quinta-feira, 18 de junho de 2015

COMO O CRISTÃO DEVE TRATAR AS QUESTÕES POLÍTICAS


APRESENTAÇÃO

         Diante dos últimos acontecimentos que vem ocorrendo no mundo e por conseqüência em nosso país, tenho pensado muito em manifestar-me sobre esse estado de coisas. A principal delas é a questão das mudanças que pretendem fazer em nossas leis relativamente a família nos moldes criados por Deus e as conseqüências que advirão.
         Existe uma divisão de opiniões entre os crentes e dentre os quais muitos daqueles que tem a responsabilidade da liderança, de como deve ser o comportamento do cristão em relação à política e a influência dos que temem a Deus nas nossas Casas de Leis.
         Tenho evitado opinar através das redes sociais por alguns motivos, sendo que o principal é o fato das pessoas passarem muito rapidamente sobre as postagens colocadas, não dedicando tempo maior para ler aquilo que está escrito, muito menos se for um texto longo.
         No entanto, chegou o momento que julguei ser oportuno manifestar-me, utilizando-me de meu blog onde cada assunto pode ser exposto de forma ampla e as pessoas que acessarem poderão ler de uma só vez ou não, fracionando suas visualizações.
         Decidi então fazer uma pesquisa a respeito da temática e dentre as muitas que encontrei, optei por uma delas, por sinal escrita por um dos mais respeitados pregadores presbiterianos da atualidade, o Reverendo Hernandes Dias Lopes. Sua dissertação está baseada em Provérbios 29.2 “Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme.

Convido-o, pois, a investir um pouquinho do seu precioso tempo para ler esta matéria e, se desejar, fazer um comentário ele será bem-vindo. Você poderá fazê-lo pelo Google ou então pelo meu e-mail: prebwilson@hotmail.com
         Que Deus nos abençoe.    



O ARTIGO


“INTRODUÇÃO

É grande, profunda e crônica a decepção com os políticos. Uma onda de descrédito com os políticos varre a nação. Somos herdeiros de uma cultura extrativista. Nossos colonizadores vieram para o Brasil com a intenção de tirar proveito. Rui Barbosa alertou para o perigo das ratazanas que mordiam sem piedade o erário público, perdendo a capacidade de se envergonhar com isso. A maioria dos políticos se capitulam a um esquema de corrupção, de vantagens fáceis, de fisiologismo, nepotismo, enriquecimento ilícito, drenando as riquezas da nação, assaltando os cofres públicos e deixando um rombo criminoso nas verbas destinadas a atender às necessidades sociais. As campanhas milionárias já acenam e pavimentam o caminho da corrupção.
O resultado da corrupção, da má administração, da ganância insaciável pelo poder é que somos a oitava economia do mundo, mas temos um povo pobre, com mais de 50 milhões vivendo na pobreza extrema.
Diante desse quatro, muitos evangélicos ficam também desencantados com a política e cometem vários erros, como por exemplo: “Política é pecado”. “Política é coisa do diabo”. “O cristão não deve participar de política”. “O cristão deve ser apolítico”. “Toda pessoa que se envolve com política é corrupta”. “Todo crente que se envolve com política acaba se corrompendo”. “A política é mundana e não serve para os crentes”. “Não adianta fazer coisa alguma; devemos pregar o evangelho e aguardar o retorno do Senhor”.
Outros erros são cometidos: “Irmão sempre vota em irmão”. “Todo crente é um bom político”. “Político evangélico deve lutar apenas pelas causas evangélicas”. “O púlpito transforma-se em palanque político”. “A igreja troca voto por favores”.
I. A LEGITIMIDADE DA POLÍTICA À LUZ DA PALAVRA DE DEUS
1. “Não se deve pôr em dúvida que o poder civil é uma vocação, não somente santa e legítima diante de Deus, mas também mui sacrossanta e honrosa entre todas as vocações” – Calvino.
2. Rm 13:1-7 – O poder civil é ministro de Deus para promover o bem e coibir o mal. Toda autoridade constituída procede de Deus e deve agir em nome de Deus. Quando ela se desvia pode e deve ser desobedecida e Deus mesmo a julga por sua exorbitância.
3. Homens de Deus exerceram o papel político em momentos críticos da história e foram divisores de água: José, Moisés, Josué, Gideão, Davi, Salomão, Josafá, Ezequias, Josias, Daniel, Neemias. Esses homens exercem o poder público com lisura, honradez e sabedoria.
4. Aristóteles afirma que o homem é um ser político. O homem pode ser apartidário, mas nunca apolítico. Tentar ser apolítico é cair no escapismo.
5. Politicamente podemos classificar as pessoas em: 1) alienadas; 2) conscientizadas; 3) engajadas.
II. A POLÍTICA NA HISTÓRICA BÍBLICA

1. No Velho Testamento – Do Patriarcado à Monarquia. Do Reino Unido ao Reino Dividido.
2. No Novo Testamento – Os partidos nos dias de Jesus: 1) Fariseus; 2) Saduceus; 3) Herodianos; 4) Zelotes; 5) Essênios. O ensino social de Jesus (parábola do Samaritano). Jesus confronta Herodes. A doutrina social de Paulo e Tiago.
3. A igreja e a política na Idade Antiga – Os imperadores
4. A igreja e a política no tempo dos Reformadores – A ética social de Calvino
5. A questão da Modernidade e da Pós Modernidade como favor de corrupção dos valores.
6. A supremacia dos valores da Reforma em relação aos padrões romanistas – “Do futuro dos povos católicos.”
III. PRINCÍPIOS DE DEUS QUE DEVEM REGER A POLÍTICA

1. O povo de Deus precisa ter critérios claros na escolha de seus representantes– Dt 17:14-20
Pessoas apontadas por Deus e não pessoas estranhas.
Pessoas que não se dobrem diante da sedução do PODER, SEXO, DINHEIRO.
2. O povo de Deus não deve ser omisso, mas líder na questão da política – Dt 28:13.
A atitude de omissão não corresponde aos princípios de Deus nem à expectativa de Deus.
O cristão preparado está em vantagem para governar – Pv 28:5; 26:1
O cristão não pode associar-se com pessoas inescrupulosas – Sl 94:20; Pv 25:26.
3. O povo de Deus precisa votar em representantes que amem a justiça – Pv 31:8,9.
O povo não está trabalhando em favor do político, mas o político em favor do povo.
O político precisa olhar com especial atenção para os pobres e necessitados, ou seja, precisa ter um política social humana e justa.
IV. O PERFIL DE UM POLÍTICO SEGUNDO OS PRINCÍPIOS DE DEUS

1. Vocação – John Mackay diz a que a distribuição de vocações é mais importante do que a distribuição de riquezas. Calvino entendia que o poder civil é uma sacrossanta vocação. Há pessoas dotadas e vocacionadas para o poder público. Uma pessoa não está credenciada para ser um bom candidato apenas por ser evangélica. Exemplo: José do Egito – Sempre foi líder em casa, na casa de Potifar, na prisão, no trono.
2. Preparo intelectual – O líder político precisa ser uma pessoa preparada. Ele precisa ter independência para pensar, decidir e lutar pelas causas justas. Ele não pode comer na mão dos outros. Ele não pode ser um refém nas mãos dos espertos. Exemplo: Moisés – Moisés se preparou 80 anos para servir 40. Ele aprendeu a ser alguém nas Universidades do Egito. Ele aprendeu a ser ninguém nos Desertos da Vida. Ele aprendeu que Deus é Todo-Poderoso na liderança do povo.
3. Caráter incorruptível – A maioria dos políticos sucumbem diante do suborno, da corrupção e vendem suas consciências. Há muitos políticos que são ratazanas, sanguessuga. Há muitos políticos que são lobos que devoram o pobre. Há muitos políticos que decretam leis injustas. O político precisa ser honesto e irrepreensível. Exemplo: Daniel – Ele era sábio. Ele era líder. Ele era incorrupto. Ele era piedoso. Ele não era vingativo. Um exemplo oposto é ABSALÃO. Ele era demagogo e capcioso. Ele furtava o coração das pessoas com falsas promessas.
4. Coragem para se envolver com os problemas mais graves que atingem o povo – O político não pode ser uma pessoa covarde e medrosa. Ele precisa ser ousado. Neemias é o grande exemplo: 1) Ele ousou fazer perguntas; 2) Ele se viu como resposta de Deus resolver os problemas do seu povo; 3) Ele agiu com prudência e discernimento; 4) Ele mobilizou o povo para engajar-se no trabalho com grande tato; 5) Ele enfrentou os inimigos com prudência. Exemplo: Winston Churchil.
5. Visão – O político precisa ser um homem/mulher de visão. Ele precisa enxergar por sobre os ombros dos gigantes. Ele vê o que ninguém está vendo. Ele tem a visão do passado, do presente e do futuro. Ele antecipa soluções. Exemplo: José do Egito, Calvino. Veja Pv 11:14. Ester esteve disposta a morrer pela causa do seu povo.
6. Tino Administrativo – Há políticos que são talhados para o Executivo e outros para o Legislativo. Colocar uma pessoa que não tem capacidade gerencial para governar é um desastre. Exemplo: Neemias – ele revelou capacidade de mobilizar pessoas, resolver problemas, encorajar, e colocar as pessoas certas nos lugares certos para alcançar os melhores resultados.
7. Capacidade de contornar problemas aparentemente insolúveis – O líder é alguém que vislumbra saídas para problemas aparentemente insolúveis. Exemplo: Davi – 1) Ele viu a vitória sobre Golias quando todos só olhavam para derrota; 2) Ele ajuntou 600 homens amargurados de espírito e endividados e fez deles uma tropa de elite; 3) Ele reanima-se no meio do caos e busca força para reverter situações perdidas – 1 Samuel 30:6.
8. Não temer denunciar os erros dos poderosos – Samuel denunciou os pecados de Saul (1 Sm 15:10-19). Natã não se intimidou de denunciar o pecado de Davi. João Batista denunciou Herodes.

CONCLUSÃO

1) Como votar? Devemos escolher um candidato pela sua vocação, preparo, caráter, compromisso com o povo e propostas: Há coisas básicas: saúde, educação, emprego, segurança, moradia, progresso. Se temos pessoas evangélicas com esse perfil, demos a elas prioridade em nosso voto. Mas seria irresponsabilidade votar numa pessoa apenas por ser evangélica se ela não tem essas credenciais.
2) Como fiscalizar? A igreja é a consciência do Estado. Ela exerce voz profética. Ela precisa votar e acompanhar e cobrar dos seus representantes posturas dignas, sobretudo nos assuntos de ordem moral e social: casamentos gays, aborto, etc.
3) Como encorajar? A Bíblia nos ensina a interceder, honrar e obedecer as autoridades constituídas.

http://hernandesdiaslopes.com.br/2012/01/como-o-cristao-deve-tratar-as-questoes-politicas/



SOBRE O AUTOR DA MATÉRIA

Hernandes Dias Lopes, natural de Nova Venécia-ES é casado com Udemilta Pimentel Lopes, pai de Thiago e Mariana.
Fez o seu curso de Bacharel em Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas-SP no período de 1978 a 1981 e o seu Doutorado em Ministério no Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos no período de 2000 a 2001.
Foi pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista no período de 1982 a 1984 e desde 1985 é o pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, ES.
Também é membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, diretor executivo da Editora Luz para o Caminho e pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros em SP.

É conferencista e escritor, com mais de 100 obras publicadas.

CONCLUSÃO


         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.

        Portanto, se você tiver qualquer contribuição a fazer, poderá entrar em contato comigo através do e-mail indicado no final desta publicação. 


SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, professor e historiador diletante. 
É presbítero emérito da Igreja Presbiteriana do Brasil e membro da Igreja Presbiteriana Rocha Eterna de Sorocaba.
E-mail: prebwilson@hotmail.com

quinta-feira, 11 de junho de 2015

ALUMÍNIO, 30 ANOS SEM O DR. FIGUEIRÔA

APRESENTAÇÃO

         No  dia 13-06-2015 terão passados trinta anos desde que o Dr. Antonio de Castro Figueroa, Diretor Industrial da Cia. Brasileira de Alumínio por várias décadas, se foi. Achei que deveria escrever alguma coisa sobre o assunto e aí está o que consegui expor.       


O FIM DE UMA ERA

Como disse na apresentação, foi no dia 13 de junho de 1985 que o Dr. Figueirôa faleceu. Eu havia entrado em serviço às oito horas e pouco depois recebi a mais inesperada ligação telefônica da minha vida profissional. Era o Sr. Philemon de Medeiros, Chefe do Escritório informando-me que o Dr. Figueirôa havia falecido naquela manhã, ou mais precisamente, que morrera enquanto dormia.
Em seguida ele instruiu-me sobre o que eu deveria fazer a partir daquele momento: Ir ao gabinete do falecido no 4º andar do edifício da Administração e de lá comunicar o fatídico acontecimento a todas as quarenta e duas chefias de departamentos da fábrica. Em seguida ligar para os jornais e emissoras de rádio da região.
Não sei o porquê, mas minha primeira ligação foi para o Engenheiro Dirceu Guimarães, o qual demorou a acreditar no que estava ouvindo. Quando cheguei ao último nome da lista, as informações já haviam corrido e se cruzado pelos meandros da grande usina.
O velório foi na Igreja Matriz de São Francisco de Paulo, a qual ficou literalmente tomada pelos colaboradores, amigos e admiradores do grande homem que foi Antonio de Castro Figueirôa.
No dia seguinte seu corpo foi levado ao Cemitério da Saudade. Estava encerrada uma era na administração da Cia. Brasileira de Alumínio.
Se existia e existem ainda hoje aqueles que viam no Dr. Figueirôa uma figura por demais austera, é inegável sua influência na formação do homem integral. Para ele, o tempo que usava no atendimento aos estudantes ou familiares deles não era algo perdido, mas investimento nas vidas daqueles rapazes que se formaram, se profissionalizaram e constituíram suas famílias, edificaram o patrimônio próprio e hoje reconhecem, como faço eu, a importância daquele homem nas nossas vidas.
O Engenheiro José Netto do Prado, que estava dirigindo outra empresa do Grupo Votorantim (Níquel Tocantins) retornou a Alumínio e assumiu a Diretoria Industrial da CBA. Eu fui fazer parte da Gerência Administrativa, chefiada pelo Sr. Philemon. Logo depois foi inaugurado o prédio novo da Administração, incluindo  o terminal rodoviário.


A BIOGRAFIA DE ANTONIO DE CASTRO FIGUEIRÔA


Antonio de Castro Figueirôa era filho de João Pereira de Castro Figueroa e Evangelina de Carvalho Castro Figueirôa, nasceu em 10 de dezembro de 1918 na cidade de Ouro Preto- Minas Gerais. Casou-se com Madeleine Stroesser Fegueirôa com quem teve cinco filhos: Alexandre, João Guilherme, Marco Antonio, Ricardo e André Augusto.
Cursou do primário ao colegial em Ouro Preto e de 1938 a 1944 cursou 6 (seis) anos dos 3(três) cursos de Engenharia Civil - Minas- Metalurgia sendo diplomado em 30 de junho de 1944 pela Escola Nacional de Minas e Metalurgia da Universidade do Brasil. Prestou serviço militar e realizou também em Sorocaba o Curso da Escola Superior de Guerra - ADESG.
Em janeiro de 1979 recebeu medalha (30 anos) "Dedicação e Lealdade" como Diretor do Grupo Votorantim. Homem de formação cristã mostrava-se católico praticante desde a infância. Foi Rotariano no período de 1959 a 1982.
Recebeu o título de Cidadão Mairinquense em 27/10/1962. Recebeu o título de Comendador, por seus méritos e esforços na área da educação e de formação profissionalizante. Recebeu a Medalha comemorativa do Sesquicentenário da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Recebeu da FIESP/CIESP através do SESI/SENAI o título de "Dirigente Industrial – Padrão”, ainda que empregado da empresa.
De 1944 a 1949 exerceu cargo de engenheiro assistente e engenheiro chefe na Aciaria da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira na Usina Sabará chegando a ser Diretor Industrial. Em 1949 passou a trabalhar na Siderúrgica Barra Mansa, como engenheiro de aciaria e a partir de abril de 1950 passou para o cargo de Diretor Industrial.
Em 1º de agosto de 1955 veio trabalhar na Companhia Brasileira de Alumínio que foi inaugurada em 04 de junho de 1955 ocupando o cargo de gerente e a partir de 1959 de Diretor Industrial e Engenheiro Metalurgista, supervisionou a partida de grande parte dos fornos eletrolíticos da fase original, onde a usina possuía capacidade de 10 mil toneladas ao ano. Em 1985, ano em que Dr. Figueirôa veio a falecer a capacidade da CBA era de 200 mil toneladas ano.

Sua dedicação e trabalho na indústria de Alumínio, permitiu que com sua colaboração a empresa crescesse vinte vezes em trinta anos.
Não bastasse a dedicação ao trabalho na atividade industrial ele ainda encontrava tempo para plantar e semear providências com o objetivo de erradicar o analfabetismo, incentivar a educação, a profissionalização e qualificação da mão de obra. Fazia tudo que estava ao seu alcance para melhorar a renda per capta da família aluminense, para viabilizar caminhos de conquistas de empregos, da sonhada e labutada casa própria, enfim dos meios para melhoria econômica e social dos que trabalhavam na construção de uma Alumínio melhor.
Tendo sido um destacado e brilhante engenheiro no campo técnico, curiosamente talvez tenha deixado como sua marca registrada inesquecível para aqueles que o conheceram suas ações e realizações no campo social. No convívio familiar mostrava-se infatigável e sempre jovem para encarar novos desafios e ações construtivas.
O único sonho e ideal que não pode em vida ver realizado foi a emancipação de Alumínio.Ele queria muito ver Alumínio livre, emancipada e como uma cidade modelo.

Fonte: Câmara Municipal de Alumínio.


A LEMBRANÇA EXPRESSA POR UM EX ESTAFETA


“Faço parte do quadro de funcionários da CBA desde os 14 anos de idade. Iniciei minhas atividades como Estafeta (Office-Boy), no Setor Guardas, hoje Setor de Vigilância.
Este fato verídico aconteceu numa quente tarde de janeiro, em 1970.
Lá estava eu no meu posto, quando, por volta das 1Sh1S, o meu chefe, Sr. Orlando Silva, me entregou um documento que precisava ser analisado pelo então Diretor Industrial Dr. Antônio de Castro Figueirôa. Disse-me também que o mesmo se encontrava na área de expansão do Setor de Laminação. Apanhei o documento, coloquei-o dentro da minha pasta e rumei rapidamente para o local indicado. A Empresa não permitia que menores de idade cumprissem mais de oito horas de jornada de trabalho e se eu não me apressasse, certamente não cumpriria a tarefa até as 16 horas, horário do término da minha jornada.
 Lá chegando, não foi difícil  localizá-lo, pois se encontrava bem no meio do terreno que estava em processo de terraplanagem. Durante a caminhada até o local, eu transpirara bastante. Quando estava a alguns metros do Diretor, passou por mim um caminhão levantando a nuvem de poeira, a  maior que eu já vi até hoje. Não preciso relatar como ficou o meu rosto: com muito suor e muita poeira. Aproximei-me e aguardei, pois o Dr. Figueirôa naquele momento conversava com o Sr. Honorato Nogueira (Chefe do Setor TV 3). Em meio à conversa, esticou o braço para apanhar o documento de minhas mãos. Sem interromper o assunto, assinou o papel e voltou-se para entregá-l o a mim. Foi neste instante que percebeu o meu estado e disse-me:
- Jovem, parece que senhor não se deu bem com a poeira daqui? - É, Doutor, aqui tem um bocado de pó. Mas parece que o senhor não foi atingido - respondi.
- É que eu me encontro a favor do vento, meu jovem!
Rindo, ele gesticulou chamando o seu motorista e disse:
- Sr. Tameiros, por favor, leve este jovem até o Setor Guardas, pois esta caminhada até aqui o deixou em péssimo estado!
Entrei na caminhonete e fui levado ao meu setor todo satisfeito por mais uma missão cumprida e em tempo hábil e, ainda, pela atenção do Diretor para comigo. Ao chegar no setor, ainda faltavam 25 minutos para as 16 horas. Mal tinha acabado de me lavar na pia do banheiro para "tirar o mais grosso" (naquela época o setor não dispunha de chuveiros), surge novamente o Sr. Orlando Silva com outro documento para ser assinado com urgência pelo Dr. Figueirôa e o único Estafeta presente no momento era eu. Novamente, parti em direção ao mesmo local, pois certamente ele ainda se encontrava lá. A caminhada desta vez foi mais forçada, o que fez com que eu ficasse mais suado ainda. A aproximação até o Dr. Figueirôa foi igual à anterior, eu poderia jurar até que a nova nuvem de poeira que me cobriu novamente foi causada pelo mesmo caminhão.
Aproximei-me e desta feita ele estava sozinho. Estendi-lhe a pasta com o documento. Ele apanhou a pasta e, enquanto fazia a leitura e assinava, perguntou-me com o semblante mais sério:
- O jovem parece ter gostado da poeira daqui desta área?
- Não gostei não, Doutor, é que não havia mais nenhum Estafeta disponível no momento - justifiquei.
- Muito bem - disse ele gesticulando para que o seu motorista se aproximasse - Sr. Tameiros, leve novamente este jovem até o Setor Guardas, espere que entregue os documentos, que se lave, que marque o ponto de saída e deixe-o em sua casa que fica na Vila Industrial. Depois disso, o Senhor. venha me apanhar aqui!
O Sr. Tameiros cumpriu à risca todas as ordens do Diretor e, mesmo quando eu lhe disse que iria para casa sozinho, não permitiu. Deixou-me na porta da casa de meus pais e voltou para a Fábrica...”

Fonte: Ademir Pinheiro de Abreu -  Companhia Brasileira de Alumínio, Alumínio, São Paulo. 
Transcrito do livro Votorantim Para Mim (30 Vencedores do Concurso Interno de Histórias). 1918-2003, pág. 14 a 16.


IMAGENS DE UMA TRAJETÓRIA BRILHANTE E SAUDOSA



Casamento de Madeleine e Antonio de Castro Figueirôa


Ouro Preto, MG, terra natal



Escola de Minas e Metalurgia 
de Ouro Preto - MG


Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira


Cia. Siderúrgica Barra Mansa, RJ



Sala dos Fornos na CBA em 1955



Vista externa parcial da CBA nos anos sessenta


Vista parcial da cidade de Alumínio onde residiu 
com a família de 1955 a 1985


Dr. Figueirôa e esposa dona Madalena retratados
em tela pela artista plástica aluminense Sueli
Edwiges dos Santos


Primeiros tempos na Cia. Brasileira de Alumínio
incentivando na área da Educação




Participando de trabalho de natureza filantrópica
em Alumínio na primeira década de 1960


Prestigiando cursos profissionalizantes na CBA. 
Na foto com o Engº Celso Vilela de Figueiredo
e Sr. Décio José Antunes







O casal Dr. Figueirôa e dona Madeleine junto ao Dr. José
Crespo Gonzales, Diretor Regional do SESI - Sorocaba
e do casal Prof. Wilson do Carmo Ribeiro e esposa
 professora Claudineide Marra Ribeiro


Portaria da CBA nos tempos do Dr. Figueirôa.
5 meses após seu falecimento o novo prédio
da Administração foi inaugurado


Com os colaboradores Philemon de 
Medeiros e Helio Lourenço da Silva


 Com o colaborador Wilson 
do Carmo Ribeiro


Praça João Pereira de Castro Figueirôa
Homenagem  feita nos anos setenta ao 
genitor do dr. Figueirôa

Igreja Matriz de São Vicente de Paulo
onde o corpo do Dr. Figueirôa foi velado


Dona Madalena inaugurando a via pública que leva o nome 
do saudoso esposo Dr. Figueirôa na Vila Santa
 Luzia em Alumínio



A Educação era a "menina dos olhos" do Dr. Figueirôa.  O
Grupo Escolar Comendador Rodovalho foi, durante muitos
anos, a única escola da localidade. Foi construído na
 década de 1940



A Escola Professora Isaura Kruger foi construída durante sua
administração na CBA. Após seu falecimento, a escola estadual
existente no Jardim Olidel recebeu seu nome


Alunos da Escola Engenheiro Antonio de 
Castro Figueiroa no Jardim Olidel em Alumínio




Nilson Corrêa Raposo, colaborador aposentado recebe o troféu 
Antonio de Castro Figueiroa na Câmara Municipal. Na foto
o prefeito José Henrique Mora Duarte e o vereador Jaime
Henrique Duarte




Assinatura do Dr. Figueirôa
Esta faz parte de um documento no
qual a CBA me apresentou como
seu "Operário-Padrão" em 1984


CONCLUSÃO


         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.

        Portanto, se você tiver qualquer contribuição a fazer, poderá entrar em contato comigo através do e-mail indicado no final desta publicação. 


SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, professor e historiador diletante. 
É presbítero emérito da Igreja Presbiteriana do Brasil e membro da Igreja Presbiteriana Rocha Eterna de Sorocaba.
E-mail: prebwilson@hotmail.com



Comentário feito por uma das nesta do casal Dr. Figueirôa e Sra. Madeleine Stroesser sobre a postagem: 


Prezadíssimo Sr Wilson, é com muita emoção que neste domingo, dia dos pais, recebo esta linda , indescritível , homenagem que o Sr fez ao meu avô, não tenho como agradecer, aqui o Sr descreveu uma história , que nem nós da família teríamos como fazê-la, e o mais importante de tudo, é saber que fizemos amigos eternos .... Muito, mas muito obrigada, tenho certeza que meu avô e meu pai lá do céu, juntos, estão emocionados!!! Grande abraço, amigo. Barbara e família. (09-08-2015)