segunda-feira, 25 de março de 2013

SOROCABA - HISTÓRIA ILUSTRADA DO MUNICÍPIO



INTRODUÇÃO
 
Quando cursava o segundo ano na escolinha rural no bairro Cabeceira Bonita, divisa dos Municípios de São Pedro do Turvo e Campos Novos Paulista em 1950 chegou às minhas mãos um livro que trazia, entre outras coisas, as os mapas das estradas de ferro do Estado De São Paulo: Estrada de Ferro Sorocabana, Paulista, Central do Brasil, Mogiana, Santos-Jundiaí, Noroeste.
Logo minha atenção se fixou na Sorocabana, pois residia na região servida por essa ferrovia. Mais tarde ficaria sabendo que meu avô Joaquim Antonio Ribeiro, o Florenção (1886-1963) trabalhou na abertura do trecho entre Ourinhos e Piquerobi como vigia.
Li e reli várias vezes a seqüencia das estações e logo havia memorizado tudo. Sorocaba estava ali, logo depois de Mairinque, visto que as estações menores não constavam.
Mais tarde, residindo em municípios como Santa Cruz do Rio Pardo, Bernardino de Campos e Ipaussu ainda na década de 1950, onde fazíamos tijolos, eu via o nome de Sorocaba na embalagem de um produto que meu pai comprava todos os meses: macarrão, numa embalagem na cor verde com o nome estampado: “Pastifício Campanini”.
No final de 1958, tendo ficado sabendo da existência da Cia. Brasileira de Alumínio meu pai veio até aquela fábrica para arrumar emprego. Nossa mudança veio num trem de carga e nós viemos um dia após no trem de passageiros chamado “Ouro Verde”.
Não sendo admitido de imediato, meu pai e a família ficou até quase o final de 1959 fazendo tijolos no então bairro de Alumínio, que à época pertencia ao Município de São Roque. Ele foi admitido ainda nesse ano. Eu e meus irmãos a partir de 1960

VIVENCIANDO SOROCABA


Trabalhando na área administrativa da CBA, em 1964 senti que precisava dar sequência aos estudos, visto que só possuía o certificado de conclusão do antigo primário. Matriculei-me no curso de Madureza Ginasial na Associação Cristã de Moços (ACM), fiz os exames em escolas estaduais e concluí o primeiro grau. Fiz o segundo grau no Liceu Pedro II e Pedagogia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras.
Entrementes, em 1964 conheci em Sorocaba a moça Claudineide Marra, com a qual me casei em maio de 1965, no templo em construção da Igreja Presbiteriana Filadélfia, à Av. São Paulo, em Sorocaba.
Desde então, mesmo residindo em cidades próximas, como Alumínio, Mairinque e Araçoiaba, sempre estive em estreito contato com Sorocaba, onde vim residir com minha esposa em junho de 2011. Os filhos, já casados, quase todos trabalham e mora aqui com suas famílias.


TESTEMUNHANDO AS MUDANÇAS DE SOROCABA

A primeira vez que estive em Sorocaba foi para tirar minha Carteira de Trabalho. Isto ocorreu em 18 de julho de 1959.
Nessa época ainda existiam os trilhos dos bondes nas ruas da cidade. As vias públicas, mesmo as do centro, eram na maioria, calçada com paralelepípedos.
Quanto à Avenida Dr. Afonso Vergueiro, com base em informações que recebi, apresentava este quadro: “Até 1869/1870 é predominantemente residencial com 92,31% endereços residenciais e está localizada no bairro de Centro na cidade de Sorocaba SP.
Com mais de 132 domicílios, a Avenida Doutor Afonso Vergueiro - até 1869/1870 caracteriza-se por 5,30% de domicílios constituídos de casas,sobrados ou similares e 94,70% de edifícios de apartamentos ou conjuntos residenciais com vários domicílios de famílias distintas.” (Lembranças Sorocabanas – Facebook)
 A Av. São Paulo a leste e a Av. General Carneiro a oeste eram as vias mais movimentadas fora do centro. A Avenida Hermelino Matarazzo no sentido norte e a Av. Barão de Tatuí até onde se localiza a igrejinha de João de Camargo completavam as vias de maior fluxo da cidade.
Com a realização do plebiscito em 01-12-1963 e a emancipação de Votorantim, Sorocaba se apressou em tomar as providências para instalar o Distrito Industrial no Bairro do Éden. Vieram as indústrias e aí Sorocaba se desenvolveu rapidamente até o ponto em que a conhecemos nos nossos dias.

A seguir, transcrevemos um resumo da História de Sorocaba que pode ser encontrada no site da Câmara Municipal de Sorocaba: Ei-lo:   

 


A Fundação 

"A região do rio de Sorocaba foi povoada inicialmente pelos Tupiniquins. Conta-se que, antes do descobrimento do Brasil pelos portugueses, passava pelas atuais ruas de Sorocaba o "Peabiru" (o caminho indígena transulamericano), um caminho utilizado pelos silvícolas e, bem mais tarde, pelos Bandeirantes e Missionários, em demanda do Sul e Oeste, com ramos que também se dirigiam ao litoral. Por volta de 1589, Afonso Sardinha, "O Velho", seu filho homônimo conhecido como "O Moço" e o técnico em Mina, Clemente Álvares estiveram no morro Araçoiaba à procura de ouro. Encontrando minério de ferro, imediatamente comunicaram ao Governador Geral o achado. Em 1599, aqui esteve o Governador D. Francisco de Souza, levantando um Pelourinho, símbolo do poder real, na nova Vila de Nossa Senhora de Monte Serrat e mandando mineiros explorarem os córregos, rios e montanhas da redondeza, em busca de ouro.

Monumento a Baltazar Fernandes

Nada encontrando, após seis meses, D. Francisco retirou-se, tendo início à decadência da Vila, que acabou por se mudar, por ordem do mesmo Governador, em 1611, para Itavuvu, ficando sob a invocação de São Felipe, em homenagem ao rei da Espanha. Também esta povoação teve vida efêmera.
Os paulistanos percorriam os ramais do Peabiru à caça de índios para escravizá-los. Entre os "caçadores", estava o Capitão Baltazar Fernandes (O Rebelde), que ganhou esta região em forma de sesmaria. Em 1654, Baltazar Fernandes e seu genro, o Capitão André de Zunéga Y Leon (O Forasteiro), a mando da Camarilla do Rio de Janeiro mudaram-se para a região. Em data não registrada, Baltazar Fernandes e sua família, mais os escravos índios, chegaram à região para o seu povoamento e posse. O primeiro documento oficial de que se tem notícia é o testamento de Isabel de Proença, segunda esposa de Baltazar Fernandes, de 28 de novembro de 1654, quando aparece pela primeira vez o nome da "Fazenda de Sorocaba". O pesquisador Rogich Vieira acredita fielmente que o povoamento deu-se logo após a frustrada aclamação de Amador Bueno, como "Rei de São Paulo", em abril de 1641.
Em 21 de abril de 1660, Baltazar Fernandes garantiu a fundação doando aos Monges de São Bento, de sua Parnaíba, a capela de Nossa Senhora da Ponte e outros bens.
Já tendo construído a Igreja de Nossa Senhora da Ponte, atual Igreja de Sant'Ana, do Mosteiro de São Bento e sua casa de moradia, no Lajeado, Baltazar Fernandes garantiu a fundação do novo povoado, doando aos Monges de São Bento, de Parnaíba, muitas glebas de terra, a capela de Nossa Senhora da Ponte e outros bens, com a condição de que construíssem o convento e mantivessem escola para quem desejasse dedicar-se aos estudos.

Mosteiro de São Bento
Isso atraiu para a nova paragem muitos moradores espalhados pela região, auxiliando o povoamento e motivando a vinda de novos habitantes para a localidade. O povoado recebeu o nome de Sorocaba, denominação que tem sua origem no Tupi-guarani, que significa terra (aba) rasgada (çoro).
A exemplo de seus irmãos, Baltazar Fernandes viu sua "fazenda" crescer e com isso, a necessidade de dar-lhe vida pelo Direito. Assim, em 1661, Baltazar Fernandes aproveitou-se da presença do Governador Salvador Corrêa de Sã e Benevides em São Paulo e, através de um requerimento datado de 2 de março em que provava a existência na região de TRINTA FOGOS, como eram chamadas as famílias aqui estabelecidas, conseguiu o despacho no dia seguinte, permitindo que sua "fazenda" fosse elevada à categoria de Vila. O despacho também permitia a transferência simbólica do pelourinho da decadente Vila de São Felipe, no Itavuvu, para o seu local atual, com o nome de Vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba. Também no mesmo dia 3 de março a primeira 
Câmara Municipal foi nomeada.

Bandeirantes

Como o Capitão Baltazar Fernandes e o Capitão André de Zunéga Y Leon, os primeiros moradores da Vila de Sorocaba, eram Bandeirantes que buscavam ouro, apresavam indígenas e ampliavam as fronteiras do País.
Assim é que Paschoal Moreira Cabral, os irmãos Antunes Maciel, os Sutil de Oliveira, os Almeida Falcão e muitos outros desbravaram primeiramente o sul do Brasil; mais tarde aprofundaram-se para o sul do Mato Grosso, Campos de Vacaria, onde montaram um entreposto para comerciar com os espanhóis, ponto de partida para explorações por toda a extensão das selvas amazônicas.
Em 1715, Paschoal Moreira Cabral parte com uma grande Bandeira para o Mato Grosso, descobrindo ouro no rio Coxopó, afluente do rio Cuiabá, em 8 de abril de 1719. Lá, fundou o Arraial de Nossa Senhora do Coxopó, que foi mudado em 1722 para a atual localização de Cuiabá, após Miguel Sutil de Oliveira ter encontrado quantidades imensas de ouro nas próprias ruas daquele arraial. Com isso, sorocabanos desbravaram para o Brasil um dos seus mais ricos Estados.

Tropeirismo

Em 1733, passa por Sorocaba a primeira tropa de muares, conduzida por Coronel Cristóvão Pereira de Abreu, fundador do Rio Grande do Sul, inaugurando um novo ciclo histórico - o do Tropeirismo. Com o passar dos anos e o acréscimo do número das tropas, Sorocaba tornou-se sede das Feiras de Muares, reunindo-se aqui brasileiros de todos os quadrantes, a venderem ou comprarem animais e, ao mesmo tempo, ajudando a disseminação cultural dos vários rincões pátrios. A cidade, por força de sua situação geográfica privilegiada, transformou-se no eixo geo-econômico entre as regiões norte e sul do Brasil. O norte empenhava-se na mineração e na exploração das imensas reservas florestais; o sul, na produção de animais de carga e de corte, um completando o outro.
A grande densidade demográfica, transitória da época das Feiras de Muares, e principalmente o afluxo de gente endinheirada, ajudou o desenvolvimento do comércio e da indústria caseira, ficando famosos no Brasil as facas e facões sorocabanos, e também as redes aqui tecidas. Também eram muito apreciados os doces e as peças de couro para montaria, havendo inúmeros ourives que se dedicavam exclusivamente a fabricar enfeites em ouro e prata para selas e arreios, estribos, cabos de chicotes e facas.

 
 Tropa solta de muares, ciclo tão importante quanto o Ciclo do Ouro no Brasil (Debret - 1820).
As importâncias arrecadadas no Registro de Animais eram tão expressivas que o emprego mais cobiçado existente era justamente o de Diretor do Registro, por onde passavam homens ilustres, como o próprio Brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar. Com o desenvolvimento das Feiras e conseqüente crescimento da mão-de-obra especializada das indústrias caseiras, apareceram, logo em 1852, as primeiras tentativas fabris: a do algodão, de Manoel Lopes de Oliveira e a de seda, em teares fabricados pelo próprio pioneiro, Francisco de Paula Oliveira e Abreu.
Ambas não passaram de ensaios, porquanto a de seda pereceu por falta de apoio financeiro e a de algodão, por causa da Guerra de Secessão Americana, que privou as fábricas de tecidos ingleses da matéria-prima indispensável, elevando os preços a tal ponto que era mais vantajoso exportar o algodão para a Inglaterra a tecê-lo aqui. Com isso, pioneiramente, no Brasil, Sorocaba plantou algodão herbáceo em substituição ao arbóreo, em grande quantidade, enviando-o em lombo de burro até Santos, de onde seguiu para a Inglaterra

Estrada de Ferro Sorocabana

As primeiras sementes de algodão foram plantadas na cidade em 1856, desenvolvendo-se grandemente. Luiz Matheus Maylasky, o maior comprador de algodão da zona, em 1868, resolveu fundar uma fábrica de tecidos em Sorocaba. Transposto o maquinário à cidade, construiu um vasto barracão para estabelecer sua fábrica, cujo prédio serviu mais tarde, para as oficinas da locomoção da "Sorocabana". Já em 1869, surgiu a idéia dos Ituanos de construírem uma via férrea ligando Jundiaí a Itu.

 
 Carros de passageiros para trens de subúrbio, adquiridos nos anos 40, nos Estados Unidos
Face ao alto custo do empreendimento, capitalistas sorocabanos foram convidados para entrarem como acionistas da "Companhia Ituana" que formara-se para construir a linha. Maylasky se pôs à frente, convidando as pessoas de relevância da cidade para o levantamento do capital necessário. Porém, era de interesse dos sorocabanos de que esta linha não fosse só até Itu e sim, que se estendesse até Sorocaba para que também se beneficiasse da ligação férrea.
Consta que essa reunião - efetuada em 20 de janeiro de 1870 - e na qual a comissão sorocabana foi muito mal recebida, estimulou Maylasky a organizar e fundar em Sorocaba, em 1871, a "Companhia Sorocabana", com o objetivo de construir uma via férrea de Sorocaba a São Paulo, intento esse o que foi levado a bom termo ao fim de cinco anos. A 10 de julho de 1875 é inaugurada a Estrada de Ferro Sorocabana. Em recompensa pelos serviços prestados, Maylasky foi mais tarde agraciado por D. Pedro II, com o título de "Visconde de Sapucahy". Após quase dez anos de incansáveis lutas, retirou-se da Diretoria da Estrada em 1880.
Depois de muitas ampliações em suas linhas, em 1907 a ferrovia foi arrendada para a "The Sorocaba Railway Co.", empresa de capitais ingleses. Em 1918, passou à propriedade do Estado de São Paulo, até que um acordo permitiu sua incorporação à RFFSA e posteriormente a sua privatização. Porém, a Estrada de Ferro Sorocabana foi um dos fatores que mais colaboraram para o grande desenvolvimento industrial local, tornando-o no que é hoje: um dos maiores Parques Industriais do interior de São Paulo.
Esse crescimento industrial iniciou-se, principalmente, após o término da Guerra, quando os americanos principiaram novamente as plantações de algodão em quantidade suficiente para exportação, fazendo a matéria-prima brasileira menos procurada. Com a menor exportação e os preços aviltados, os sorocabanos endinheirados começaram novamente a pensar no aproveitamento local do algodão e assim Manoel José da Fonseca, em 2 de dezembro de 1882, inaugurou sua Fábrica de Tecidos Nossa Senhora da Ponte. Logo, em 1890, apareceram as Fábricas de Santa Rosália e Votorantim, e a seguir muitas outras, tornando Sorocaba uma cidade industrial. Já na década de 1860 houve uma fábrica de chapéus, do húngaro Antonio Rogich, que perdurou até 1932, quando encerrou sua produção.

Ferro e Metalurgia

A Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema, atestado de pioneirismo metalúrgico de Sorocaba em toda a América Latina, após muitas tentativas desde a fundação da cidade, teve êxito total em 12 de novembro de 1818, quando o sueco Frederico Luiz Guilherme de Varnhagem (O Degenerado), fez correr dos altos fornos o metal fundente para três formas de três cruzes. Varnhagem viera em 1809 para cá, como auxiliar dos suecos, que já tentavam lograr êxito nessa área, sendo elevado a diretor da Fábrica em construção, por carta régia de 27 de setembro de 1814, cargo que ocupou por dez anos. A fábrica de Ipanema produziu grande quantidade de ferro, principalmente material bélico, durante a Guerra do Paraguai. Em 1852, graças à acumulação de capital proporcionada pelas Feiras de Muares, surgiram as primeiras fábricas de algodão e de seda.
Da mesma Real Fábrica do Ipanema saiu um dos maiores sorocabanos: o filho do diretor, ali nascido, Francisco Adolfo de Varnhagem, o Visconde de Porto Seguro, que passou à posteridade como "O Pai da História do Brasil.

Ensino

O ensino em nossa cidade vem dos primórdios da fundação, quando os Beneditinos tiveram sua escola de Canto Chão e Latim, em cumprimento às disposições contratuais da doação de Baltazar Fernandes, e que duraram até 1805, quando daqui se retirou o último professor da ordem de São Bento.
Com a vinda de D. João para o Brasil, logo em 1812, os sorocabanos pediram uma escola de primeiras letras, que finalmente foi concedida e instalada em 1815. Por essa escola passaram mestres como Jacinto Heleodoro de Vasconcelos, Gaspar Rodrigues Macedo, Francisco Luiz de Abreu Medeiros etc. Por volta de 1830 foi fundada a primeira escola feminina de primeiras letras e em 1845, a primeira cadeira de Latim e Francês que, na época, equivalia ao curso secundário, e teve como professor Francisco de Paula Xavier de Toledo. Dessas escolas secundárias criadas em diversas cidades, apenas Sorocaba conseguiu manter a sua, pelo número de alunos que a freqüentavam.
Aposentando-se, o professor Xavier de Toledo abriu nova escola rural, com internato para ambos os sexos, o Colégio do Lajeado, que se tornou famoso em todo o Estado e pelo qual passaram próceres da política e governança de São Paulo, como, por exemplo, Júlio Prestes de Albuquerque, Ubaldino do Amaral e outros.
Hoje, Sorocaba conta com três Universidades, UNISO, UNIP E PUC. Conta também com a FATEC - Faculdade de Tecnologia, de ensino gratuito e outras Faculdades particulares.

Conclusão

A Lei Provincial nº 5, de 5 de fevereiro de 1842, elevou Sorocaba à Categoria de Cidade, juntamente com Curitiba (que ainda pertencia a São Paulo) e a Vila de São Carlos, que passou a chamar-se Campinas. A Comarca foi criada em 30 de março de 1871, pela Lei Provincial nº 39.
Ciclos distintos marcaram o desenvolvimento da cidade fundada por Baltazar Fernandes. No primeiro ciclo, tivemos o Bandeirantismo, quando os sorocabanos alargaram as fronteiras pátrias para muito além do que previa o Tratado de Tordesilhas.
O segundo ciclo é o do Tropeirismo, marcado pelas famosas Feiras de Muares que transformavam a cidade numa verdadeira metrópole pela presença de brasileiros de todos os rincões que aqui realizavam grandes negócios. O Tropeiro, em suas viagens, propiciou que se criassem cidades em cada pouso e levou o nosso nome para todos os pontos da pátria. Também neste ciclo, observa-se o progresso da policultura e o pioneirismo do plantio do algodão.
Num outro ciclo, a indústria passa a ocupar lugar de destaque na economia sorocabana, justificando o cognome "Manchester Paulista". Mais tarde, verifica-se um quarto ciclo, o do ensino, que embora venha desde a fundação da cidade, apenas em meados do século passado começou a tomar impulso, chegando neste século a grande desenvolvimento. No momento Sorocaba conta com escolas de todos os níveis, em número avultado, proporcionando-nos um segundo cognome: "Cidade das Escolas e Indústrias".
Atualmente, como mais um ciclo que caracteriza sua história, Sorocaba representa um centro comercial em evolução. Ao lado de seu Parque Industrial bastante diversificado, de suas escolas lutando agora por sua Universidade, Sorocaba representa uma cidade em que há grande circulação de riquezas, sendo hoje a quarta cidade em crescimento de arrecadação do Estado.
O modesto conjunto de 'Trinta Fogos", que Salvador Corrêa fez que testemunhassem sua existência nos idos de 1661, transformou-se na grande cidade de hoje, com lugar de destaque tanto no Estado como no País.
O preço desse progresso é o desaparecimento de alguns costumes típicos que caracterizavam a cidade e o povo, principalmente no sentido folclórico, ganhando o povo e a cidade novos hábitos, costumes, e, também, características dos grandes centros urbanos. Mas há a preocupação constante de se preservar e aumentar a qualidade de vida dos sorocabanos, de nascimento ou de coração que aqui vivem."



Hino oficial de Sorocaba


Bandeira de Sorocaba (com o brasão ao centro)

Nota: Além das Universidades mencionadas no texto histórico, acrescenta-se a inauguração da UFSCAR – Universidade Federal de São Carlos em 20-08-2010 com a presença do Presidente da República Luiz Ignácio Lula da Silva.
    
GENTE QUE FAZ HISTÓRIA
 
No livro “Minha Terra, Minha Gente” do autor Caputti Sobrinho, editado pela Fundação Ubaldino do Amaral em 1995 encontramos excelente material sobre gente que deixou uma marca indelével na História de Sorocaba.
O autor é, ao mesmo tempo, historiador e personagem histórico de uma fase na rica trajetória desta cidade que já foi cognominada de Manchester Paulista por causa de sua inúmeras fábricas de tecidos.
Selecionamos algumas dessas personagens, e, através das fotos e pequenos comentários, estaremos incorporando a este nosso trabalho esta valiosa colaboração que nos veio às mãos através dessa prestigiosa instituição que é a Fundação Ubaldino do Amaral, responsável pelo mais tradicional jornal da imprensa sorocabana: o Cruzeiro do Sul.
Vamos aos personagens:


O Livro Minha Terra Minha Gente


Alzira Sucuri

Uma mulher que viveu em Sorocaba e costumava pedir dinheiro na região central da cidade. É descrita pelo autor como “Um tipo inesquecível. Afrontosa e meiga ao mesmo tempo. Alzira Sucuri é jóia rara do nosso relicário popularesco”.
Nos meus tempos de estudante em Sorocaba (1964 a 1973) conheci Alzira.


Joubert Wey


Filho do capitão Otto Wey e de d. Dionísia Dias Wey, nasceu em São Paulo, é descrito no livro como “uma das mais diversificadas figuras da primeira metade do século XX. Exuberante como radialista, exemplar como funcionário público, era o ecletismo, no entanto, o aspecto proeminente de sua buliçosa personalidade.”
Joubert Wey foi um pioneiro da radiofonia sorocabana.


Dr. João Machado de Araújo


João Machado de Araújo nasceu em Aracaju, Sergipe e veio para Sorocaba em 1907, aqui se casando com a professora Maria Amélia César, que foi mestra na EE Prof. Antonio Padilha.
Tem um extenso histórico que pode ser resumido como um homem formado em Farmácia e Medicina pela Universidade da Bahia, que em Sorocaba foi político e educador, pioneiro do ensino secundário. Seus filhos se destacaram nas carreiras da Medicina e do Direito.


Professor José Reginato

Descrito por Caputti Sobrinho  como  “um dos mais empolgantes catedráticos do velho “Estadão”, além de invejável tribuno como advogado.”
O Prof. José Reginato foi professor de História no Colégio Estadual Prof. Julio Prestes de Albuquerque, uma das mais tradicionais escolas estaduais de Sorocaba. Caputti Sobrinho foi aluno de Reginato e tempos depois trabalhou como colega do antigo mestre, visto ter-se tornado professor de Português naquela escola.

Memórias do Rádio Sorocabano

O autor dedica sete capítulos de seu livro à Memória do Rádio Sorocabano. Discorre com brilhantismo sobre homens e mulheres que desbravaram esse segmento artístico em nossa cidade. Resumiremos, com breves citações do autor e as fotos que ilustram o assunto.


Orlando da Silva Freitas

Assim o autor ilustra a foto deste personagem: “Ninguém falará do rádio e da imprensa dos anos 40 em Sorocaba sem destacar o nome do intimorato empresário Orlando da Silva Freitas
Orlando  da Silva Freitas foi empresário no ramo da radiofonia, sendo fundador proprietário da PRD 7, Rádio Clube de Sorocaba.

PRD 9 RÁDIO SOCIEDADE A VOZ DE SOROCABA
Emissora fundada por Rafael de Cunto, o Bizuzi, era rival da PRD 7 chegou a ter uma revista própria, denominada A Voz de Sorocaba. 

  
Norberto Amaral Bastos
 
pianista genial e um dos grandes incentivadores do rádio em nossa terra.”
O autor se refere a esse artista como um músico de excelsas qualidades, um gênio do teclado, cuja humildade o tornou um ídolo da sociedade sorocabana. 


Conjunto Lágrima Sonora


Esse conjunto se apresentava com êxito no “Programa da Saudade” da Rádio Clube. Era integrado pelos músicos: Em pé: Luiz da Silva Ramos (cavaquinho); João de Barros (clarineta); Arlindo Baddini (flauta); Valentim Pedroso (violino), André Sabará (contrabaixo); sentados: Silvio Campolim e Julio Silano (violões); no centro, o cronista, locutor e produtor da Hora da Saudade (Caputti Sobrinho).  


Trio de locutores da Rádio Sociedade a Voz de Sorocaba:
Silvio Betti, Joubert Wey e Caputti Sobrinho 
(da esquerda para a direita)


Grupo Dramático Cruzeiro do Sul

Um dos primeiros e mais famosos grupos dramáticos de Sorocaba, era dirigido por Nhô Quim Pires e integrado pelos atores Rogério Arcuri, Fortunato Amaral, Lula Wagner, Basilio Leite Godoy, Hilário Souto, Rafael Cucurulo, Francisco Signoreli, Eurides Fogaça, João Santisteban, Manoel Corrêa e outros.  


ESPORTE CLUBE SÃO BENTO 


Sobre o E.C. São Bento de Sorocaba, clube tradicional e de tantas glórias mas que vive em constantes dificuldades há vários anos para se manter no futebol profissional, Caputti Sobrinho, que era torcedor fanático escreveu:

"O drama do nosso querido São Bento me trouxe doces recordações. Faz muito tempo. João Wey era presidente da LlSOFU e eu um de seus diretores. A sede da Liga era aqui na Rua Maylasky, num sobradinho onde hoje está a garagem da Caixa. O time beneditino nem de longe pensava em pertencer às divisões superiores; disputava, bem me lembro (e se estiver errado, que me corrija o enciclopédico João Pensa) o campeonato citadino, defrontando-se, em homéricos arranca-rabos, em épicos arranca-tocos, com o Fortaleza, Estrada, Savóia, São Paulo Atlético, Guarani e outros. Era uma festa local que, em tempos mais distantes, lotava o Velódromo (antiga chácara leão) e, mais modernamente, as canchas dos referidos grêmios esportivos. Muitas vezes funcionei como representante da Liga em refregas importantes e tive que descascar numerosos e cascudos abacaxis.
Fiz esse intróito para afirmar que, não é de hoje, que torço e sofro pelo nosso São Bento. Nos trinta e tantos anos que andei afastado da terra, (afastado, sem esquecê-Ia, marcando sempre minha insignificativa presença nos jornais, nos eventos sociais e culturais) sempre fui uma vítima nas mãos dos gozadores com que trabalhei. Bastava o São Bento perder (já na Divisão superior) para que caísse sobre este pobre sorocabano no exterior, uma saraivada de apupos e sarros, que eu tolerava com franciscano pacifismo. Mas, como uma vez era da caça e outra do caçador, promovia também verdadeiros festins franciscanos que balburdiavam a repartição. Quando o esquadrão alvi-celeste foi guindado ao ninho das águias, tomei uma bebedeira. Ninguém me agüentou por uma semana. Promovi uma bagunçada geral.
Eu e mais dois sorocabanos da Federação das Indústrias. Foi uma comemoração memorável, com cerveja, hurras e faixas campeoníssimas. Foi o dia da caça!
Uma verdade precisa ser dita, embora até eu deva me incluir no rol dos culpados: não se torce hoje como se torcia antigamente, quando o domingo (e somente o domingo) era galhardamente dedicado ao futebol. Estádios cheios. Assistência inflamada. Paixão incontível. Vem-me à mente o acolhedor Humberto Reale, sua entrada estreita pela Nogueira Padilha e seu gramado, uma verdadeira carpeta de mesa de pôquer. Humberto Reale! Para muitos, apenas a denominação de um estádio de futebol. Para mim, o amigo, o esportista, o médico simples, caridoso, que dava consultas (a maioria de graça) nos altos do velho sobradão da Braguinha-Maylasky, hoje edifício Sofia Cheda. Humberto Reale! O cidadão sorocabano que, meritoriamente, engalanou as páginas de nossa história e que hoje, melancolicamente, é uma praça de esportes desativada (ainda bem que o clube parece pretender reativá-Ia). Meu amigo dileto, de longas horas de papo e de constante convívio social. Humberto Reale: caritativo médico, gente boa, um benemérito! Parabéns ao São Bento por pensar em revivescer sua memória. Parabéns.
Estas lembranças do São Bento de hoje e de ontem, levam-me, obrigatoriamente, a um outro símbolo da vida sorocabana. Um homem que ainda é credor de homenagens maiores, bem maiores do que um busto de bronze e um nome de rua.
Falo do saudoso amigo dr. José Stilitano, um sambentista doente, fanático, inobscurecível.
Lembro-me bem: nos velhos domingos sorocabanos, após seu plantão matutino na Santa Casa (saudado sempre pelo sino de entrada), o hercúleo então Rei do bisturi reunia-se com seus amigos no Bar Scherepel (hoje Farmácia Baronesa) até que o leio Amato (seu anjo da guarda) parasse o carro e gritasse rouquenho:
- Doutor, o piru está pronto!
Sim. Todos os domingos o doutor mandava assar na Padaria Royal de seu irmão Francisco (a mesma de hoje, na Monsenhor João Soares um peru com batatas. E lá íamos nós (este cronista, os doutores Rogich, Tabacow e, às vezes Lauro Rolim) para a mansão da Rua 7 de Setembro, Ipanema Clube. O rega-bofe era principesco. Stilitano abria sua adega e os melhores vinhos eram servidos. Ali pelas três, três e meia, os comensais iam para o futebol, mormente quando jogava o São Bento. Não se perdia uma partida.
Nos amistosos do clube, fosse em Itu, Itapetininga ou Campinas, havia sempre um grupo torcendo  e brigando: era a turma do dr. Stilitano.
O tempo, implacável, sempre tem seu the end para acabar com as histórias.
Em 1952, como a andorinha, parte em busca de outros verões, dediquei uma inteira juventude à imprensa, ao magistério, à odontologia, às letras. Quando, na última curva do Alto da Boa Vista, senti que algo estava faltando dentro de meu peito: só 27 anos depois, ao regressar à minha terra natal, reencontrei o meu coração. A cidade mudara. Muitos de meus amigos haviam virado nome de rua. Lutei e  luto até hoje por uma difícil readaptação, sonhando, nos bancos da Praça com idos tempos e irregressíveis momentos. Tudo se alterou, menos uma coisa: ali está silenciosa testemunha do passado, a pequenina sede do Esporte Clube São Bento, onde joguei baralho com Pepico, Terron e Mascavo, onde dancei memoráveis carnavais e onde festejei, com rojão de vara, esplêndidas vitórias do clube do Bataclan.
E se o São Bento ainda existe, se homens intemeratos, à custa de lutas o trouxeram até aqui, por que não festejá-Io, incentivá-Io, prestigiá-Io como uma instituição sorocabana que é? Manter-se entre os grandes, projetando o no nome de Sorocaba, foi, sem dúvida, a grande vitória de uma agremiação sem dinheiro e sem aplausos, com apenas um pujilo de crentes sonhadores, escrevendo com sangue a história do que resta no panorama esportivo de Sorocaba.
É hora de ajudar o São Bento, minha gente!"


EC São Bento em 1961 no estádio Humberto Reale, que já não existe mais.
Em pé estão Gibe, Paulinho, Atílio, Julião, Salvador, Ceci e o massagista 
Navarro; agachados vemos Paraná, Maurinho, Raimundinho, Picolé, 
Mickey e Bazaninho. No ano seguinte, com poucas alterações em relação
a esse time o azulão sagrou-se Campeão Paulista da 2ª Divisão de
Profissionais da FPF.


"Rogério Carvalho - Imprensa em Sorocaba (1842-1920)

Imprensa em Sorocaba (1842-1920) - A criação oficial da imprensa no Brasil ocorre em 31 de maio de 1808, a través de alvará expedido por D. João VI. Na cidade de São Paulo o primeiro jornal impresso em tipografia é o Farol Paulistano, em 1827. A partir de então o jornalismo começa seu desenvolvimento de maneira ainda claudicante. Sorocaba é a primeira cidade do interior de São Paulo a ter um jornal publicado. Trata-se de O Paulista, órgão oficial da revolução de 1842, dirigido pelo senador e ex-regente do Império, padre Diogo de Antonio Feijó.

Em 1843 surge O Ipanema, redigido por Joaquim Leme de Oliveira César, ao que tudo indica não passou do primeiro número. Seguiram-se O Cometa (1843), O Defensor (1852), O Monitor (1856), todos com existência efêmera, no máximo um ano. O Araçoiaba aparece em 1866, jornal no qual Matheus Maylasky fazia propaganda da lavoura de algodão, além de defender a implantação de uma fábrica têxtil na cidade.

O Sorocabano surge em 13 de fevereiro de 1870, com participação de Ubaldino do Amaral, passando a se chamar O Sorocaba, em 1872, tendo como redator Júlio Ribeiro.

O advento do jornal O Ipanema, em 1872, marca o início da carreira de um dos grandes jornalistas da imprensa sorocabana, Manoel Januário de Vasconcelos. Republicano convicto, escolhe a carreira jornalística como veículo privilegiado para a difusão de seus ideais. Nos primeiros anos de existência do jornal o redator era o advogado liberal e republicano Antônio Ferreira Braga. Entre 1871 e 1873 existiu também O Americano, sob direção de Francisco de Paula Oliveira Abreu.

O Ipanema tornou-se a publicação de mais longa duração existente até então na cidade. Em 1874, Ferreira Braga promove nas páginas do jornal uma campanha contra Maylasky por sua condição de presidente da Companhia de Estrada de Ferro Sorocabana. Este para se defender vai ao Rio de Janeiro comprar um moderno prelo Alouzet, chamando para a redação do jornal ninguém menos do que Júlio Ribeiro. Da capital do Império o capitalista trouxe também um tipógrafo que entraria para a história de imprensa sorocabana, João José da Silva. O jornal se chamou Gazeta Comercial e durou até 1875, pouco tempo depois da inauguração da ferrovia.

Ainda na década de 1870 existiram os seguintes jornais: A Voz do Povo, depois denominado O Colombo, O Votorantim e a Gazeta de Sorocaba.

Em 1880 aparece o Diário de Sorocaba, que é de certa maneira o sucessor do Ipanema, pois era editado por Manuel Januário. A publicação durou até 1892.

Na década de 1890 o cenário jornalístico na cidade ganha em intensidade, com o surgimento de várias publicações. João José da Silva publica O Alfinete entre 1891 e 1892, e, neste mesmo ano, funda um dos mais importantes jornais da história da imprensa sorocabana, O 15 de Novembro. Esta publicação vai durar até 1908. Outro jornal importante nesta década é A Voz do Povo, não tendo a ver com aquele da década de 1870. Este periódico foi editado inicialmente por Bernardino Álvares Souto, mas logo Ferreira Braga assume a sua direção. A participação na Revolução Federalista de 1893 complicou a sua situação política na cidade, uma vez que o comando político estava nas mãos dos florianistas. Esse embate pode ser verificado nas páginas do 15 de Novembro, representando as posições florianistas, e na Voz do Povo. O empastelamento do jornal de Ferreira Braga, em 1896, atesta o ponto culminante dessas tensões.

Os anos de 1900 e 1901 assistem a primeira crise no seio do Partido Republicano Paulista (PRP), tal fato ocorre em função da ''política dos governadores'', arquitetada pelo presidente Campos Sales, mas também envolvia interesses comerciais e industriais. A ala dissidente era composta, entre outros, por Prudente de Morais, Cerqueira César. Alfredo Pujol, Cincinato Braga e Júlio de Mesquita. Essa crise repercute na política sorocabana. Assim, Joaquim Firmiano de Camargo Pires (Nhô Quim Pires) rompe com a direção local do partido indo para a oposição. Para divulgar suas idéias funda, em 1903, o Cruzeiro do Sul. No âmbito situacionista, o partido republicano era comandado por Nogueira Martins, contando com apoio do 15 de Novembro.

Em 1900, surge outra versão do Diário de Sorocaba, tendo como redator Antonio de Oliveira, esta versão dura até 1910. O jornal ainda teria uma terceira versão, agora sob a direção de Pedro Mesquita, mas, ao que parece, só foi publicado no ano de 1914.

As duas primeiras décadas do século XX são marcadas por uma profusão de pequenos periódicos, todos eles de vida efêmera, é verdade, mas que atestam a inserção da cidade nos fluxos das transformações que estavam ocorrendo no mundo e no país naquele período. Podemos destacar dentre eles, os jornais operários, indicativos do processo de industrialização por qual passa a cidade, A Lucta (1899-1900), A Arrelia (1901) e O Operário (1909-1913). Dignos de nota também são O Janota (1913), O Zéphyno (1913), A Onda (1910), A Épocha (1914), O Aymoré - órgão do clube Aymorés (1904), A Brisa (1914) e o jornal O Veneno (1913), que possuía o sugestivo subtítulo de Periódico Art-Noveau, dirigido pelo Dr. Strychinina. 

Também merece menção a revista ilustrada A.B.C., publicada em 1914, narrando fatos da vida social da cidade e com um acabamento editorial que só seria alcançado em Sorocaba pelas revistas A Cidade e Vésper, algumas décadas depois.

Referências Bibliográficas: Almanach Illustrado de Sorocaba - Repositório histórico, literário e recreativo com illustrações. Organizado por Bráulio Werneck, Anno I, Sorocaba: Tipographia Werneck, 1914; Almanaque de Sorocaba - do ano santo de 1915. Direção: Arlindo Privitali, Renato S. Fleury, Genésio Machado. Sorocaba: 1950; ALMEIDA, Aluísio. Sorocaba: 3 séculos de história. Sorocaba: Editora Ottoni, 2002; CAMPOS, Zulmiro. Vultos de Sorocaba. São Paulo: Sociedade Editora Olegário Ribeiro, 1921; FREITAS, Affonso de. A Imprensa periódica de São Paulo. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, São Paulo: Typographia do Diário Official, Volume XIX, 1914; LOVE, Joseph. A locomotiva - São Paulo na federação brasileira - 1889-1937. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982".

Fonte: http://www.sorocaba.com.br/wiki

 FUNDAÇÃO UBALDINO DO AMARAL



"A Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), de Sorocaba (SP), é uma instituição sem fins lucrativos, voltada para a prática da filantropia em várias frentes, e especialmente na área educacional. É proprietária do jornal Cruzeiro do Sul e do Colégio Politécnico de Sorocaba - Jornal Cruzeiro do Sul - FUA, que conta atualmente com cerca de mil alunos em suas duas unidades.

Constituída oficialmente em 31 de julho de 1964, a FUA nasceu dentro da Loja Maçônica Perseverança III, de Sorocaba. No início de 1963, o então proprietário da Editora Cruzeiro do Sul S/A, Hélio da Silva Freitas, que integrava a Perseverança III, manifestou aos companheiros de Loja a intenção de sua família, de vender o Cruzeiro do Sul, matutino diário fundado em 1903.

O jornal estava sob a direção dos Freitas desde 1940, quando foi adquirido pelo patriarca Orlando da Silva Freitas, falecido em 1954.

Na sessão de 4 de março de 1963, o venerável da Loja Maçônica, Paulo Pence Pereira, comunicou aos colegas a aquisição da editora, e convidou os demais integrantes que assim o desejassem a avalizar os títulos de garantia, passando a contribuir com uma quantia mensal. O convite foi atendido por 21 maçons, que se tornariam os instituidores da FUA, constituída oficialmente em 31 de julho de 1964, com a função de manter o jornal e de promover a filantropia.

Para patrono da nova instituição, foi escolhido o nome do maçom Ubaldino do Amaral Fontoura (1842-1920), um dos fundadores da Loja Maçônica Perseverança III, em 1869. Abolicionista, Ubaldino atuou como jornalista em Sorocaba, antes de mudar-se para São Paulo e, depois, Rio de Janeiro, onde advogou e atuou politicamente, chegando a intendente (prefeito) e senador da República, tendo encerrado sua brilhante carreira como ministro do Supremo Tribunal Federal."


DIÁRIO DE SOROCABA

  
História



É impossível escrever sobre o DIÁRIO DE SOROCABA sem contar a trajetória de Vitor e Tereza de Luca, já que eles são até hoje a alma do jornal. Os pais de Vitor, Fernando e Angelina, tiveram 11 filhos. Os avós eram italianos e os pais do jornalista possuíam uma chácara no Paraná com plantações e um tanque de carpas. Vitor saiu de Piraí do Sul, sua terra natal, aos 14 anos, tendo se mudado com o seu irmão João para a capital paulista, onde decidiu estudar Jornalismo na faculdade “Cásper Líbero”, formando-se na segunda turma da instituição, em 1951.

Para sustentar seus estudos, começou a trabalhar em uma agência bancária, mas antes disso chegou a freqüentar o seminário, ia ser padre. Tanto Vitor como Tereza eram muito católicos. O jovem chegou a subgerente. Por ser árbitro de tênis de mesa ele também escrevia, como colaborador, artigos esportivos para o jornal “Gazeta Esportiva”.

Vitor conheceu Tereza em uma festa de casamento e logo se casaram, tendo quatro filhos: Fernando (falecido em 1996), Leila, Walter e Maurício. Os meninos seguiram os passos do pai e decidiram ser jornalistas, já a filha optou pela Medicina.

Em 1952 Vitor foi convidado para vir para Sorocaba, dirigir o jornal “Folha Popular”, que pertencia à Cúria Metropolitana. Após seis meses na cidade, morando em uma pensão,  se casou com Tereza.

Vitor decidiu deixar a “Folha Popular” e fundar o seu próprio jornal. Seu sonho era fazer um veículo de comunicação imparcial e independente. Assim nasceu o DIÁRIO DE SOROCABA.

NÚMERO UM - Um prédio na rua da Penha, esquina com a Maylasky, foi a primeira “residência” do DIÁRIO. O local não tinha muitas divisões e era ao mesmo tempo escritório, redação e setor de distribuição. Vitor se dividia entre a máquina de escrever e as oficinas, que estavam instaladas nos fundos do prédio.

À véspera da primeira edição, no dia 5 de julho de 1958, o jornal estava movimentado. Um grupo de repórteres e gráficos, comandados por Vitor, ia de um lado para o outro na árdua tarefa de fazer um novo jornal. O jornalista cuidava de todos os detalhes da primeira edição, redigindo as matérias e orientando a composição e paginação do número histórico, que deveria estar nas ruas no dia seguinte. Apesar da ansiedade, tudo saia conforme o roteiro previamente estabelecido.

Vitor estava sem dormir há 48 horas. Mas, por volta das 23 horas daquele 5 de julho, quando o jornal já estava pronto para começar a ser impresso, uma comitiva, de cerca de 45 pessoas, entrou no casarão da rua Maylasky, tendo à frente o então governador do Estado, Jânio da Silva Quadros, e o prefeito de Sorocaba, Gualberto Moreira, para uma visita de cortesia. E dessa visita saiu o primeiro “furo” do jornal, já que o governador anunciou que o Hospital Regional receberia verba para ampliação e seria construído um viaduto na cidade, que acabou levando o nome do ex-governador.

O DIÁRIO cresceu rapidamente. Isso em parte pelo prestígio que Vitor tinha por conta da “Folha Popular”. Junto com Vitor, também deixou a “Folha” o agente publicitário e “fiel escudeiro” Heitor Nunes, falecido em 2000, que também foi trabalhar no DIÁRIO, onde ficou até morrer. Outra grande força de trabalho que impulsionou o jornal foi Tereza de Luca, que, além de ser uma administradora nata, tinha grande experiência na área editorial, tendo trabalhado na Editora Melhoramentos. Ela também era jornalista.

SOLIDARIEDADE - Vitor e Tereza eram muito católicos, mas mais que isso, eram altamente cristãos, tanto que a solidariedade sempre era expressa pelo casal. Fazer o bem era algo rotineiro e o matutino tinha por obrigação participar da vida da comunidade. O casal fez várias campanhas, sempre se preocupando em ajudar as pessoas mais necessitadas.

O sucesso do DIÁRIO foi tanto que no terceiro ano já estava sendo construída a sede própria na rua da Penha. Um dos motivos do sucesso do jornal é que ele trouxe um conceito mais técnico de jornalismo para uma cidade do Interior, principalmente relacionado à ética.

O DIÁRIO era como uma grande família. Os filhos dos fundadores, Leila, Fernando, Walter e Maurício, praticamente nasceram dentro do jornal. Destes, apenas Leila seguiu outra carreira, tornando-se médica. Os outros, fizeram carreira dentro do DIÁRIO.

A MORTE DE FERNANDO - Vitor e Tereza estavam sempre atentos às inovações. Em 1993 o jornal entrou na era do offset, a diagramação também sofreu uma transformação, porém, o jornal afirmava em editorial que manteria a mesma linha de seu início.

O ano de 1996 marcou com a morte de Fernando de Luca Neto, vítima de câncer. Fernando era o responsável pela administração do DIÁRIO DE SOROCABA e sua morte abalou o casal Vitor e Tereza de Luca. Fernando formou-se em Jornalismo na mesma faculdade do pai, a "Cásper Líbero", em São Paulo. Especializou-se também em artes gráficas e foi diretor executivo do jornal, acompanhando sempre de perto toda a parte gráfica, comercial e administrativa.

A morte de Fernando foi um transtorno, mas o lado religioso prevaleceu no casal, que buscou superar o acontecimento. Já Vitor teve que, aos 70 anos, voltar a administrar o DIÁRIO, tendo que encarar os avanços tecnológicos.

No mesmo ano surgiu o DIÁRIO DE SOROCABA ON LINE, um dos primeiros jornais do Brasil na Internet. O atual diretor-executivo do DIÁRIO,  jornalista Maurício de Luca, era o responsável pela nova empreitada e afirmou que o seu pai, como a maioria das pessoas, não assimilava o que era a internet. “Mas quando começou a sentir a repercussão dos leitores no exterior, começou a constatar a importância da rede mundial de computadores”.

ACIDENTE FATAL  - No final de outubro de 1998, Vitor e Tereza resolveram tirar alguns dias de férias no Paraná, onde a família também possuía um jornal. “O Piraiense”. No dia 13 de novembro de 1998 eles estavam voltando para Sorocaba. A poucos quilômetros de Sorocaba, Thereza telefonou para o filho Maurício, dizendo que estavam em um posto tomando um lanche e que dentro de meia-hora estariam em casa. Pediu para ele esperar para almoçarem juntos. A poucos metros do posto, uma erosão na estrada fez Vitor perder o controle do veículo, que se chocou de frente com um caminhão que seguia em sentido contrário.  Thereza morreu na hora. Vitor ficou preso às ferragens por quase uma hora. Faleceu no caminho do hospital.

A notícia causou grande comoção na cidade e região. No enterro era possível ver o grande carinho que todos possuíam pelo casal. Dezenas de coroas de flores foram entregues e uma multidão compareceu ao velório e ao enterro. 

Vitor e Tereza deixaram muita saudade. Mas devem estar orgulhosos do DIÁRIO DE SOROCABA continuar representando a população, com ética e solidariedade, fazendo um jornalismo sério, imparcial e independente.

DIREÇÃO – Atualmente o DIÁRIO é dirigido pelo jornalista e administrador de empresas  Maurício de Luca. O editor chefe é o jornalista Cláudio Grosso, irmão de Thereza de Luca. 

Transcrito dehttp://www.diariodesorocaba.com.br/site2010/jornal.php?id=1558993


 TV TEM SOROCABA


"Maio de 2003. Surge um novo conceito de televisão regional. Um acordo operacional entre as afiliadas da Rede Globo em Bauru (TV Bauru S/A), Rio Preto (TV São José do Rio Preto S/A), Sorocaba (TV Aliança Paulista S/A) e Itapetininga (TV Novo Interior Ltda.) resulta na TV TEM, que passa a operar como rede, mas preservando as características regionais. Uma diretriz que implicou investimentos, novos programas, aprimoramento profissional, modernização e criação de unidades avançadas.
Além da sede em Sorocaba e mais três , há unidades em Marília, Araçatuba, Botucatu, Ourinhos, Votuporanga e Itapeva. A TV TEM cobre 49% dos municípios paulistas. É a rede de emissoras afiliadas Rede Globo com a maior abrangência no Estado.
São 318 municípios, que formam uma região com 7,6 milhões de habitantes; um dos mais altos índices de potencial de consumo do país, indicadores sócio-econômicos de primeiro mundo e telespectadores exigentes, que encontram na TV TEM programas regionais de alta qualidade, que vai além da grade de programação.
A área comercial e o marketing fomentam o mercado publicitário por meio de seminários e palestras sobre a importância da propaganda como impulsionadora dos negócios.
A TV TEM apóia ainda iniciativas de instituições e entidades representativas voltadas para a formação profissional. Igualmente, pesquisa e adota novas tecnologias. Exemplo dessa filosofia é a sede Sorocaba, inaugurada em setembro de 2006, uma das pioneiras a operar totalmente sem fitas - da captação à exibição. Toda a plataforma é digital, o que permitiu a rápida adequação ao sistema HDTV - televisão de alta definição. A transmissão digital, em Sorocaba, começou no primeiro semestre de 2009. A cidade foi a 4ª emissora do interior de SP a transmitir o sinal digital e a 19ª emissora do Brasil a transmitir o sinal digital.
Além de uma atuação jornalística, a emissora realiza e apóia projetos de educação, cultura, lazer, esportes e de melhoria da qualidade de vida, tentando uma integração e troca de experiências entre as cidades e regiões.
Também desenvolve campanhas de utilidade pública e abre espaço em sua programação para instituições de assistência e prestação de serviços.
Comercial
A rede de emissoras TV TEM abrange 318 municípios, o equivalente a 49% do Estado de São Paulo. A região é conhecida por ser a mais rica e desenvolvida do país, o que mostra um grande potencial para os negócios."

Transcrito de:/tvtem.temmais.com/EditoriaDetalhe.aspx?TextoId=10


 SALOMÃO PAVLOVSKI


“Nascido aos 21 de Junho de 1924, filho do Ucraniano MOYSÉS PAVLOVSKY e da Romena CECÍLIA ROSEMBLAT, em Freguesia de Inhaúma-RJ.
FotoJornalista e Radialista Profissional, Advogado, Empresário da Comunicação.
Começou a trabalhar em Sorocaba, ainda criança, fazendo um pouco de tudo, foi engraxate e entregador de jornais, ajudando a família de imigrantes que estava se estabelecendo no Brasil. Começou a trabalhar com publicidade, quando teve a idéia de instalar auto-falantes perto do Largo do Mercado e assim vendia espaços publicitários para os lojistas do Centro. A idéia deu certo, e instalou outros autos-falantes na cidade. A partir daí, foi um salto para trabalhar em Rádio, onde atuou em rádio novelas, narrações esportivas e locuções comerciais. Trabalhou por 17 anos na PRD-7 acumulando funções de radialista e Diretor Comercial da Rádio e do Jornal Cruzeiro do Sul.
Saiu de lá para montar sua própria emissora de Rádio AM, a VANGUARDA. Com ela, pode se consagrar como radialista internacional, realizando coberturas ao vivo de inúmeros países, entre eles CHINA, FILIPINAS, JAPÃO, ESTADOS UNIDOS, REPÚBLICA DOMINICANA entre outros. Foi sempre arrojado em tudo que realizava, criando situações para as telefônicas locais que viabilizavam os seus projetos radiofônicos numa época em que haviam limitações para o tráfego telefônico. Promoveu inúmeros Shows com artistas internacionais em Sorocaba, viajou acompanhando as lutas de Boxes internacionais, e transmitindo por rádio os concursos de miss São Paulo, Brasil e Universo, além de ter participado como convidado de várias comitivas presidenciais em viagens internacionais.
Foi Jornalista credenciado do Palácio dos Bandeirantes, do Palácio do Planalto e possuidor da Carteira de Jornalista Internacional. Participou como jurado do programa Silvio Santos por diversas vezes, e trouxe para Sorocaba uma ambulância, prêmio ganho no programa Cidade contra Cidade na Televisão.
Quando começaram a surgir as primeiras FM no Brasil, se habilitou no Ministério das Comunicações e recebeu uma das 1ªs concessões de FM do interior do País. É a VANGUADA FM.
A partir daí, vieram os sonhos de conseguir um canal de TV para Sorocaba, e em Outubro de 1990 instalou a 1ª emissora de TV em UHF no Brasil, na cidade de Sorocaba, afiliada ao Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).
Era conhecido por suas entrevistas com personalidades entre elas, a Rainha Elizabeth, Ronald Reagan, Papas, 1ºs Ministros e Presidentes de todos os Países que visitaram o País, além de governadores e artistas.
Apolítico, soube sempre trabalhar buscando a informação e a projeção de Sorocaba e região.
Recebeu o título de Cidadão Sorocabano e era com prazer que divulgava as mensagens que trazia para nossa cidade. Foi Delegado do Escritório Regional do Interior (ERIN), nos anos 70”.

ATUALIDADES


LOCALIZAÇÃO DE SOROCABA:
 

A cidade de Sorocaba está localizada na região Sudoeste do Estado de São Paulo, a cerca de 90 km de distância da capital. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem 586.625 habitantes, conforme o Censo 2010. Pólo de uma região com mais de 2 milhões de habitantes, Sorocaba conta hoje com uma grande diversidade econômica.
É a 5ª cidade em desenvolvimento econômico do Estado de São Paulo e sua produção industrial chega a mais de 120 países, atingindo um PIB de R$ 9,5 bilhões. As principais bases de sua economia são os setores de indústria, comércio e serviços, com mais 22 mil empresas instaladas.
Sorocaba tem conseguido crescer nos últimos anos em um ritmo acelerado e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vida dos seus moradores.
Nos últimos anos, a Prefeitura vem priorizando investimentos em infraestrutura urbana, renovando e construindo áreas de lazer, praças, parques e ciclovias, escolas, creches e unidades de saúde em pontos estratégicos da cidade, abrindo avenidas e ampliando o setor habitacional, transporte, na despoluição do Rio Sorocaba, entre outras ações, que fazem de Sorocaba um local dos mais agradáveis do Brasil para se viver.
Sorocaba se prepara para o futuro por meio de um Planejamento Estratégico, assumindo compromissos com dois modelos internacionais de desenvolvimento urbano: Cidade Saudável e Cidade Educadora.

Distâncias de Aeroportos:

 84,2 km do Aeroporto Internacional de Viracopos – Campinas

  • 98.3km do Aeroporto de Congonhas – São Paulo
  • 122km do Aeroporto Internacional de Guarulhos – Guarulhos

Acesso a Rodovias:

  • 2,7 km da Rodovia Presidente Castelo Branco/SP-280
  • 17 km da Rodovia Sen. José Ermírio de Moraes/SP-075