quinta-feira, 10 de março de 2011

COISAS DE RAPAZES

MEU PRIMEIRO CHEFE
Sr. Domingos Armando
(foto de 1984)

      Era dia dois de janeiro de mil novecentos e sessenta e eu estava prestes a iniciar meu primeiro dia de trabalho na Cia. Brasileira de Alumínio. Um funcionário da Portaria levou-me à Laminação de Papel e apresentou-me ao Sr. Domingos Armando, que veio a ser meu primeiro chefe na grande indústria. Ele deu-me uma vassoura e mandou que eu varresse o piso oleoso da seção.
      Acostumado ao trabalho sob o sistema de empreitada na olaria onde tinha de ser rápido para dar conta das tarefas, fui ágil e em dois tempos o piso estava todo varrido.     Aproximei-me dele e disse-lhe que o serviço estava pronto. O chefe então me mostrou um monte de retalhos de alumínio e orientou-me a amassá-los e depositá-los em uma caixa de ferro. Fui lá, amassei tudo aquilo em menos de dez minutos. Enchi a caixa e voltei para junto do paciente homem. Comuniquei-lhe que estava pronta a tarefa. Aí ele, já um pouco amolado disse-me: - vai lá naquele laminador e fique olhando ele funcionar.(!)
      Entendi logo que ali eu tinha que dançar de acordo com o ritmo da orquestra. Como fiz ao longo dos trinta e um anos de carreira na fábrica.
Com este texto, presto uma homenagem ao meu primeiro chefe, o qual não vejo há vários anos.


O FILME

      “Os Dez Mandamentos”, épico norte-americano estava fazendo o maior sucesso nos idos de 1962. Morávamos em Alumínio e o filme estava em cartaz no cine São José em São Roque, distante quinze quilômetros.
      Resolvemos ver o filme. Para ir, tudo fácil, pois havia ônibus a cada duas horas. Maravilhoso, o filme no entanto muito longo, pelo que os exibidores proporcionavam um intervalo à platéia. Por tudo isso, a sessão terminou depois das vinte e três horas.
      Fomos ao ponto de ônibus e... o último havia partido às vinte e duas horas. Dinheiro para táxi ninguém tinha, de forma que o jeito foi botar o pé na estrada. Eu, o Nilson, o José e nosso amigo Waldomiro Alves iniciamos a jornada de volta. No vigor da mocidade, corremos em muitos trechos e por volta das três da matina chegamos em casa na Vila Paulo Dias.
      Como tínhamos de entrar às sete no trabalho, o tempo de sono foi minúsculo para meus manos e o amigo. Eu, como era mensalista, entrei um pouco mais tarde. Levei pequena repreensão do chefe, o saudoso Sr. Philemon. Por causa disso, tiraram sarro de mim, dizendo que assisti “Os Onze Mandamentos”.

O GREVISTA
 
  Por participar de uma greve em março de 1964 o Nilson foi despedido da fábrica, o que causou grande reboliço em casa. Nossa mãe ficou furiosa e, passados alguns meses, lá foi ela pedir nova chance ao diretor da empresa, homem tido por muitos como muito bravo.
      Orientada de que deveria voltar posteriormente trazendo um memorando e em companhia do filho, dona Benedita assim o fez. Coube-me fazer o tal documento, o qual o entreguei à nossa genitora no momento que me preparava para escovar os dentes após o almoço.
      Se achegando ao diretor, mamãe cumprimentou-o e estendeu-lhe o memorando dobrado. Ele pegou-o e ao abrí-lo percebeu que algo branco e pastoso grudou em sua mão. Era a pasta dental que eu havia colocado na escova. Ele chacoalhou a mão, assinou o memorando de readmissão e depois de um sermão despediu mãe e filho. Arre!

AS AVENTURAS DE UM LAMBRETEIRO

      No final de 1963 resolvi comprar uma lambreta, a qual veio de São Roque, pilotada por um vizinho comigo na garupa. Estava eufórico e quase não consegui dormir naquela noite.
Nunca tinha pilotado nada parecido, mas logo peguei o jeito e saí pela cidade exibindo meu bonito veículo de fabricação italiana na cor vermelha e branco.
      Dei algumas caronas logo no dia seguinte, o que era uma temeridade, pois minha habilidade era muito pouca para isso, como se constatou mais tarde.
      Numa dessas inconseqüências, fui à igreja Metodista em Mairinque no domingo à noite levando o José como garupa. Como a luz traseira estava queimada, ele usou um farolete para fazer as vezes do equipamento obrigatório.
      No início do ano seguinte lá íamos nós dois novamente na lambreta, desta vez subindo pela rua principal da Vila Brasilina com a finalidade de abastecer o veículo no posto existente na Vila Pedágio. No final da subida tentei mudar a marcha mas não consegui e a lambreta ganhou velocidade na descida que acabava na rodovia. Caímos: eu me ralei bastante e tive pequena vertigem. Com ele, tudo bem.
      Retornamos empurrando a lambreta e ao chegarmos em casa a preocupação era que a mamãe não me visse com os sangramentos na roupa. Chegamos bem de mansinho para colocar a lambreta no lado dos fundos da casa.
- Meu Deus do céu, o que foi isso, meus filhos!
- Nada, não,mamãe. Após outras duas quedas, resolvi vender a lambreta e comprar alguns móveis. Quase fiz como aquela história do camarada que disse: - Não sei se caso ou se compro uma bicicleta.


CAÇANDO LEBRE
   

 Era costume dos funcionários da Administração chegar de cinco a dez minutos antes de recomeçar os trabalhos após o horário de almoço. Formavam-se então pequenos grupos por afinidade e se conversava de tudo um pouco.
      Entre os trilhos da ferrovia e o prédio onde trabalhávamos havia uma estreita faixa de terra coberta de gramíneas e pequenos arbustos. Por baixo dessa vegetação circulavam pequenos animais, predominando os coelhos ou preás..
      Certo dia, aproveitando os minutos que ainda restavam, dois ou três companheiros resolveram caçar coelhos. E armados de alguns porretes, iniciaram a empreitada. Deu treze horas, a maioria dos funcionários entraram e lá ficou um deles, distraído e sem percepção de horário, desferindo pauladas na tentativa de acertar um roedor.
      Nesse ínterim  chegou o Chefe do Escritório Sr. Paulo Dias, estacionou o Nash 52 ao lado do prédio e viu o funcionário na faina de acertar o preá. Perguntou ao chefe do Depto Pessoal o que era aquilo lá fora e constatada a falha funcional do rapaz, disparou a ordem:
- Três dias de gancho para ele.
       Na pasta funcional do predador ficou arquivada a cópia da carta de advertência. Nela, o motivo da disciplina: “Por estar caçando lebre em horário de serviço”.


O ATLETA


      Era dia 31 de dezembro de 1959. À exemplo do que ocorria na capital paulista, resolveram organizar uma corrida de São Silvestre em Alumínio. O percurso consistia em dar cinco voltas desta forma: saída em frente o Cine Alumínio, percorria a Nunes Rabelo, subia a Rua Hehl, entrava pela Gaspar Ricardo e terminava no mesmo ponto da largada.
Convidaram-me de última hora e lá fui eu. É certo que sempre gostei de futebol, mas nunca joguei em um estádio. Portanto, apesar de meus vinte anos de idade, não tinha preparação nenhuma para encarar a prova.
      Alguns desistiram logo após a largada; outros um pouco depois. Quando o Renato Corsi terminou em primeiro lugar, eu estava com uma volta atrás, andando mas querendo terminar a prova. Foi quando o Levi Chagas que era o último emparelhou comigo e distraiu-me com a conversa de que era bobagem esforçar-se para chegar, uma vez que a prova já havia terminado.
      De repente ele disparou e eu, sem conseguir acompanhá-lo, fiquei com a lanterna na mão. O pior não é isso: anos mais tarde fui descobrir que tinha doença de Chagas e não podia ter me submetido a tamanho esforço.
      Após a prova, fiquei deitado no piso do cinema por mais de meia hora, resfolegante. Deus é grande!


UMA MARMITA DANDO SOPA

      Admitido para trabalhar na Cia. Brasileira de Alumínio na seção Laminação de Folhas, estava eu deixando a fábrica após meu primeiro dia de trabalho quando vi uma marmita sobre a guia da sarjeta na rua de acesso à Portaria.
- Alguém esqueceu isso aí, pensei. E apropriei-me do utensílio, que passei a usar para levar minha comida diariamente.
      Passaram-se alguns dias e quando estava fazendo novamente aquele horário (dezesseis às vinte e quatro horas), aproximando-me da Portaria vi novamente uma marmita naquele mesmo lugar. Uma só não; várias, mais algumas chaves e outros objetos.
      Aí caiu a ficha: Tudo aquilo estava “guardando” lugar na fila para que seus donos tomassem o ônibus que os levaria à Sorocaba!


O NERVOSINHO

Ficheiro:Tomatoes-on-the-bush.jpg     Durante dois anos trabalhei como operador de ponte rolante na companhia. Numa semana estava trabalhando no turno da tarde, quando então se jantava tirando vinte minutos para tal.
      Quando chegaram as marmitas (no meu caso era um caldeirãozinho de alumínio), desci pela escada de ferro circular junto à coluna do prédio, que tinha aproximadamente vinte metros de altura. Coloquei o embornal no ombro e comecei a subida, quando então arrebentou a alça do embornal e a comida se esparramou escada abaixo.
      Muito bravo, desci e pisei em cima da vasilha, joguei-a com tudo num tambor de lixo e voltei lá para cima ao meu posto de trabalho. A barriga roncava e eu, que havia entrado às 16, tinha de trabalhar até as 24 horas.
      Fui salvo por um colega que tirava uma hora de janta e era vegetariano. Na quitanda do Tico Botti ele comprou meia dúzia de tomate, os quais comi com sal. Talvez seja por isso que até hoje esse é meu legume preferido.

 
PAGANDO UM MICO DAQUELES!

     Eu era magro demais, de tal forma que minha altura de um metro e setenta naquela época me fazia parecer mais alto do que era. As pernas eram demasiadamente compridas. O andar, arrastado, aliás, como até hoje.
           Quando minha família chegou de mudança em fins de 1958 em Alumínio e fomos residir na Vila Paulo Dias fui vítima daquilo que hoje chamam de bullyng. Naqueles tempos era sarro mesmo. A molecada, incluindo o Nilton Baiano, que depois veio a ser meu amigo chamava-me de Saracura.
            Fazia tijolos com minha família na olaria do Sr. Paulo Dias e usava Alpargatas Roda, um calçado próprio para quem não podia ter outro melhor. Como dizia meu amigo Aparecido Aldevino Cardoso, o qual já conhecia lá de Santa Cruz do Rio Pardo, a sola da alpargata ficava parecida com um caroço de manga depois de chupada. Na cabeça, um chapéu de palha com a aba toda destroçada.
            À noite ia ao Cine Alumínio e, como raramente tinha dinheiro, algum amigo pagava o ingresso para mim. Quem era sócio não pagava. Naturalmente que eu não era. O Levy Chagas era um desses amigos SOS.
            Eu era um rapaz tal qual a música do Milton Nascimento: “sem dinheiro até para pagar o pastel chinês”. Isso tudo me fazia um complexado que não ousava olhar para uma moça. Além de tudo era de uma timidez federal.
            Em janeiro de 1960 comecei a trabalhar na CBA e as  coisas começaram a mudar. Fui trabalhar na Laminação de Folhas e o Sr. Oswaldo Valentim de Castro, o apontador, veio perguntar-me quanto eu queria marcar de adiantamento. Não sabia o que era aquilo e ele explicou-me que era um vale no valor da metade do meu salário. Marquei um trocadinho e na folga que tive após receber aquela preciosidade fui conhecer São Roque.
            Dei uma volta ao redor da Praça da Matriz, comprei sorvete e uma revista. Na banca vi um livreto e o título chamou-me muito a atenção: “Como Conquistar as Mulheres”. Com certa vergonha, comprei o livro e paguei junto com a revista. Iria lê-lo em casa, no quarto, com as portas fechadas para evitar possível gozação dos manos.
         Embarquei no ônibus da Viação Souza de volta para Alumínio e logo o coletivo ficou cheio. Cedi meu lugar e fiquei de pé no corredor. Coloquei o livrinho dentro da revista e esta debaixo de um dos braços, pois tinha de usar as mãos para me equilibrar no corredor do ônibus lotado.
            Lá pelas alturas de Marmeleiro ouvi uma voz:
- Moço: Empresta-me a revista? Olhei e era a... É melhor não dizer o nome. Era uma moça bonita que eu conhecia de vista. Emprestei-lhe a revista... e o livro foi junto. Céus!
Ela, delicada e discretamente devolveu-me o livro e a emenda ficou pior que o soneto. O que eu iria fazer com aquele livro na mão? Para dizer bem a verdade não me lembro o que foi que fiz. Afinal, neste ano fez só cinqüenta anos que isso aconteceu!
Uma coisa é certa: Foi o maior dos micos que paguei.

OLHA O TREM!

  Em 1965 eu estava noivo da moça Claudineide e ela foi com o pai dela a São Paulo para fazer compras relativas ao seu enxoval. Eu estava sabendo que ela estaria no trem que passa]ria às 6 h 30 minutos pela estação de Alumínio, localidade onde eu morava com minha família e trabalhava na Cia. Brasileira de Alumínio, onde adentraria ao trabalho às sete horas.
 Quando o trem parou na estação em Alumínio, lá estava eu na espreita: entrei rapidamente, dei uma bicoca nela, apertei a mão do seo Claudino Marra e saí antes que o trem se pusesse em movimento. Selinho com sabor de aventura!

A SEMANA DO FRANGO

Em 1964 o Brasil estava vivendo os primeiros tempos do Golpe Militar, movimento chamado pelos golpistas de Revolução Democrática de 31 de Março. Em outubro daquele ano os senhores Paulo Dias e Philemon de Medeiros, Chefe do Escritório e Chefe da Seção Pessoal respectivamente chamaram a mim e ao Jonas dos Santos, funcionário da Contabilidade para irmos até o escritório do Sr. Paulo, lá mesmo no antigo prédio da administração da CBA.
Lá recebemos a informação que deveríamos fazer um treinamento em São Paulo durante uma semana para apreender operar a máquina Burroughs que iria substituir as calculadoras FACIT e as muitas máquinas de datilografia (tínhamos Olivetti, Remington, Underwood e outras mais). A nova máquina faria em 24 horas aquilo que todos os funcionários levavam a semana inteira para fazer.
Não me lembro qual dos motoristas da CBA nos levou ao Escritório Central na Praça Ramos de Azevedo, onde fomos apresentados ao Diretor Sr. Oswaldo Batista Campos, o qual foi conosco à Av. São João nos apresentar aos responsáveis pelo tal treinamento. Informou-nos o hotel onde ficaríamos hospedados e quanto à alimentação poderíamos ficar à vontade, sempre pedindo as notas fiscais.
Tudo correu como o programado e nos horários de almoço e de jantar íamos sempre ao mesmo restaurante, próximo ao local de treinamento. Frango assado num dia frango frito no outro, frango xadrez, frango... Foi aí que resolvemos experimentar alguma coisa diferente. Pedimos não me lembro o que e o Jonas não gostou. E se saiu com esta:
- Wilson: Você fique à vontade, mas eu vou chamar o garçom e pedir frango frito. Arre!



ABRAÇADO COM O DEFUNTO: CREDO!

O nome dele era Alicio, mas desde a mocidade passou a ser chamado de Danilo pois jogava futebol e lembrava de certa forma o jeito elegante de atuar do grande craque da Seleção Brasileira de 1950.
Era o irmão mais novo de minha mãe, portanto meu tio e pude vê-lo jogando pela Esportiva Santacruzense. Depois jogou em várias equipes do interior paulista, passou pelo Criciúma de Santa Catarina e encerrou a carreira no C.A. Paranaense.
Fez carreira na Polícia Civil e se aposentou como delegado na pequena e acolhedora cidade de Balsa Nova na região metropolitana de Curitiba. Lá ele conheceu a moça Irene, com a qual se casou e teve a filha Andréa e os filhos Anderson e Alan, meus queridos primos.
Mas vamos à história (ou estória?) engraçada que aconteceu com ele quando era adolescente lá em Santa Cruz do Rio Pardo sua cidade natal. Era comum naquele tempo, quando alguém falecia, transportar o caixão com o finado para sepultamento utilizando-se da carroceria de um caminhão. Junto, em pé, equilibrando-se como podiam, seguiam os acompanhantes.
Foi numa dessas que o menino Danilo participava de um desses enterros. De repente o caminhão deu uma freada e muita gente caiu e nosso pequeno personagem lá se foi debruço sobre o caixão do finado. Os caídos se levantaram e, junto com eles, o assustado Danilo.
No entanto o que não levantou foi o moral do garoto, pois naquela noite não conseguiu pegar no sono. Só conseguiu dormir quando recebeu permissão para se deitar no meio dos pais, meu saudoso vô João e a esposa de segunda núpcias dona Benedita Damasceno a quem carinhosamente eu chamava de comadre, pois era assim que minha mãe também a tratava.
Coisas de rapazinhos  (assustados)
 

POR QUE MATARAM ESSE CARA?


Estávamos no final dos anos setenta e eu estava dando aula de História do Brasil na Escola Municipal de Ensino Supletivo em Alumínio, no antigo prédio do GE Comendador Rodovalho.

Era véspera do feriado de 21 de abril e, como era de costume, haveria festa cívica com desfile pelas ruas da cidade, com carros enfeitados, grupo de escoteiros, discursos e tudo mais. Desfilavam também alunos e atletas representando a Associação Atlética Alumínio, pois nesse dia se comemora a fundação do clube azul e branco de tantas glórias.

Caprichei na aula sobre Tiradentes.  Sem falsa modéstia, consegui impactar boa parte da classe ao discorrer sobre os motivos e o martírio de Joaquim José da Silva Xavier lá em Vila Rica, sendo pendurado na forca e seu corpo esquartejado para servir de exemplo para outros que intentassem contra a Coroa lusitana.

Coloquei-me à disposição para tirar possíveis dúvidas que houvesse. Foi aí que um dos alunos (e eram todos adultos) se manifestou:

- Oi professor –
-Fala José: qual é a dúvida?
- Eu só queria saber uma coisa.
- Diga.
- Por que foi mesmo que mataram esse cara?



CADÊ MEU CARRO?



Corria o ano de 1983, eu estava residindo em Mairinque, trabalhando na Cia. Brasileira de Alumínio das sete às dezessete horas e na Escola Municipal de Ensino Supletivo das dezenove às vinte e duas horas como Orientador Pedagógico, atendendo as seções de Mairinque e Alumínio.

Nos dias em que eu atendia a escola em Alumínio eu tinha de vir de carro uma vez que após o expediente na fábrica eu ia até Mairinque, nove quilômetros distante e após banho e janta retornava para a jornada na escola, nessa época já funcionando no novo prédio do “Comendador Rodovalho” nos altos da Vila Paulo Dias.

Pois bem: Saí conversando com o saudoso amigo e companheiro de trabalho Célio da Silva, embarcamos e seguimos conversando. Foi só quando o ônibus passou por uma lombada quase defronte ao Supermercado São Roque que dei conta que havia deixado o carro lá perto da portaria da fábrica. E aí? Teria de voltar a Alumínio e entrar às dezenove horas no Supletivo.
O SOS veio através do falecido Alcyr Pires de Campos, esposo da professora Helena Manes, companheira de trabalho. O casal deu-me carona até onde estava meu malhadinho e a partir daí as coisas seguiram seu curso normal.
Mas antes de terminar é bom acrescentar que fui reincidente: Quando ainda morava em Alumínio deixei a “Brasília” lá na fábrica e só caí na real quando cheguei em casa e vi a garagem vazia...
Coisas de rapazes já passando para coroa.




Comentário do Rev. Manoel Peres Sobrinho em e-mail ao autor:


"Caro Wilson.
Creio que em matéria de "enfastiar", acho que somos muito parecidos.
Mas de uma coisa tenho certeza: fazemos o que gostamos e gostamos do que fazemos, além de procurar compartilhar com outros aquilo que é nosso prazer. Acho isso uma virtude.
Fique à vontade pra mandar quantos textos quiser e de que assunto for. Será sempre uma alegria lê-los todos.
Creio que nós escritores (xique no úrtimo), você, eu e outros aventureiros das letras, de uma certa forma, só temos a nós mesmos para compartilhar essas coisas tão caras. Gosto de ler. Gosto de escrever. Mas o que mais gosto é encontrar uma alma irmã para compartilhar esse dom inefável que é o amor à letras. Talvez sejamos uma raça em extinção. Fique à vontade. Como diz o Moacir Franco: "chorei largado..."
Fique na paz.
Shalom."

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