quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O PERÍODO INTERTESTAMENTÁRIO

APRESENTAÇÃO

        
Neste trabalho estamos transcrevendo material que selecionamos na internet sobre um assunto pouco conhecido pela maioria das pessoas que têm convivência com a Bíblia Sagrada. Trata-se do período de quatrocentos anos decorridos entre o fim das narrativas do Velho Testamento (Malaquias) e o início do Novo Testamento (Mateus).
         Esse lapso de tempo é conhecido como Período Intertestamentário ou Período Interbíblico. Foi um período muito triste para o povo judeu, quando nenhum profeta falou da parte de Deus ao povo que Ele escolheu para servi-Lo.Vamos ao texto:


I. Desenvolvimento Político
A Expressão “400 anos de silêncio”, freqüentemente empregada para descrever o período entre os últimos eventos do A.T. e o começo dos acontecimentos do N.T. não é correta nem apropriada. Embora nenhum profeta inspirado se tivesse erguido em Israel durante aquele período, e o A.T. já estivesse completo aos olhos dos judeus, certos acontecimentos ocorreram que deram ao judaísmo posterior sua ideologia própria e, providencialmente, prepararam o caminho para a vinda de Cristo e a proclamação do Seu evangelho.
Supremacia Persa
Por cerca de um século depois da época de Neemias, o império Persa exerceu controle sobre a Judéia. O período foi relativamente tranqüilo, pois os persas permitiam aos judeus o livre exercício de suas instituições religiosas. A Judéia era dirigida pelo sumo sacerdotes, que prestavam contas ao governo persa, fato que, ao mesmo tempo, permitiu aos judeus uma boa medida de autonomia e rebaixou o sacerdócio a uma função política. Inveja, intriga e até mesmo assassinato tiveram seu papel nas disputas pela honra de ocupar o sumo sacerdócio. Joanã, filho de Joiada (Ne 12.22), é conhecido por ter assassinado o próprio irmão, Josué, no recinto do templo.
A Pérsia e o Egito envolveram-se em constantes conflitos durante este período, e a Judéia, situada entre os dois impérios, não podia escapar ao envolvimento. Durante o reino de Artaxerxes III muitos judeus engajaram-se numa rebelião contra a Pérsia. Foram deportados para Babilônia e para as margens do mar Cáspio.
Alexandre, o Grande
Em seguida à derrota dos exércitos persas na Ásia Menor (333 AC), Alexandre marchou para a Síria e Palestina. Depois de ferrenha resistência, Tiro foi conquistada e Alexandre deslocou-se pra o sul, em direção ao Egito. Diz a lenda que quando Alexandre se aproximava de Jerusalém o sumo sacerdote Jadua foi ao seu encontro e lhe mostrou as profecias de Daniel, segundo as quais o exército grego seria vitorioso (Dn 8). Essa narrativa não é levada a sério pelos historiadores, mas é fato que Alexandre tratou singularmente bem aos judeus. Ele lhes permitiu observarem suas leis, isentou-os de impostos durante os anos sabáticos e, quando construiu Alexandria no Egito (331 AC), estimulou os judeus a se estabelecerem ali e deu-lhes privilégios comparáveis aos seus súditos gregos.
A Judéia sob os Ptolomeus
Depois da morte de Alexandre (323 AC), a Judéia, ficou sujeita, por algum tempo a Antígono, um dos generais de Alexandre que controlava parte da Ásia Menor. Subseqüentemente, caiu sob o controle de outro general, Ptolomeu I (que havia então dominado o Egito), cognominado Soter, o Libertador, o qual capturou Jerusalém num dia de sábado em 320 AC Ptolomeu foi bondoso para com os judeus. Muitos deles se radicaram em Alexandria, que continuou a ser um importante centro da cultura e pensamento judaicos por vários séculos. No governo de Ptolomeu II (Filadelfo) os judeus de Alexandria começaram a traduzir a sua Lei, i.e., o Pentateuco, para o grego. Esta tradução seria posteriormente conhecida como a Septuaginta, a partir da lenda de que seus setenta (mais exatamente 72 - seis de cada tribo) tradutores foram sobrenaturalmente inspirados para produzir uma tradução infalível. Nos subseqüentes todo o Antigo Testamento foi incluído na Septuaginta.
A Judéia sob os Selêucidas
Depois de aproximadamente um século de vida dos judeus sob o domínio dos Ptolomeus, Antíoco III (o Grande) da Síria conquistou a Síria e a Palestina aos Ptomeus do Egito (198 AC). Os governantes sírios eram chamados selêucidas porque seu reino, construído sobre os escombros do império de Alexandre, fora fundado por Seleuco I (Nicator).
Durante os primeiros anos de domínio sírio, os selêucidas permitiram que o sumo sacerdote continuasse a governar os judeus de acordo com suas leis. Todavia, surgiram conflitos entre o partido helenista e os judeus ortodoxo. Antíoco IV (Epifânio) aliou-se ao partido helenista e indicou para o sacerdócio um homem que mudara seu nome de Josué para Jasom e que estimulava o culto a Hércules de Tiro. Jasom, todavia, foi substituído depois de dois anos por uma rebelde chamado Menaém (cujo nome grego era Menelau). Quando partidários de Jasom entraram em luta com os de Menelau, Antíoco marcho contra Jerusalém, saqueou o templo e matou muitos judeus (170 AC). As liberdades civis e religiosas foram suspensas, os sacrifícios diários forma proibidos e um altar a Júpiter foi erigido sobre o altar do holocausto. Cópias das Escrituras foram queimadas e os judeus foram forçadas a comer carne de porco, o que era proibido pela Lei. Uma porca foi oferecida sobre ao altar do holocausto para ofender ainda mais a consciência religiosa dos judeus.

Os Macabeus
Não demorou muito para que os judeus oprimidos encontrassem um líder para sua causa. Quando os emissários de Antíoco chegaram à vila de Modina, cerca de 24 quilômetros a oeste de Jerusalém, esperavam que o velho sacerdote, Matatias, desse bom exemplo perante o seu povo, oferecendo um sacrifício pagão. Ele, porém, além de recusar-se a fazê-lo, matou um judeu apóstata junto ao altar e o oficial sírio que presidia a cerimonia. Matatias fugiu para a região montanhosa da Judéia e, com a ajuda de seus filhos, empreendeu uma luta de guerrilhas contra os sírios. Embora os velho sacerdote não tenha vivido para ver seu povo liberto do jugo sírio, deixou a seus filhos o término da tarefa. Judas, cognominado “o Macabeu”, assumiu a liderança depois da morte do pai. Por volta de 164 AC Judas havia reconquistado Jerusalém, purificado o templo e reinstituído os sacrifícios diários. Pouco depois das vitórias de Judas, Antíoco morreu na Pérsia. Entretanto, as lutas entre os Macabeus e os reis selêucidas continuaram por quase vinte anos.
Aristóbulo I foi o primeiro dos governantes Macabeus a assumir o título de “Rei dos Judeus”. Depois de um breve reinado, foi substituído pelo tirânico Alexandre Janeu, que, por sua vez, deixou o reino para sua mãe, Alexandra. O reinado de Alexandra foi relativamente pacífico. Com a sua morte, um filho mais novo, Aristóbulo II, desapossou seu irmão mais velho. A essa altura, Antípater, governador da Iduméia, assumiu o partido de Hircano, e surgiu a ameaça de guerra civil. Conseqüentemente, Roma entrou em cena e Pompeu marchou sobre a Judéia com as suas legiões, buscando um acerto entre as partes e o melhor interesse de Roma. Aristóbulo II tentou defender Jerusalém do ataque de Pompeu, mas os romanos tomaram a cidade e penetraram até o Santo dos Santos. Pompeu, todavia, não tocou nos tesouros do templo.
Roma
Marco Antônio apoiou a causa de Hircano. Depois do assassinato de Júlio Cesar e da morte de Antípater (pai de Herodes), que por vinte anos fora o verdadeiro governante da Judéia, Antígono, o segundo filho de Aristóbulo, tentou apossar-se do trono. Por algum tempo chegou a reina em Jerusalém, mas Herodes, filho de Antípater, regressou de Roma e tornou-se rei dos judeus com apoio de Roma. Seu casamento com Mariamne, neta de Hircano, ofereceu um elo com os governantes Macabeus.
Herodes foi um dos mais cruéis governantes de todos os tempos. Assassinou o venerável Hircano (31 AC) e mandou matar sua própria esposa Mariamne e seus dois filhos. No seu leito de morte, ordenou a execução de Antípater, seu filho com outra esposa. Nas Escrituras, Herodes é conhecido como o rei que ordenou a morte dos meninos em Belém por temer o Rival que nascera para ser Rei dos Judeus.
II. Grupos Religiosos dos Judeus
Quando, seguindo-se à conquista de Alexandre, o helenismo mudou a mentalidade do Oriente Médio, alguns judeus se apegaram ainda mais tenazmente do que antes à fé de seus pais, ao passo que outros se dispuseram a adaptar seu pensamento às novas idéias que emanavam da Grécia. Por fim, o choque entre o helenismo e o judaísmo deu origem a diversas seitas judaicas.
Os Fariseus
Os fariseus eram os descendentes espirituais dos judeus piedosos que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus. O nome fariseu, “separatista”, foi provavelmente dado a eles por seu inimigos, para indicar que eram não-conformistas. Pode, todavia, ter sido usado com escárnio porque sua severidade os separava de seus compatriotas judeus, tanto quanto de seus vizinhos pagãos. A lealdade à verdade às vezes produz orgulho e ate mesmo hipocrisia, e foram essas perversões do antigo ideal farisaico que Jesus denunciou. Paulo se considerava um membro deste grupo ortodoxo do judaísmo de sua época. (Fp 3.5).
Saduceus
O partido dos saduceus, provavelmente denominado assim por causa de Zadoque, o sumo sacerdote escolhido por Salomão (1Rs 2.35), negava autoridade à tradição e olhava com suspeita para qualquer revelação posterior à Lei de Moisés. Eles negavam a doutrina da ressurreição, e não criam na existência de anjos ou espíritos (At 23.3). Eram, em sua maioria, gente de posses e posição, e cooperavam de bom grado com os helenistas da época. Ao tempo do N.T. controlavam o sacerdócio e o ritual do templo. A sinagoga, por outro lado, era a cidadela dos fariseus.
Essênios
O essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mudanismo dos saudceus. Os essênios se retiravam da sociedade e viviam em ascetismo e celibato. Davam atenção à leitura e estudo das Escrsturas, à oração e às lavagens cerimoniais. Suas posses eram comuns e eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade. Tanto a guerra quanto a escravidão era contrárias a seus princípios.
O mosteiro em Qumran, próximo às cavernas em que os Manuscrito do Mar Morto foram encontrados, é considerado por muitos estudiosos como um centro essênio de estudo no deserto da Judéia. Os rolos indicam que os membros da comunidade haviam abandonado as influências corruptas das cidades judaicas para prepararem, no deserto, “o caminho do Senhor”. Tinham fé no Messias que viria e consideravam-se o verdadeiro Israel para quem Ele viria.
Escribas
Os escribas não eram, estritamente falando, uma seita, mas sim, membros de uma profissão. Eram, em primeiro lugar, copista da Lei. Vieram a ser considerados autoridades quanto às Escrituras, e por isso exerciam uma função de ensino. Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com os quais aparecem freqüentemente associados no N.T.
Herodianos
Os herodianos criam que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que procurou romanizar a Palestina em sua época. Os herodianos eram mais um partido político que uma seita religiosa.
A opressão política romana, simbolizada por Herodes, e as reações religiosas expressas nas reações sectárias dentro do judaísmo pré-cristão forneceram o referencial histórico no qual Jesus veio ao mundo. Frustrações e conflitos prepararam Israel para o advento do Messias de Deus, que veio na “plenitude do tempo” (Gl 4.4)

Adaptado de “From Malachi to Matthew”, de Charles F. Pfeiffer.
Fonte:  “A Bíblia Anotada”
 



CONCLUSÃO

         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.
        Portanto, se você tiver qualquer contribuição a fazer, poderá entrar em contato comigo através do e-mail indicado no final desta publicação


SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, pedagogo e historiador diletante. 
É presbítero em exercício da Igreja Presbiteriana do Brasil, servindo atualmente na Igreja Presbiteriana Rocha Eterna de Sorocaba.
E-mail: prebwilson@hotmail.com


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

RUTE - A MOABITA

APRESENTAÇÃO



O tema que escolhemos  e transcrevemos hoje versa sobre Rute, a moabita, personagem bastante conhecida pelos que estudam a Bíblia, em especial as mulheres, visto que as atitudes dessa mulher podem perfeitamente trazer  interessantes lições.
         Só o fato de ser uma estrangeira e vir a participar da História do povo de Israel a ponto de se tornar ancestral do rei mais famoso do povo hebreu – Davi – e por conseguinte de Jesus, já é motivo suficiente para que queiramos aprender um pouco mais sobre essa personagem.
Vamos, pois, ao estudo:

O livro de Rute fazia parte da coleção dos livros sagrados que se liam publicamente por ocasião de certos aniversários; por se tratar de assunto relativo às colheitas, liam-se nos dias de Pentecostes, que era a festa das colheitas. O livro de Rute figura na lista dos livros canônicos logo depois do livro de Juízes, tanto na versão da LXX quanto na enumeração feita por Josefo.

A história de Rute se passa no tempo dos Juízes, num período de desobediência, idolatria e violência. Conta como uma mulher viúva, moabita, que mesmo sendo de uma nação proibida de entrar na congregação do Senhor, eternamente (Dt 23.3-4), decidiu seguir o povo de Deus, se tornou bisavó de Davi e ancestral do Messias.
Essa história desenrola-se entre o mandato dos juízes Gideão e Jefté. O livro reflete um período transitório de paz entre Israel e Moabe (Jz 3.12-30). Oferece uma série de vislumbres da vida de membros de uma família israelita. Apresenta também um relato ameno de como permanecera um pouco de fé e piedade genuína no período dos juízes, suavizando um retrato da época que se não fosse por isso, seria totalmente obscuro.
AUTOR
A autoria do livro é desconhecida. Devido a genealogia no capítulo 4 que vai até Davi, mas não até Salomão, alguns estudiosos entendem que este livro tenha sido escrito depois de Davi ser ungido rei, mas antes de assumir o trono, quando Samuel ainda era vivo, por isso uma tradição judaica atribui a autoria do livro de Rute ao profeta Samuel.

COMPOSIÇÃO E PROPÓSITO

Apesar de situado na Bíblia após o livro de juízes, a exemplo da Septuaginta e da Vulgata Latina, a ordem judaica coloca o livro na terceira divisão do cânon, entre os Escritos. Por isso não é considerado parte da história deuteronomista.

Essa comovente história tem provocado diferentes conclusões quanto ao seu propósito. Uma história como essa não precisa de moral para justificar sua popularidade, porém não há duvidas de que ela tem uma moral ou um propósito teológico. Os interpretes da Bíblia não tem dificuldade em encontrar um propósito; o desafio tem sido encontrar um tema central que perpasse todo o texto.

Propósito principal – mostrar como uma mulher gentia se converteu em um dos antepassados de Cristo.

O livro de Rute tem sido interpretado como celebração do seguinte:
1 - Que um convertido, mesmo sendo de Moabe, pode ser fiel ao Senhor e obter filiação plena em Israel.
2 – Que qualidades como lealdade e fidelidade as leis do Senhor demonstradas por um estrangeiro podem servir de modelo para o povo de Israel.

Boaz é o modelo para o parente que redime, ao passo que Rute reflete graciosamente o amor fiel de Deus a quem busca refúgio em suas asas.

Como o livro termina em Davi, muitos o consideram uma mensagem relativa ao rei. A questão é:
- O que o livro quer transmitir sobre ele?
- É uma tentativa de explicar e desculpar sua ascendência estrangeira?
- Pretende mostrar a providência divina em ação para preservar a linhagem da qual era herdeiro?

Outros consideram a ligação de Davi com o livro, secundária. Acreditam que o propósito é promover a conversão de povos estrangeiros ou desmotivar o casamento de israelitas com eles. Ambas as ideias são difíceis de apoiar por causa da mudança da situação descrita na obra e por causa do seu tom suave.

DIFICULDADES
Questões que tem fascinado estudiosos surgem diretamente de elementos estranhos da narrativa. Estes podem ser divididos em grupos:
1 – Questões relacionadas com as dificuldades de definir a data e origem do livro.
2 – Questões sobre costumes legais, especialmente as obrigações familiares de um parente próximo de uma pessoa falecida.

TEMA
Providência divina. Diante da tragédia que se abateu na família de Elimeleque, Deus recompensou amplamente a piedade de Noemi e a lealdade de Rute.

Como a vida de uma jovem moabita foi enriquecida:
1 – Por meio da constância de uma sábia escolha (1.16).
2 – Por meio de um trabalho humilde (2.2-3).
3 – Ao aceitar o conselho de uma amiga mais idosa e experiente (3.1-5).
4 – Por meio de uma aliança providencial (4.10-11).
5 – Por sua exaltação em uma família real (4.13-17).

TEOLOGIA
Talvez pareça surpreendente que quem reflete o amor de Deus seja uma moabita, povo que foi amaldiçoado pelo próprio Deus, por terem agido como inimigos do povo de Israel durante a caminhada deles no deserto em direção a Canaã (Dt 23.3-4). No entanto, sua total lealdade à família israelita que a acolheu por casamento e sua devoção total à sogra Noemi, tornam essa mulher verdadeira filha de Israel, ancestral de Davi e por consequência de Jesus. É um exemplo claro que Deus não escolhe ninguém por causa da família, nação ou povo, mas sim por ajustar a sua vida a vontade de Deus. Rute, ao ser incluída na linhagem de Jesus, significa que todos as nações serão aceitas e representados no reino de Deus.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
A narrativa é caracteristicamente histórica, e confirma a harmonia que se observa nas circunstâncias do tempo e das relações cordiais existentes entre Israel e Moabe (1 Sm 22.3-4). Os fatos são registrados sem comentário algum, o que vem provar que foram escritos antes do cativeiro. A linguagem é semelhante aos escritos daquela época, em paralelo com o livro de Juízes. O livro de Rute não recebeu a sua forma literária final, senão muito tempo depois dos acontecimentos que ele contém; o que vem explicar o costume de tirar o sapato do pé em sinal de testemunho na aquisição de propriedade, usado nos tempos primitivos.


Embora seja um documento de clara importância histórica sobre o período dos juízes, a narrativa do livro é desenvolvida com intensidade dramática. A história move-se rapidamente através de vários estágios, cada um sendo marcado por elementos de ironia e suspense, todos contribuindo para comprovar a fidelidade da providência divina. O Senhor inspira o retorno de Noemi para Israel, a fidelidade de Rute, a aliança e o apego correto de Boaz no cumprimento da lei. O livro fecha com uma genealogia do rei Davi, o descendente de Boaz, o israelita e de Rute a moabita, uma jovem viúva que se refugiou sobre as asas do Senhor Deus de Israel (2.12).

Rute e Boaz fazem parte de uma genealogia mais extensa onde a graça de Deus é combinada com a fraqueza humana.

O QUE ERA O RESGATADOR?

O sistema do levirato é explicado na literatura israelita em Deuteronômio 25.5-10. De acordo com essa lei, se um homem morresse sem deixar filhos, o irmão era obrigado a gerar um filho com a viúva. Posteriormente, esse filho seria considerado herdeiro do irmão falecido. Assim as famílias não teriam fim.

A interpretação do costume do levirato é condizente com direitos de resgate de terras e introduz o contexto legal do livro de Rute. O termo “Resgatador” é tirado da lei de resgate de terras (Lv 25.25-31, 47-55). Segundo essa lei, a terra vendida podia ser comprada de volta por um parente para manter a terra na família. Tanto a lei da terra quanto o levirato tinham o propósito de preservar família e terra, questões essenciais na aliança. Eram provisões sociais pelas quais as promessas divinas continuariam a se realizar mesmo para famílias em crise.

QUEM ERAM OS MOABITAS?

Os moabitas são descendentes de Ló com sua filha primogênita. Estabeleceram-se na Transjordânia, território entre o mar Morto e o deserto da Arábia, anteriormente ocupada pelos emins, conhecidos também como refains ou enaquins (Deuteronômio 21.10-11). Muitas vezes faziam incursões predatórias em Israel; “em bandos costumavam invadir a terra, à entrada do ano” (2 Reis 13.20). Combatidos por juízes e por Saul, foram definitivamente vencidos por Davi. Tinham religião politeísta e um regime monárquico. Seus deuses principais eram Quemos, Atar e Baal-Peor. Inscrições encontradas coincidem com os da Bíblia e mostram que Quemos era o deus de Moabe.

ESBOÇO DE RUTE

ANÁLISE HISTÓRICA
Sobre Noemi:
1-    Sua permanência em Moabe (1.1-5).
2-    Seu triste regresso à Belém (1.6-22).

Sobre Rute:
1-    Respiga nos campos de Boaz (cap. 2).
2-    Seu casamento com Boaz (4.13)
3-    O nascimento de seu filho Obede, avô de Davi (4.13-16).
4-    Na genealogia de Davi (4.18-22).




FONTES:
Panorama Bíblico Avançado – Editora Quadrangular
Panorama do Antigo Testamento – Editora Vida
Bíblia de Estudo NVI – Editora Vida
Bíblia de Estudo de Genebra – SBB
Bíblia Thompson – Editora Vida
Novo Dicionário da Bíblia John Davis - Editora Hagnos




CONCLUSÃO

         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.
        Portanto, se você tiver qualquer contribuição a fazer, poderá entrar em contato comigo através do e-mail indicado no final desta publicação


SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, pedagogo e historiador diletante.
 É presbítero em exercício da Igreja Presbiteriana do Brasil, servindo atualmente na Igreja Presbiteriana Rocha Eterna de Sorocaba.

E-mail: prebwilson@hotmail.com

sábado, 19 de setembro de 2015

FOTOS DE ATOS CÍVICOS NA LOCALIDADE DE ALUMÍNIO, SP

APRESENTAÇÃO

         Nesta postagem estou reunindo as fotos sobre manifestações de civismo que tenho em meus trabalhos no blog e outras publicadas nas redes sociais e que retratam uma época áurea da localidade de Alumínio, em especial nas décadas de 1960 e 1970 embora possam aparecer algumas que estejam fora desse período.
         A finalidade deste trabalho é reunir em um só lugar essas fotografias temáticas, preservando-as para que todos que quiserem possam apreciá-las a qualquer tempo.
         Não tive a preocupação em identificar as personagens de cada foto, data, etc., pois não tenho mesmo as condições para fazer isso com precisão. Assim, elas estão identificadas apenas com numerais.

         Espero que apreciem.



1


2


3


4


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HOMENAGEM



Nossa homenagem ao Engenheiro Antonio de Castro Figueirôa, que no decorrer de sua administração como Diretor Industrial da Cia. Brasileira de Alumínio (1955-1985) nunca mediu esforços para que as festas cívicas realizadas em Alumínio tivessem o máximo de brilhantismo.
Postagem sobre o Dr. Figueirôa, com biografia, fotos etc. você poderá visualizá-la clicando aqui:


CONCLUSÃO

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SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, pedagogo e historiador diletante.
 É presbítero em exercício da Igreja Presbiteriana do Brasil, servindo atualmente na Igreja Presbiteriana Rocha Eterna de Sorocaba.
Foi professor, correspondente jornalístico e vereador em Alumínio e em Mairinque, SP.
E-mail: prebwilson@hotmail.com



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

DORCAS - A COSTUREIRA AMADA

APRESENTAÇÃO

        
Este é mais um estudo que estamos publicando como parte da série “Mulheres da Bíblia”.  Selecionamo-lo na internet, levando-se em conta suas características, e em especial seu conteúdo e também por não ser tão breve nem muito longo.
         Espero que os leitores façam bom proveito de mais uma lição que nos deixou uma personagem marcante relatada na Bíblia, a Palavra de Deus. A personagem focalizada hoje é Dorcas.



“QUEM FOI ESTA MULHER?
Atos 9:36-42

Dorcas, era uma judia cristã que vivia em Jope, tinha não só um nome grego, mas também em aramaico, chamada por Tabita, cujo significado era “gazela”, um animal que anda pelas alturas, protegendo o rebanho e estando alerta para adverti-lo dos perigos. Assim era comparada a solicitude daquela mulher: sempre pronta a proteger alguém do alto de sua alma nobre.
QUEM FOI ESTA MULHER?
Não se faz nenhuma menção, nas Escrituras Sagradas, sugerindo que ela fosse casada, ou que tivesse alguma família. Portanto, podemos deduzir que ela morava sozinha e que era costureira (At. 9:36-39).
Dorcas foi chamada por Lucas, que escreveu o Livro de Atos dos Apóstolos, de discípula, o que significa que ela era uma seguidora de Jesus Cristo (cf.At.9:36).
SEU COMPROMISSO COM CRISTO E A IGREJA
• Dorcas era uma discípula de Jesus.
• Dorcas amava o Mestre e se sentava aos seus pés, o ouvia e o obedecia.
• Dorcas servia numa congregação cristã em Jope.
• Dorcas era sensível às necessidades das pessoas ao seu redor.
• Dorcas usava o seu talento e suas mãos para fazer roupas para os pobres, principalmente para as viúvas. Ela confortava e ajudava os necessitados e levava a alegria a muitas pessoas. Ela era amada por muitos em Jope.
• Dorcas negava todos os seus direitos em favor do Reino de Deus.
• Dorcas certamente permitia que o Espírito da Verdade condenasse os seus erros, senão, ela dificilmente passaria todo o seu tempo fazendo o bem, conforme vemos em At. 9:36b.
• Dorcas é a única mulher mencionada na Bíblia a quem se aplica a forma feminina da palavra discípulo, ou seja, seguidora de Jesus, aquela que se senta aos pés do seu Mestre.
Verdadeiramente, a sua vida foi um exemplo para as nossas vidas! E as nossas vidas? São exemplos?
1 – Como discípulo, eu me deleito lendo a Bíblia diariamente para conhecer a vontade de Deus para a minha vida?
2 – Como discípulo, eu tenho permitido que o Espírito da Verdade condene os meus erros? Que ele corrija as minhas faltas? Que me ensine a viver corretamente?
3 – Como discípulo, eu sinto alegria no coração quando ouço pregações sobre o meu Salvador?
4 – E ao mesmo tempo eu me sinto confrontado no meu íntimo quando a Palavra da Verdade entra no meu interior e aponta os meus erros?
5 – Como discípulo, eu estou disposto a substituir quem eu sou por quem Deus é?
6 – O que eu estou fazendo para servir ao meu próximo da melhor maneira possível?
7 – Como estou agindo ao perceber a necessidade do meu irmão?
8 – Como estou usando o dom e as habilidades que Deus me deu?
9 – Sou sensível às necessidades do meu próximo?
Qual é o fruto do Espírito Santo? (Vamos ler Gálatas 5:22,23)
A história de Dorcas é realmente muita bonita e muito cheia de amor pelas pessoas. Ela era boa e tinha um bom coração, mas, era humana e, um dia, ela tinha que morrer.
A sua morte foi chorada e lamentada por muitas pessoas, mas, desta vez, ela nada pôde fazer para aliviar o sofrimento deles.
O Senhor, no entanto, estava com eles!
A Bíblia nos diz que: “…quando os seguidores de Jesus em Jope souberam que Pedro estava em Lida [perto de Jope], enviaram dois homens para levar-lhe o seguinte recado: – por favor, venha depressa até Jope!” (cf. At.9:38).
Pedro, prontamente, atendeu ao chamado deles e foi para Jope. Chegando lá, viu várias pessoas chorando a morte de Dorcas.
Algumas viúvas mostravam as túnicas e roupas que elas lhes havia dado.
Pedro então mandou que todos se retirassem do quarto e em seguida se ajoelhou e orou, e ao se aproximar dela disse:
“Tabita, levante-se ! Ela abriu os olhos e, quando viu Pedro, sentou-se. Pedro pegou a pela mão e ajudou-a a ficar de pé. Em seguida chamou toda a gente da Igreja, inclusive as viúvas, e a entregou a elas viva”. (At.9:40b-41)
CONCLUINDO…
Vale ou não vale a pena ser um seguidor do Nosso Senhor Jesus Cristo?
Eu quero ser um discípulo e seguidor de Jesus.
Eu quero…
• Seguir os Seus ensinamentos.
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15);
• Seguir o seu modo simples de vida.
“E disse-lhe Jesus: As raposas tem covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lucas 9:58);
• Seguir os seus passos falando da vida eterna aos perdidos.
“Aquele que crê no Filho não é julgado; mas quem não crê já está julgado porque não crê no Filho único de Deus” (João 3:18);
• Seguir os seus passos orando ao Pai.
“E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus”(Lucas 6:12);
• Seguir os seus passos amando os necessitados.
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimido, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28)
Assim como Dorcas que glorificou a Deus através de seus atos de bondade, glorifiquemos também ao Senhor sendo homens e mulheres generosos, de coração sensível e sempre prontos para ajudar os necessitados.
Quantos de nós possuem talentos dados por Deus e se esqueceu de usá-los para ajudar alguém?
Procuremos ter um coração amoroso e sensível, pois isto é o que agrada ao Senhor.”




CONCLUSÃO

         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.
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Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, pedagogo e historiador diletante. É presbítero em exercício da Igreja Presbiteriana do Brasil, servindo atualmente na Igreja Presbiteriana Rocha Eterna de Sorocaba.

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