como lhe foi mandado e, igualmente como suas demais profecias, viu os resultados imediatos.
É interessante notar que, em toda a visão, Ezequiel havia atuado recebendo ordens e descreveu sua obediência implícita aos mandamentos de Deus (vs. 7 e 10). Ao fazer isto, ele realça que o avivamento é obra de Deus, do princípio ao fim. Se o homem desempenha alguma parte dela, somente o faz por obedecer a direção de Deus. O mesmo se pode dizer da contribuição do homem a qualquer avivamento espiritual.
O Espírito fez sua obra e um exército grande em extremo se encheu de vida, estando sobre seus pés e atentos. Foi deste modo que a visão terminou.
Deus prometeu que daria vida a Seu povo morto, colocando neles o seu Espírito e o traria de volta a terra de Israel. Ele disse: “Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra” (v. 14).
O poder humano jamais poderia dar vida àquela nação morta. Pelo poder do Espírito, eles seriam libertos de suas sepulturas no cativeiro, se lhes restituiria o favor divino, e haveriam de retornar à terra amada: “Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel” (v. 12). “Trazer” é uma palavra chave, que aparece com freqüência neste livro (56 vezes) e em Jeremias (cerca de 40 vezes). Seu significado é visto neste evento como algo que acontece por intervenção divina. Somente Deus poderia trazer os israelitas de volta à sua terra.
Ao repetir uma das frases chave do livro de Ezequiel, Deus declarou que esta ação ensinaria a Israel que Ele é Senhor Jeová: “Sabereis que eu sou o SENHOR” (v. 13). Esses eventos lhes ensinariam a lição mais importante de que Deus é o Senhor Jeová e que Ele é Soberano.
O povo exilado reconhecia que não tinham esperança, pois tudo dava sinais de estarem perdidos. Deus referiu-se a eles como se estivessem sendo sepultados. Mas o Senhor procurou aquietar a lamentação e o pranto de Seu povo com a gloriosa promessa de que “ressuscitaria” a nação e tornaria a estabelecê-la na terra que lhe havia dado. Quando eles saíssem de suas sepulturas, ninguém poderia reivindicar reconhecimento para si mesmo: “Então, sabereis que eu, o SENHOR, disse isto e o fiz, diz o SENHOR” (v. 14). Aquele seria um ato exclusivo de Deus!
Agora, o plano estava completo. Em primeiro lugar, deveria haver a restauração física, a qual Deus fez quando ressuscitou a nação morta, levantando-os da sepultura (cativeiro). Em segundo lugar, a restauração espiritual era necessária, pois um povo espiritualmente vivo teria condições de obedecer às exigências da Aliança feita com o Senhor (Ez 36:27).
De maneira sobrenatural, o Espírito de Deus usou o rei Ciro como instrumento na “ressurreição” de Israel como nação. O decreto do rei, divulgado por todo o seu reino (Esdras 1), como que foi para os exilados um sopro revivificador. A nação pôde se levantar da sepultura do seu exílio, como um poderoso exército, marchando harmoniosamente em direção à pátria, para reassumir sua posição entre os países vizinhos.
O vale de ossos secos contém muitos ensinamentos. Ele retrata uma nação em ruínas, que Deus prometeu vivificar, reformar e restaurar, como antecipação da vinda do Messias. O poderoso Espírito que reavivou a Israel ainda é capaz de avivar todos aqueles que estão mortos espiritualmente: “Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5:14).
Transcrito e adaptado de: Daniel Miranda Gomes
Fonte: http://www.raciociniocristao.com.br/2015/08/significado-visao-vale-ossos-secos/


CONCLUSÃO

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SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, professor e historiador diletante. 
É presbítero emérito da Igreja Presbiteriana do Brasil.

E-mail: prebwilson@hotmail.com