terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

VIVENCIANDO A FAMÍLIA A EDUCAÇÃO E TRABALHO DO MENOR



INTRODUÇÃO


“Sou formado em Pedagogia (1973), licenciatura plena. Trabalhei na Educação durante 15 anos no período noturno - de dia trabalhava na Companhia Brasileira de Alumínio.
Tenho escrito e publicado sobre História, mas sempre com o desejo de fazer uma postagem em meu blog sobre Educação.
Senti o desejo de dissertar sobre o tema "Família". Pesquisei materiais - de livros e no Google. Pensei na família nos tempos bíblicos;na família dos anos 70 (quando lecionei Educação Moral e Cívica) e na família como se encontra hoje. Pensei nos filósofos da educação que estudei. Resultado: Achei melhor não. Por quê? Porque é assunto muito controvertido e, aos 72 anos e com aparelho instalado para controlar o coração...
Pensei depois em escrever sobre o tema: Menor: Trabalhar faz Mal? Usaria meu próprio exemplo e de pessoas da família - todos começaram trabalhar aos 14 anos ou 15 anos. Esbocei o trabalho, pensei, pensei, e deletei. Por quê? Pelo mesmo motivo - não estou em condições físicas e emocionais para debater sobre os temas. Coisas de idoso.
Fechei o Word e entrei no FACE e aqui estou postando isto e curtindo as postagens dos amigos. "Não sou o cara!"
O texto transcrito é de minha própria autoria. Ele expressa a verdade. No entanto foram muitos os comentários incentivando-me a escrever sobre os temas citados que de tal forma me encorajei e aqui estou alinhavando o algo sobre Educação.
Ao contrário do que havia pensado inicialmente, não vou colocar aqui conceitos de autores sobre Educação, Família e Trabalho do Menor, que eram os temas que havia imaginado dissertar. Vou isto sim, descrever (e isso faço com certa naturalidade) como essas coisas aconteceram em minha vida e, indiretamente, na vida de minha esposa. Na verdade nossas trajetórias têm muito em comum.

A ESCOLINHA NO MEIO DO PASTO

 

         Nasci em um sitio no bairro chamado Cabeceira Bonita, divisa entre os Municípios de Campos Novos Paulista e São Pedro do Turvo em 16 de julho de 1941. Meu pai era dono de um terço do sítio que tinha dez alqueires. Os outros dois terços eram dos irmãos dele, Laurindo e Antonio.
         Como sou nascido no segundo semestre, só fui matriculado no ano de 1949 na escolinha do bairro, distante uns três quilômetros de onde morávamos. Era um prédiozinho de madeira construído no meio do pasto nas proximidades da residência e do empório do Sr. Zezinho. Na mesma propriedade havia a capela onde o pároco de São Pedro do Turvo de tempos em tempos celebrava missas, fazia a primeira comunhão e era ali também que eram realizadas muitas das festas religiosas.
         No primeiro dia de aula minha mãe levou-me à escola juntamente com um filho de seu primo. O menino se chama José e tinha a mesma idade que eu. Éramos amigos e nossos pais eram compadres. A professora, uma senhora de meia idade se chamava Júlia e morava uns seis quilômetros distantes dali. Seu meio de transporte era um cavalo.
         Na escolinha dona Júlia tinha de ministrar aulas para alunos do primeiro e do segundo ano do curso primário. Devo acrescentar que naquela época nem nas cidades haviam os prezinhos, jardim da infância e outros que hoje antecedem a primeira série.
         A todos os alunos que como eu estavam iniciando, ela escreveu na primeira linha do caderno o nome do aluno e disse:”Façam igual o que eu fiz até encher a folha”

“PATINEI” NO PRIMEIRO DIA


         Ela escreveu meu nome mais ou menos assim:  Wilson do Carmo Ribeiro 
Resultado: passei as quatro horas de aula tentando escrever a letra W do jeito que estava no caderno e nada! Olhava para meu primo na outra carreira de carteiras e ele estava a todo vapor. Fiquei intrigado. Terminada a aula pedi para ver o caderno dele e constatei que ele enchera a folha de garranchos. Ainda bem, pensei.
         No segundo dia consegui superar o W e daí em diante tudo ficou muito fácil. Veio a Cartilha Sodré com as lições: “A Pata nada” e outras. Chegou o final do primeiro ano e passei para o segundo sem nenhum problema.
         Antes de prosseguir é preciso colocar alguma coisa sobre a educação, não a escolar, mas aquela que vem de berço. Por falar em berço, o meu era feito de bambu, o qual foi repassado aos meus irmãos. Pendurado a duas cordas, ele balançava para fazer-nos dormir para que mamãe pudesse cuidar dos afazeres da casa.
         Os conceitos de educação passados por minha mãe eram mais ou menos assim: “Não briguem com ninguém porque se bater apanhará aqui em casa. Se apanhar, apanha outras vez aqui”. 
Meus colegas caçoavam de mim por causa da mochila que eu usava: feita de pêlo de animal silvestre que meu pai caçara, era até então usado por ele para guardar seus apetrechos de caça. Eu ficava quieto por causa daquelas recomendações de minha mãe,dona Benedita...
         Enfrentei algumas situações bem adversas para um menino de 9 anos para ir e voltar às aulas: Corri de vacas e de cachorros bravos. Tomei muita chuva, principalmente no retorno para casa. Como meu uniforme era feito de pano de saco (camisa branca e calça tingida de azul) um dia cheguei em casa com um X azul sobre a camisa branca. Era a cor do suspensório molhado projetado sobre a camisa.
         Veio o segundo ano. Entre outras coisas que me lembro,estudamos num livro em brochura contendo todos os mapas ferroviários do Estado de São Paulo: Estrada de Ferro Sorocabana, Paulista, Mogiana, Noroeste, Central do Brasil, Santos a Jundiaí...
Memorizei todas aquelas cidades. Talvez seja por causa disso que peguei gosto pela Geografia e pela História. Chegou o final do segundo ano e daí, o que fazer? Era só o que tinha lá no sítio.
         Minha mãe - sempre ela, tomou a iniciativa e resolveu o assunto. Levou-me para a casa de uma tia chamada Francisca Galdino em São Pedro do Turvo e esta me acolheu para que pudesse fazer o 3º ano no Grupo Escolar daquela cidade. Fui tratado com muita bondade pela tia e pelos filhos dela. Em contrapartida, ajudava-os no pequeno sitio que possuíam na saída para Santa Cruz do Rio Pardo.
         Ocorre que na metade do ano meu pai e meu tio Antonio venderam as partes deles no sitio para o tio Laurindo e as famílias vieram para o município de Santa Cruz do Rio Pardo. No bairro Salto do Dourado estava sendo construída uma olaria pelos senhores Joaquim Rodrigues da Cunha e Bernardino Araújo de Souza. Ajudaram a terminar a construção e passaram a fazer tijolos.
         Dessa forma lá fui eu de novo para a cidade para continuar o terceiro ano. Numa casa na Vila Santa Aureliana moravam meu avô materno João Batista da Rosa com os filhos solteiros Genésio e Alicio e, na casa contígua, minha tia casada Leonina Benilda de Freitas, cujo marido se chamava José. Alimentava-me com a tia e dormia com os tios e avós. Assim, concluí o terceiro e o quarto anos, recebendo meu diploma do curso primário assinado pelo diretor professor Gentil Marques Válio, o qual guardo com muito carinho apesar de ter desbotado as anotações.
         Nesse último ano (1952) meu irmão Nilson, dois anos mais novo também foi estudar na cidade. Agora tinha companhia para ir à casa dos pais na sexta feira após as aulas e voltar no domingo com tempo de assistir algum jogo de futebol nos campos da cidade.

CESSA A EDUCAÇÃO FORMAL, COMEÇA O TRABALHO DURO

         Até então meu pai e minha mãe formava a dupla que fazia tijolos. O pagamento era por milheiro e se fazia aproximadamente um mil e quinhentas unidades por dia. Ela tinha ainda de cuidar da casa, lavar roupas, fazer comida e essas coisas todas que as donas de casa fazem. Deve-se lembrar que naquela época não existia nenhum tipo de eletro-doméstico. Em compensação, as casas eram de uma simplicidade total.
         Em 1953 eu tinha então 12 anos e estava disponível para ajudar meu pai. Minha mãe ficou então por conta da casa. Ela já estava com 41 anos e no ano seguinte ficou grávida, o que era raro acontecer naqueles tempos em que não se contava com nenhum tipo de assistência médica. Em janeiro de 1953 nasceu meu irmão caçula Nivando e mamãe passou muito mal. Os patrões arcaram com as despesas hospitalares e depois descontaram mensalmente do salário de meu pai. Foram meses de muito aperto financeiro. As economias tiveram de sair da qualidade da alimentação.
         Certo dia estávamos, papai e eu fazendo tijolos e um parente do patrão senhor Bernardino foi conhecer a olaria. Ele morava no Rio de Janeiro e, não me lembro muito bem, mas parece-me que era professor universitário. Iniciou a conversa com papai, mas pela pouca instrução de meu velho (sabia ler e escrever, mas nunca tinha ido a uma escola) a conversa empacou. O homem passou então a fazer-me perguntas a respeito de minha formação escolar. Expliquei-lhe tudo e ele quis saber porque parara com os estudos.
         Nisso chegou minha mãe e ficou observando as respostas que eu dava ao mestre. (Isto sem sair do ritmo de trabalho, pois este era sincronizado entre o que meu pai começava e eu concluía).
Foi quando ele, olhando para minha mãe disse: "Se vocês concordarem, eu levarei esse menino para o Rio de Janeiro e devolverei ele formado" (se referia a um curso superior). A reação de minha mãe foi imediata:
- Não senhor. Meu filho já sabe o que é preciso para nós que somos pobres...
         Foi assim que comecei a trabalhar aos doze anos, adquiri calos nas mãos que carrego como troféu até hoje e não lamento de coisa alguma. Meus pais me deram mais do que eles receberam da geração anterior.

UM HOMEM AGRADECIDO E NOSSA VIDA MUDA DE RUMO


         Em 1955 meu pai e seu inseparável irmão Antonio resolveram mudar para o município de Bernardino de Campos. Encontraram trabalho numa olaria que pagava um pouco mais e lá se foram de mudança. Alguns meses depois se mudaram para outra olaria ali por perto e em 1956 decidiram trabalhar no município de Ipaussu.
         Em fins de 1958 apareceu por lá um jovem senhor, afilhado de casamento de meus pais. Seu nome era Reginaldo. Enquanto trabalhávamos com os tijolos o rapaz foi contando sua epopeia: Se mudara para uma cidadezinha chamada Alumínio, próxima de Sorocaba, trabalhava numa metalúrgica chamada Cia. Brasileira de Alumínio e agora estava dando um passeio pelo interior, gozando suas primeiras férias.
- Férias? O que é isso perguntou meu pai.
- Férias são vinte dias que a gente ganha sem precisar trabalhar. Além disso, continuou ele – lá não se perde dia por causa de chuva, nem por doença ou acidente. Tudo ali, registrado na Carteira Profissional. E mostrou, feliz da vida o documento ao papai.
- E como é que a gente faz para trabalhar lá, quis saber seo Durvalino. O Reginaldo explicou: O senhor toma o trem Ouro Verde, desce na estação que tem lá em Alumínio e vai até o escritório da empresa. Lá o senhor fala com o chefe. Ele se chama Paulo Dias.
         Foi quase que de imediato. Os dois irmãos vieram a Alumínio, procuraram o Sr. Paulo Dias e este os encaminhou ao Celso Moura, à época recrutador do pessoal. Como meu pai tinha mais de 35 anos foi dito a ele que não poderia ser admitido. Meu tio Antonio sim. E realmente foi trabalhar como Guarda na Portaria e nas guaritas.
         Meu pai topou trabalhar para o Sr. Paulo Dias e assim aconteceu. Ajudou a montar o rancho da olaria e os empregados fixos do referido senhor fizeram o forno. Assim nossa vida de oleiros continuou até acabar a jazida de barro à beira do riozinho e o Sr. Paulo construir diversas casas na parte alta de sua vila como quem vai ao prédio da Escola Comendador Rodovalho.
         No segundo semestre de 1959 meu pai foi admitido na CBA e eu seria também. Seria, porque ao examinar-me o Dr. Eno Lippi constatou que, apesar de ter apenas 18 anos eu tinha varizes na perna esquerda. Depois de ir onze vezes a São Paulo fui operado na Santa Casa no Largo do Arouche. Fiquei em convalescença por 3 meses e em 02-01-1960 fui admitido como Ajudante na Laminação de Papel.
         Não posso deixar de agradecer aqui dona Benedita Furquim Dias, que sem nunca ter ido a São Paulo, se dispôs e foi comigo e minha mãe até lá para tratar da cirurgia. O começo foi no Hospital das Clínicas e ela nos conduziu até chegar lá dentro no local competente.

DE VOLTA Á ESCOLA     


         Após dois meses como Ajudante, amassando sucatas embebidas em óleo, varrendo o piso de taco oleoso e descendo nos poços dos laminadores o Sr. Domingos Armando, o chefe da seção chegou-se a mim e disse-me:
- Você tem coragem de trabalhar lá na Ponte Rolante? É que está saindo um operador. Se você topar pode subir lá e ficar com o operador durante três dias para aprender o serviço.
- Sim, foi minha resposta de imediato. E lá fui eu, todo feliz. Sentia-me um verdadeiro motorista, coisa que sonhara muitas vezes mas que achava que nunca passaria do sonho. Nesse serviço fiquei dois anos até que tive de operar novamente a mesma perna.
         Desta vez foi tudo mais fácil. A operação foi realizada na Santa Casa de Sorocaba. Enquanto convalescia, matriculei-me na escola de datilografia da senhorita Ivone Molinari. Já havia concluído um curso de Contabilidade por correspondência no Instituto Universal Brasileiro.
         A amizade de minha mãe com dona Benedita Dias continuou e em conversa de amigas minha mãe contou a ela os meus feitos estudantis. Alguns dias depois recebi um aviso dando conta de que  o Sr. Paulo Dias queria falar comigo. Fui até o escritório dele e como era de seu jeito ele foi direto ao assunto:
- Fiquei sabendo que você fez curso de contabilidade e é datilógrafo. Abriu uma vaga na Seção Pessoal. Se você quiser pode ir agora fazer um teste e se passar, você vem trabalhar aqui." Meus Deus!" Não cabia em mim de contentamento!
         Deram-me um texto para ser datilografado com tempo determinado. Fiz o mesmo e aí me passaram as operações fundamentais, duas de adição, duas de subtração, duas de multiplicação e duas de divisão. Fiz tudo rapidamente e fui aprovado.
         O funcionário levou o resultado ao Sr. Paulo e ele fez sinal para mim que fosse até ele. Passei pelo portãozinho da Seção Pessoal e ele, com o teste em mãos fez sinal que o acompanhasse. Fomos à escrivaninha do Chefe da Seção Pessoal, Sr. Philemon de Medeiros e este ao ver-me, saudou-me pelo nome. Ele já me conhecia pois ele à época, era membro da Igreja Presbiteriana e eu estava começando a freqüentar aquela comunidade evangélica, a qual funcionava num prediozinho da CBA onde depois foi construído o terminal de embarque de trabalhadores da empresa.
         O Sr. Paulo Dias resumiu em poucas palavras o meu breve histórico e o Sr. Philemon disse-me que começasse no dia seguinte às 7 horas. Acrescentou que, devido minha falta de experiência, deveria compensar com muita dedicação. Dei uma olhada ao redor e vi outras feições conhecidas: David Machado, seu irmão Waldemar e o primo deles, o Waldomiro Ribeiro. Senti-me acolhido.
         Comecei a fazer cursos do SESI ministrados lá em Alumínio, entre os quais Prática de Oratória, Supervisão de Pessoal na Indústria e Relações Humanas no Trabalho. Um dia deu um estalo: Será que não teria como continuar meus estudos, fazendo o ginasial, como o Waldomiro e outros faziam? 
Teve. Matriculei-me no curso de madureza ginasial da Associação Cristã de Moços de Sorocaba em 1964. Devorei livros. Minha inclinação por História e Geografia aumentou. Por outro lado, Matemática, “só para o gasto”.
         Nesse ínterim conheci a moça Claudineide. Entre namoro e noivado foram onze meses. Casamos-nos e no devido tempo veio o primeiro filho, o Wilson Cláudio.
         Claudineide, quatro anos mais nova que eu, começou a trabalhar numa indústria têxtil em Sorocaba aos 15 anos. Levantava às quatro da manhã para entrar em serviço às cinco. No período noturno estudava. Foi até metade da sétima série e parou. Não agüentou mais.
         Como já narrei, eu havia feito o curso de madureza ginasial, porém naquele tempo não haviam os exames na escola. Estes eram feitos em escolas estaduais e eram muito difíceis. Nada era em forma de testes. Um dos lugares que promoviam os exames era Itu e para lá fui eu em 1967. Minha esposa se encarregou de me ajudar a repassar todo o conteúdo que eu havia estudado. Eliminei as disciplinas de Português, História e Geografia no mês de maio de 1967. Ficaram pendentes Matemática e Ciências. A dificuldade com a Matemática era grande. Tive aulas particulares com o Engenheiro José Netto do Prado e sua esposa d. Maria Hortência na casa deles. Em 1968 terminei tudo e já concluíra a primeira série do segundo grau técnico em Agrimensura no Liceu Pedro II. Aceitaram que eu fizesse o curso condicionando a  que eu tivesse com tudo referente ao primeiro grau eliminado até o final do ano. Caso contrário, ficaria retido.
         Minha esposa voltou aos estudos e viajávamos juntos nos ônibus que a CBA cedia para os estudantes. Ela concluiu o primeiro grau e partiu para o segundo no sistema de madureza, concluindo-o também. Nisso já tínhamos nossa filha Eliane.

PARTINDO PARA O CURSO SUPERIOR


         Meu grande desejo era fazer o curso superior de História. Ocorre que na FAFI (antecessora da UNISO) esse curso só funcionava no período diurno. Restou-me a opção de cursar Pedagogia com Orientação Educacional, o qual conclui em 1973.
         No início de 1974 fiz minha inscrição para lecionar na EE Horácio Manley Lane em São Roque. Poderia ensinar no antigo curso de Magistério, na formação de professores de primeira à quarta série. Logo em seguida foi organizado o Supletivo Municipal de quinta a oitava séries e fui convidado a lecionar Educação Moral e Cívica e OSPB. Optei pelo curso municipal ao invés da escola estadual.
         Fui imediatista. Se tivesse iniciado no Estado naquela época, hoje estaria aposentado também como professor. Para efeito de aposentadoria o curso municipal, que era regido pela CLT não acrescentou nada.
         Já minha esposa, em 1980 quando já havíamos construído nossa casa própria em Mairinque, prestou vestibular para Letras e passou. Já no primeiro ano recebeu convite para substituir na EE Professora Isaura Kruger em Alumínio. 
Trabalhou em Vargem Grande, em diversas escolas de Mairinque,  e encerrou a carreira se aposentando em 2009 na EE Maria Angélica Bailot em Araçoiaba da Serra.
       Deu-nos Deus mais a Flávia e o Artur. Ela fez Serviço Social em Londrina e ele Publicidade e Propaganda em Itu. Quanto aos dois primeiros, o Wilson Cláudio fez até o segundo ano de História, porém ao perceber sua vocação para outra área, desistiu de ser professor. Hoje é microempresário e técnico em informática. A Eliane é Psicóloga formada na UNIP.  

VIDA DE APOSENTADOS


         Nada se perdeu de nossos esforços juvenis:  d. Claudineide juntou seu tempo de indústria com aulas CLT e obteve uma aposentadoria mínima pelo INSS e a aposentadoria normal pelo Estado. Hoje moramos muito perto do local onde ela, mocinha ainda,encarava as madrugadas e a tecelagem.
         Eu tenho minha aposentadoria do INSS, defasada sim, porém suficiente para vivermos dignamente. Nas enfermidades, e algumas muito graves, o convênio dela, o IAMSP não tem falhado conosco.


EM ATIVIDADE, POR QUE NÃO?


         Nossas vidas são ativas; trabalhamos em nossa Igreja Presbiteriana, no ensino, nas pregações na administração. Nas redes sociais (FACE e Blog) procuramos passar aos leitores valores que consideramos sadios e instrutivos. Mantemos amizade com pessoas de todas as denominações religiosas, tanto católicos como evangélicos.
         Cultivamos um grande carinho pelas pessoas que moram ou moraram nas cidades que nos acolheram. Isto se chama gratidão.
Procuramos passar todos os valores morais que recebemos de nossos pais aos nossos filhos e eles aos seus. Podemos dizer que:
Até aqui nos ajudou o Senhor por isso estamos alegres” (I Samuel 7.12) –Bíblia Sagrada.        

CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTA NARRATIVA


         Creio que, informalmente, dissertei sobre três assuntos muito abordados hoje em dia: Família, Educação e Trabalho do Menor. Sem nenhuma preocupação em definir cada tema ou fazer uma abordagem técnica de cada um. Apenas falei, ou melhor escrevi sobre eles utilizando meu próprio exemplo de vida e de pessoas de minha família.
         Qualquer análise sobre a postagem fica por conta de quem desejar fazer e será bem recebida Os comentários poderão ser feitos no local apropriado no blog. A seguir uma síntese que resume as condições de vda na época abrangida pela narrativa:



CONDIÇÕES SÓCIO-CULTURAIS NO MEIO AMBIENTE




1 - FAMÍLIA:


- Ancestrais nascidos na penúltima década do século 19 (avós). Pais nascidos na segunda década do século 20.

- Pais: Lavradores; Posteriormente trabalhadores em olarias (fabricação artesanal de tijolos)

- Núcleo familiar: Pai, mãe e cinco filhos homens.

- Origem do personagem: rural, interior do Estado de São Paulo.

- Pensamento dos pais a respeito da vida: “Nós somos pobres” – não se descortinava progresso para os descendentes.

- Valores morais: Rígidos: Nunca brigar, estando ou não com razão, sendo provocado ou não.

- Desviar-se de todo risco desnecessário.

- Não adquirir vícios: “Beber e fumar faz mal à saúde”.



2 - EDUCAÇÃO


A) “De berço”

- Respeitar pai, mãe e todas as pessoas mais velhas.

- Respeitar todas as autoridades.

- Temer a Deus.



B) “Escolar”



- Estudar bastante par não perder o ano.

- Quem não estuda, os outros fazem de bobos.

- Precisa estudar até terminar tudo (quarta série do ensino primário).

- A gente (minha mãe) faz qualquer sacrifício para que vocês (os filhos) estudem.

- Nunca responder mal aos professores.



C) - Condições para estudo:


- Difíceis. No sítio, menino de 8 anos exposto a animais bravios ou peçonhentos e intempéries da Natureza.

-  Na cidade, contando com a boa vontade dos parentes par estar perto da escola.

- Dificuldade financeira para adquirir material didático.

- Vida financeira familiar carente de recursos para a alimentação, vestuário e manutenção da saúde dado os valores baixos recebidos pelos serviços prestados e a escassez de assistência médica e odontológica prestada pelos serviços públicos.



TRABALHO DO MENOR



- Necessário para auxiliar na subsistência familiar. Todos os meninos ajudavam seus pais e as meninas também. Estas se não na roça ou olaria, auxiliando a mães nas tarefas da casa. Aprendiam a cozinhar lavar, passar e outras coisas mais como cuidar dos irmãos menores do que elas.

- Não esperavam retribuição financeira: Se contentavam com aquilo que os pais compravam. Divertiam-se pescando, caçando ou jogando com bola de meia, bolinha de gude, pião e outras coisas próprias da idade.

- Não sofriam nenhuma influência externa uma vez que pouquíssimas famílias possuíam um rádio. Televisão não existia ou depois que começou no Brasil, era inacessível para quem morava no interior, mormente para os habitantes da zona rural.

- Não se ouvia falar em nenhum tipo de dependência química, traficantes, pedófilos e outras coisas mais. Aliás essas terminologias são bastante recentes.




FOTOS QUE ILUSTRAM ESTA POSTAGEM 

 

ORIGENS

 

O sítio na Cabeceira Bonita

 

 

Meus pais Durvalino e d. Benedita

  

Os quatro irmãos nascidos no sitio

 OS TIOS QUE ME ACOLHERAM NA CIDADE 

 

  

  TRABALHO NAS OLARIAS

  

 A olaria do Sr. Paulo Dias situava-se neste
terreno onde ele construiu sua casa no início
da década de 1960.

   

Pipa - equipamento que amassava o barro

Fazendo tijolos (nos fazíamos dentro
de um barracão coberto por sapé)

    

Forma de fazer tijolos

  

A queima dos tijolos

TRABALHO NA CBA

  

Estação ferroviária de Alumínio onde chegamos
de mudança em 1958, vendo se parte 
das Sala dos Fornos


Nossa primeira casa em Alumínio - Rua A
da Vila Paulo Dias


Sr. Ângelo Pistila e sua família: nossos
primeiros vizinhos em Alumínio

 

Minha primeira Carteira 
de Trabalho - 1959

  

Sr. Paulo Dias - meu patrão na olaria
e chefe na CBA

 

Sr. Domingos Armando de Papel
Meu primeiro Chefe - Laminação


Prédio do antigo Escritório da CBA onde trabalhei
de 1962 a 1973. Aparecem ainda a Portaria 
e igreja antigas


 Laminador de Folhas


 
Sr. Philemon de Medeiros
Chefe na Seção Pessoal
e na Gerência Administrativa


Dr. Antonio de Castro Figueirôa
Diretor Industrial da CBA por 30 anos 
Foi meu chefe direto por 11 anos.


Engº José Netto do Prado
Diretor Industrial nos meus
últimos 5 anos trabalho


Wilson Martins - Gerente Administrativo
Meu último chefe (1990-1991)


Companheiros de trabalho na Seção Pessoal
(1962 a 1973)


Sebastião Aparecido dos Santos e Pedro Firmino,
companheiros de trabalho na Seção
Métodos e Processos (1974 a 1985)


Eleito Operário Padrão em 1984
(Recebendo prêmios das mãos do Secretário
Estadual Dr.Almir Pazianoto Pinto)


Companheiros de trabalho nos últimos anos de CBA


Companheiros de diversos setores da fábrica, agora 
aposentados e amigos nas redes sociais.


Vista aproximada de como era parte das instalações
da CBA quando me aposentei (março de 1991)


TRABALHO NO SERVIÇO PÚBLICO


Discursando como professor
em data cívica na Praça da
Bandeira em Alumínio


Participando como professores em solenidade
de formatura no Curso Supletivo Municipal


Professora Claudineide desfilando com seus
alunos da EE do Jardim Cruzeiro Mairinque


Grupo Escolar Comendador Rodovalho: 
Nos anos 70 trabalhei aí lecionando no
Supletivo Municipal


EE Prof. Manoel Martins Villaça - Mairinque
Eu e minha esposa lecionamos nessa
tradicional escola


Com a esposa d. Claudineide
na diplomação como Vereador eleito
por Mairinque e Alumínio em 1988 -
mandato 1989 a 1992.

TRABALHO NA COMUNIDADE


Correspondente jornalístico de
1967 a 1985 - Diário de Sorocaba. 

Participou em 1968 da fundação da Cooperativa
de Crédito Mútuo dos Trabalhadores da CBA, 
sendo o primeiro secretário do Conselho de Crédito


Trabalho presbiteriano iniciado
em 1981 na casa de Wilson
e d. Claudineide (Mairinque)


Participou da construção desse
templo presbiteriano em Mairinque
e também em Alumínio e Araçoiaba
da Serra.


VIDA FAMILIAR

Claudineide - a namorada
e noiva


Nosso casamento - 15-05-1965


Os filhos: Wilson Cláudio


Eliane

Flávia

Artur

Os filhos cresceram


Comemoramos bodas de prata em 1990

e bodas de rubi em 2005

Nossa família em 2010


VIDA ESTUDANTIL


A escolinha rural (a nossa não era
bonitinha assim)


1º Grupo Escolar de Santa Cruz do Rio Pardo, SP
onde tirei meu primeiro diploma

Ivone Molinari, Suas aulas de datilografia me ajudaram 
e muito para me tornar Aux. de Escritório



Colégio Estadual Prof. Julio Prestes de Albuquerque
Sorocaba, SP - Aí eu e minha esposa obtivemos
nossos diplomas do antigo ginasial




Ônibus da CBA que nos transportavam
para estudarmos em Sorocaba


Minha formatura em pedagogia  (1973)



Formatura da professora
Claudineide, minha esposa (1982)



Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba
(incorporada à Universidade de Sorocaba)
Eu em 1973 e d. Claudineide (1982) concluímos
nossos cursos aí)


GRATIDÃO

      
A Deus e ao Dr. Antonio Ermírio de Moraes (na foto com o pai dele Dr. José Ermirio, um dos fundadores da Cia. Brasileira de Alumínio). 

Na fábrica deles foi que pude desenvolver meu potencial como pessoa, trabalhando, estudando, progredindo e constituindo minha família e educando nossos filhos.


CONCLUSÃO

         Este trabalho pode ser melhorado através de críticas construtivas e sugestões. É assim que tenho feito com todas as postagens publicadas em meu blog.

        Portanto, se você tiver qualquer contribuição a fazer, poderá entrar em contato comigo através do e-mail indicado no final desta publicação, ou por mensagem no Facebook.

SOBRE O AUTOR DA POSTAGEM


Wilson do Carmo Ribeiro é industriário aposentado, pedagogo e historiador diletante. 
É presbítero em exercício da Igreja Presbiteriana do Brasil, servindo atualmente na Igreja Presbiteriana Rocha Eterna de Sorocaba.
E-mail: prebwilson@hotmail.com







2 comentários:

  1. Parabéns pelo relato. O que conseguimos com esforço, é muito mais duradouro. Deus continue abençoando-os. Leocádio

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  2. Buscando o logo do antigo uniforme do Estadao, cheguei ao blog, realmente dificil deixar de ler... Nostalgias da idade, quero recordar e poder mostrar lo, caso o Sr. o conheca ou saiba de alguém que lembre como era, fico agradecida. Bendiciones desde Perú.

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